
Uma das datas comemorativas mais especiais do ano, o Dia das Mães costuma estar rodeado de várias mensagens bonitas e carinhosas para homenagear a maternidade. Esse retrato também aparece no cinema, com filmes que retratam o ato de ser mãe com histórias emocionantes. Mas nem sempre a maternidade real cabe nessa moldura.
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Isso porque ser mãe é algo extremamente complexo e único, uma experiência que varia com base na vivência de cada mulher. Se, por um lado, há uma visão romantizada da maternidade nas telonas, por outro existem histórias que ressaltam um lado mais verdadeiro, explorando uma visão mais solitária, ambígua, culposa e até mesmo de sobrevivência.
São produções honestas que tratam a maternidade como algo real e sem rodeios, mostrando todas as emoções por trás de um dos acontecimentos mais transformadores da vida de uma mulher. E é exatamente isso que os filmes desta lista evidenciam.
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Filmes sobre as complexidades de ser mãe
Se você está em busca de longas que saem do clichê romantizado da maternidade, o Canaltech selecionou 12 filmes que mostram o que é ser mãe de verdade, tratando a maternidade como uma experiência complexa e não como um prêmio moral.
Tem de tudo um pouco: mães solteiras, mães sobrecarregadas, mães em crise, mães julgadas socialmente e mães que passam por situações complicadas que desafiam a ideia de uma maternidade utópica e única.
Para contemplar essas narrativas, dividimos as produções em blocos temáticos que vão te dar uma noção do que esperar das histórias. Reunimos também informações sobre a disponibilidade dos títulos nos serviços de streaming disponíveis no Brasil.
Sem mais delongas, confira a seguir 12 filmes sobre as complexidades por trás de ser mãe.
Mães em exaustão e perda de identidade
A seguir, conheça filmes que tratam de temas voltados para a perda de identidade de uma mulher diante das exigências maternas, além do peso exaustivo da rotina e das pressões sociais que sempre recaem em cima das mães.
1. Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025)
Dirigido por Mary Bronstein, o filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria é um lançamento relativamente recente que retrata a exaustão de uma mãe que, com a vida desmoronando ao seu redor, tenta lidar com a misteriosa doença do filho e a ausência do marido.
A trama acompanha a protagonista em uma jornada de autocobrança exaustiva que a faz desaparecer dentro da função materna. Com uma excelente performance de Rose Byrne, o longa trata a maternidade como algo real e mentalmente complexo.
Onde assistir Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria: Telecine.
2. Benzinho (2018)
Para quem quer se identificar ainda mais com a narrativa, Benzinho é um filme brasileiro que também traz uma mensagem forte sobre as complexidades da maternidade e como há uma cobrança injusta para que mães deem conta do recado de cabeça erguida.
No longa, acompanhamos Irene (Karine Teles), uma mãe de família que precisa lidar com a partida precoce do filho, que está prestes a se mudar para a Alemanha para tentar ser jogador de handebol. Enquanto lida com seus próprios sentimentos, ela ainda se desdobra para dar atenção aos outros filhos e lidar com as instabilidades do marido.
Onde assistir Benzinho: Globoplay.
3. Tully (2018)
Estrelado por Charlize Theron, Tully narra a história de Marlo, uma mulher que é mãe de três filhos e precisa cuidar de um recém-nascido. Completamente atarefada e exausta, ela é surpreendida pela chegada de uma babá que cuida das crianças à noite, formando um laço emocional com ela.
Além de mostrar a maternidade sem filtros romantizados, o filme faz uma reflexão sobre pressões financeiras, saúde mental e uma luta interna para manter a própria maternidade. A trama ainda mostra como uma rede de apoio faz com que a resiliência seja possível.
Onde assistir Tully: Diamond Films+ (canal no Prime Video).
4. Canina (2024)
Com Amy Adams no comando do elenco, Canina aposta no terror para contar a história de uma mulher que se sente sufocada em casa com a rotina de cuidar do filho pequeno. Até que, aos poucos, ela começa a se entregar para um poder selvagem enraizado na maternidade, passando a acreditar que ela pode estar se tornando um cachorro.
Por mais absurda que a premissa pareça, o filme usa a fantasia para mostrar como os sacrifícios sociais e profissionais que chegam com a maternidade recaem em dobro sobre a mulher, que tenta recuperar a própria identidade em meio às cobranças da rotina.
Onde assistir Canina: Disney+.
Maternidade, culpa e ambivalência
Para quem gosta de refletir sobre a ambiguidade do papel materno, assim como questões voltadas para a culpa e arrependimento, confira mais filmes sobre maternidade complexa.
5. A Filha Perdida (2021)
Inspirado na obra homônima da escritora Elena Ferrante, o filme A Filha Perdida segue a jornada de Leda (Olivia Colman), uma mulher que, durante suas férias em uma cidade costeira, fica obcecada por uma jovem mãe hospedada nas redondezas que a obriga a confrontar segredos obscuros do passado.
Tema recorrente nas histórias de Ferrante, a maternidade aparece em A Filha Perdida rodeada de questões sobre culpa e arrependimento, além de sentimentos contraditórios por trás do ator de ser mãe que, socialmente falando, são extremamente julgados.
Onde assistir A Filha Perdida: Netflix.
6. Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)
Com uma das performances mais poderosas de Tilda Swinton, o filme Precisamos Falar Sobre o Kevin é bastante provocativo na maneira como aborda a maternidade. A direção é de Lynne Ramsay com base no livro de
Lionel Shriver.
No longa, Eva (Swinton) nunca quis ser mãe, algo que transformou sua relação com o perturbado filho Kevin em algo extremamente complicado. Até que o adolescente é preso por uma tragédia, e Eva tenta lidar com a sensação de responsabilidade pelo ocorrido.
Onde assistir Precisamos Falar Sobre o Kevin: Mubi e Prime Video.
7. Morra, Amor (2025)
Mais um filme dirigido por Lynne Ramsay que também trata das ambivalências por trás da maternidade é Morra, Amor, explorando questões psicológicas, solidão no casamento e o desejo por algo maior.
Estrelado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson, o longa segue uma mãe de primeira viagem que vive em uma casa isolada no interior dos EUA. À medida que seu marido vai se tornando ausente, ela passa a se sentir cada vez mais sufocada pelas exigências do filho, levando-a a embarcar em uma luta pela própria sanidade em meio às frustrações.
Onde assistir Morra, Amor: Mubi.
Luto, trauma e sobrevivência
Falar de maternidade também é falar de sobrevivência, luto e trauma, elementos que, embora não façam parte da vivência de todas as mães, impactam boa parte delas de maneira quase silenciosa. Confira a seguir filmes que tratam desses assuntos.
8. Ainda Estou Aqui (2024)
Responsável pela vitória histórica do Brasil no Oscar 2025, o filme Ainda Estou Aqui também é um filme que mostra a força e a resiliência que vêm com a maternidade, principalmente diante de acontecimentos devastadores.
Situado na década de 1970, durante o período da ditadura militar no país, o longa de Walter Salles acompanha a história de Eunice (Fernanda Torres), uma mãe de família que se vê obrigada a cuidar dos filhos sozinha quando o marido desaparece após ser levado por militares. Determinada a encontrar o paradeiro dele, ela tenta descobrir a verdade sobre seu destino por décadas, enquanto tenta dar um futuro digno aos filhos.
Onde assistir Ainda Estou Aqui: Globoplay.
9. Pieces of a Woman (2020)
O filme Pieces of a Woman mostra como uma perda irreparável pode virar a vida de uma mãe de cabeça para baixo. Estrelado por Vanessa Kirby, o longa explora as nuances do luto, assim como os impactos do trauma geracional.
Na trama, Martha (Kirby) está prestes a dar à luz ao seu bebê em casa, mas aquilo que deveria ser um dos momentos mais felizes de sua vida se transforma em grande tragédia. Ela embarca, então, em uma jornada para lidar com o luto, que fragmenta profundamente suas relações com a família.
Onde assistir Pieces of a Woman: Netflix.
10. O Babadook (2014)
Também falando sobre os impactos psicológicos em relação a uma perda trágica, o filme O Babadook usa o terror para explorar temas complexos da vivência materna.
Dirigido por Jennifer Kent, o longa acompanha Amelia (Essie Davis), uma mãe solteira atormentada pela morte do marido. Quando um livro misterioso surge na casa e passa a perturbar o filho, que acredita que há um monstro escondido no local, ela mergulha na paranoia à medida que a presença maligna realmente se manifesta.
Onde assistir O Babadook: Mubi.
Maternidade e desigualdade social
Partindo do princípio de que a maternidade não é vivida da mesma forma pelas mulheres, é preciso considerar o contexto social onde essas mães estão inseridas para compreender suas batalhas pessoais. Veja a seguir filmes que tratam dessa questão.
11. Que Horas Ela Volta? (2015)
Um dos filmes mais elogiados do cinema brasileiro, Que Horas Ela Volta? retrata os contrastes sociais envolvendo a maternidade. O longa é estrelado por Regina Casé, cuja performance é extremamente sensível e consagrada.
Assinado pela diretora Anna Muylaert, a produção segue a rotina de Val (Casé), uma mulher que deixa a filha no interior de Pernambuco para trabalhar como empregada doméstica na casa de uma família de classe média alta em São Paulo. Convivendo com a culpa de não ter criado a filha, Val é confrontada pelas decisões do passado quando a jovem vem ao seu encontro para fazer o vestibular.
Onde assistir Que Horas Ela Volta?: Netflix e Globoplay.
12. Projeto Flórida (2017)
Mais uma produção que revela os impactos da desigualdade social na vida de uma mãe, Projeto Flórida é um filme do premiado diretor Sean Baker que explora o declínio do tão falado “sonho americano” e como as limitações financeiras podem alterar a maneira como se vive.
No filme, acompanhamos Moonee (Brooklynn Prince), uma agitada garota de seis anos que vive com a mãe em um hotel na beira da estrada, próximo aos parques da Disney. Enquanto a menina mergulha no mundo de fantasia da infância com suas amizades, a mãe e os adultos que vivem no local lutam pela sobrevivência em meio a tempos difíceis.
Onde assistir Projeto Flórida: Diamond Films+ (canal no Prime Video).
Cada um à sua maneira, os filmes mencionados mostram como mães podem ser complexas e contraditórias, ou podem estar exaustas e confusas, mas ainda assim são mães com personalidades e desejos únicos. Afinal, ser mãe não é o resumo da vida de uma mulher.
Aproveite para continuar celebrando todos os tipos de mãe relembrando as 10 mães mais icônicas do cinema.
Leia a matéria no Canaltech.