O uso compulsivo da internet está associado a níveis mais altos de estresse, piora no humor e abandono de atividades importantes da rotina, segundo um estudo da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha. A pesquisa indica que a tentação momentânea de acessar a internet é um dos principais fatores que levam ao comportamento repetitivo, superando até mesmo o impacto do estado emocional da pessoa.
Publicado na revista PLOS One, o estudo acompanhou cerca de 900 adultos que utilizavam a internet para jogos, redes sociais, pornografia e compras online. Durante 14 dias, os participantes registraram diariamente o tempo de uso, o nível de estresse, o humor e a vontade de entrar na internet.
Os pesquisadores dividiram os participantes em três grupos: uso não problemático, uso de risco e uso patológico. Os resultados mostraram que pessoas com padrões graves apresentavam mais estresse, pior humor e maior tendência a deixar de lado outras áreas da vida, como exercícios físicos e interações sociais presenciais.
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Segundo os pesquisadores, o comportamento compulsivo é reforçado por dois mecanismos principais: a sensação de prazer ao acessar a internet e o alívio de sentimentos negativos. Com o tempo, esse ciclo pode fazer com que o usuário procure a internet cada vez mais como uma forma de escapar de situações desconfortáveis.
Os próprios autores destacam que passar muitas horas conectado não significa, por si só, que uma pessoa tenha dependência ou prejuízos na rotina. O principal fator que diferencia um uso saudável de um padrão patológico é a intensidade da tentação de acessar a internet e o quanto esse comportamento começa a substituir tarefas importantes.
Além disso, o sentimento de prazer está presente em todos os níveis de uso, porém, à medida que o uso se torna patológico, o alívio de sentimentos negativos, como usar a internet para fugir do desconforto, começa a ter um peso maior.
O vício em internet altera a química cerebral em jovens, segundo estudo
Um estudo publicado na revista PLOS Mental Health mostrou que jovens com diagnóstico de vício em internet apresentam alterações na forma como diferentes regiões do cérebro se comunicam. A revisão compilou dados de 237 adolescentes entre 10 e 19 anos com diagnóstico formal de vício em internet, reunindo informações de 12 estudos realizados entre 2013 e 2023 por pesquisadores do University College London (UCL).
Os pesquisadores identificaram mudanças em diversas redes neurais. Entre os principais achados estão o aumento da atividade em algumas regiões do cérebro durante o repouso e a redução da conectividade funcional em áreas ligadas ao controle executivo, memória e tomada de decisões. Essas alterações também foram associadas a impactos na capacidade intelectual e na coordenação física dos jovens.
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O estudo cita comportamentos associados ao uso compulsivo da internet, como desejos intensos de usar teclado ou mouse, consumo excessivo de mídia e a tendência de mentir sobre o tempo gasto online. Segundo os pesquisadores, essas alterações podem estar relacionadas a dificuldades no controle de impulsos, problemas para manter relacionamentos e impactos no sono, alimentação e desenvolvimento dos jovens.
Os pesquisadores destacam que a adolescência é uma fase de maior vulnerabilidade, já que o cérebro ainda passa por importantes mudanças de desenvolvimento. Para Max Chang, autor principal do estudo, compreender quais regiões cerebrais são afetadas pode ajudar na criação de tratamentos direcionados, incluindo intervenções clínicas, psicoterapia e terapia familiar.
O fortalecimento do conhecimento dos pais para identificar os primeiros sinais de uso problemático da internet também é apontado como uma estratégia importante de prevenção. A orientação pode ajudar a controlar o tempo de tela e a impulsividade antes que o comportamento cause impactos mais profundos na rotina dos jovens.
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