
Desde o lançamento do filme de Paul W. S. Anderson (Resident Evil) em 1995, a franquia Mortal Kombat vem fazendo algumas tentativas tímidas de adaptar os games de luta clássicos que moldaram uma geração. Nada muito expressivo, mas o boom de projetos inspirados em videogames nos últimos anos trouxe a saga de volta em 2021, sob comando de Simon McQuoid, com um longa-metragem live-action sem sal e nada inspirado.
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Mas como a esperança é a última que morre (e o primeiro filme fez um sucesso considerável no streaming), o New Line Cinema colocou um pouco mais de dinheiro nas mãos de McQuoid para emplacar uma sequência, que chega aos cinemas nesta semana com o título de Mortal Kombat 2.
Mais do que apenas dar continuidade aos eventos do antecessor, o longa vem como uma tentativa de reparar os erros do passado, apostando no clima de humor e piadas à la Marvel Studios para não se levar tão a sério quanto o longa de 2021. Cores mais evidentes, lutas mais sangrentas e um ritmo acelerado se unem nessa receita para resgatar (ou pelo menos tentar) aquela nostalgia dos fliperamas da década de 1990.
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Boa parte dessa nova estratégia é encapsulada na presença de Johnny Cage, personagem adorado dos jogos criados pela Midway Games que faz sua estreia nas telonas em Mortal Kombat 2. Interpretado por Karl Urban (The Boys), o ator narcisista assume o protagonismo que era de Cole Young (Lewis Tan) no filme de 2021, sendo a força que move o clima descontraído que rodeia a produção.
Por outro lado, Mortal Kombat 2 não é necessariamente um filme sobre Johnny Cage, pois a obra resiste em mergulhar totalmente na galhofa (algo que o vindouro filme de Street Fighter parece querer fazer) para não abrir mão totalmente de uma estrutura mais dramática. Isso é possível graças à presença de Kitana (Adeline Rudolph), que oferece uma carga emocional maior para a trama, enquanto ataca com seus clássicos leques de aço durante a pancadaria.
Embora o peso dramático não tenha sustância e nem seja trabalhado com maestria (e, honestamente, nem tinha a obrigação de ser), Mortal Kombat 2 ao menos tenta oferecer aos fãs uma experiência divertida e nostálgica, além de finalmente representar o famoso torneio dos games depois do fiasco do longa de 2021. Se o primeiro filme peca ao se achar importante demais, a sequência assume a bobeira por trás dos confrontos sangrentos e parece estar mais confiante de suas decisões.
Quem tem medo de Shao Kahn
Com Cole Young esquecido no churrasco, Mortal Kombat 2 dá continuidade aos eventos narrados no filme de 2021. Desta vez, porém, o longa está mais comprometido em entregar o que os fãs querem: lutas sangrentas e referências clássicas.
Distanciando-se da energia apática e sem graça do antecessor, a trama coloca Johnny Cage, um ator cujo tempo de glória parece ter ficado no passado, na mira de um torneio mortal para salvar o Plano Terreno da ameaça do terrível Shao Kahn, o imperador da Exoterra que quer espalhar seu governo tirânico para o mundo.
Unindo-se a Sonya Blade (Jessica McNamee), Liu Kang (Ludi Lin), Jax Briggs (Mehcad Brooks) e Raiden (Tadanobu Asano), Cage se vê no meio de uma batalha sangrenta em um momento delicado, já que não confia mais em seu potencial. O perigo iminente, no entanto, força o ator a se lembrar de seus golpes mais precisos à medida que os campeões da Exoterra avançam um passo de cada vez em direção à destruição total.
À primeira vista, a premissa parece funcionar. Referências clássicas, lutas mais frenéticas e aquela pancadaria sangrenta de sempre que qualquer fã, até mesmo os mais despreocupados, reconhecem de longe como marcas registradas dos games, marcam presença em Mortal Kombat 2.
Além disso, personagens carismáticos e populares, como o próprio Cage e Kitana, entram como boas adições para tentar equilibrar a narrativa entre a bobeira e o emocional. Até mesmo os confrontos entre os lutadores parecem ter sido pensados para replicar o estilo dos jogos, trazendo um gore mais evidente e um ritmo ágil que, no filme anterior, ficaram apagados
Na zona de conforto
Por outro lado, a falta de coragem de Mortal Kombat 2, que prefere jogar no modo mais seguro para evitar represália, resulta em algumas limitações incômodas. Uma delas é que o filme mais parece um pedido de desculpas em relação ao filme de 2021 do que algo que caminhe com as próprias pernas. A tentativa de replicar uma fórmula Marvel para se tornar mais palatável ao público atual também não tem força o bastante para elevar o nível da narrativa, apesar de oferecer uma ou outra sacada interessante com referências pop.
Os diálogos também não conseguem sustentar a carga dramática da jornada de Kitana, por exemplo, cujo passado trágico envolvendo o pai e Shao Kahn fica apenas na superfície do iceberg. Felizmente, a performance da atriz Adeline Rudolph (Hellboy e o Homem Torto) é boa o bastante para segurar as pontas, mas a sensação é de que essas sequências mais dramáticas funcionam apenas como uma cutscene para dar contexto às cenas de luta.
Essa abordagem pode até funcionar nos games, mas, em um filme, transforma a narrativa em algo desconjuntado e irregular, com elementos que não sustentam as exigências dramáticas que a trama se propôs a entregar no começo. Logo, o ritmo frenético das lutas camufla o enredo em si, que fica em segundo plano à medida que o famoso fan service se desenrola nas telonas.
Vale mencionar ainda que, embora a presença de Karl Urban dê uma cara mais divertida à sequência, não é um trabalho muito impressionante. O ator cumpre o papel do ator assombrado pelo passado de glória e entrega um bom alívio cômico, porém não é nada que ele já não faça, de maneira muito superior, como Billy Bruto em The Boys. Como não parece existir uma exigência muito alta, Urban faz o possível com o que tem em mãos, assim como Adeline Rudolph.
Ainda assim, por mais que permaneça na zona de conforto, Mortal Kombat 2 ganha pontos por conseguir rir de si mesmo, principalmente se comparado ao desastroso longa de 2021. Não é uma adaptação surpreendente e tão grandiosa quanto finge ser, mas essa confiança adquirida em relação ao antecessor faz com que seja uma obra divertida e descompromissada que, embora não mude vidas, pode render um riso silencioso aqui e acolá, além da nostalgia de uma das franquias mais influentes dos videogames.
Mortal Kombat 2 estreia no dia 7 de maio nos cinemas de todo o Brasil. Caso você queira continuar no clima da franquia, aproveite para relembrar os 5 melhores jogos de Mortal Kombat.
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