
E se o “silêncio” na busca por formas de vida extraterrestre no universo for um erro de recepção, e não falta de seres emissores de sinais detectáveis por nós? Pois é o que sugere um novo estudo conduzido pelo Dr. Vishal Gajjar e por Grayce Brown, entre outros autores: para a equipe, os cientistas podem não ter conseguido encontrar vida fora da Terra até o momento devido ao clima espacial das outras estrelas.
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De forma resumida, o problema está na forma como buscamos vida inteligente. Tradicionalmente, o SETI (sigla em inglês para “Search for Extraterrestrial Intelligence”, ou Busca por Inteligência Extraterrestre) foca em sinais de banda estreita, que são pulsos de rádio extremamente nítidos e concentrados em uma única frequência.
Esses sinais dificilmente viriam de fontes naturais, ou seja, se forem identificados, provavelmente têm origem artificial. É aqui que entra o estudo, em que os pesquisadores analisaram os efeitos que o plasma e os elétrons expelidos por fenômenos como ventos estelares e ejeções de massa coronal (CMEs), que caracterizam o clima espacial, causam nestes sinais.
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Vida fora da Terra
A equipe descobriu que as emissões estelares agem como um difusor e causam a chamada cintilação difrativa, fenômeno que espalha a energia do sinal por uma faixa mais ampla de frequências e reduz sua força; é como se um “grito” fosse transformado em um "sussurro".
Com simulações, os autores analisaram milhões de estrelas e descobriram que cerca de 70% dos sinais das estrelas sofreriam essa ampliação. O impacto é ainda mais intenso nas anãs vermelhas, estrelas que representam 75% daquelas em nossa galáxia.
A boa notícia é que, ao entender como a atividade estelar afeta os sinais, os cientistas podem agora ajustar os parâmetros de busca — tanto que o Dr. Gajjar defende que o universo pode estar, na verdade, "repleto de mensagens barulhentas, e que nós simplesmente não teríamos feito os ajustes necessários para ouvi-las”.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.
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