IAs chinesas avançam em cibersegurança e reduzem distância dos EUA

O sucesso do Claude Mythos inaugurou uma nova etapa da corrida da IA: modelos com capacidades avançadas de cibersegurança. Enquanto a OpenAI foca no GPT-5.6, empresas chinesas aceleram o desenvolvimento de alternativas, como o GLM-5.2, da Z.ai.

Um levantamento publicado pelo Wall Street Journal neste fim de semana indica esse movimento. Com base em avaliações de pesquisadores, a reportagem aponta que o sucessor do GLM-5.1 alcança desempenho próximo ao de modelos americanos mais avançados, como o Mythos 5, na busca por falhas de segurança.

Em outras atividades, o modelo fica atrás das IAs do ChatGPT e do Claude, ainda segundo o jornal.

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A análise é voltada à solução da Z.ai, antes conhecida como Zhipu AI. Assim como a DeepSeek, a empresa oferece uma série de IAs abertas, incluindo o GLM-5.2 revelado em junho.

Voltado para tarefas prolongadas, o modelo possui uma janela de contexto de 1 milhão de tokens. Em testes de benchmark, o GLM-5.2 apresentou desempenho próximo a grandes nomes do mercado, como o Opus 4.8, GPT-5.5 e Gemini 3.1 Pro.

O movimento também reforça uma tendência: a diferença de desempenho entre os principais modelos americanos e chineses diminuiu nos últimos meses, o que amplia a concorrência em segmentos considerados estratégicos, como programação e cibersegurança.

No páreo

A Z.ai não está sozinha nessa. Na tentativa de desenvolver um rival para o Mythos, a empresa de segurança chinesa 360 revelou o “Tulongfeng” para descobrir automaticamente brechas de segurança e o “Yitianzhen” para automatizar a resposta a incidentes, de acordo com a Reuters.

Fora da China, a japonesa Sakana AI apresentou o Fugu e o Fugu Ultra. As soluções funcionam como um sistema multiagente apresentado ao usuário como um único modelo: a partir de uma única API, a IA decide se responde diretamente ou coordena outros modelos em tarefas complexas.

“[O] Fugu Ultra está à altura de modelos líderes, como o Fable 5 e o Mythos Preview, nos critérios de engenharia, ciência e raciocínio mais rigorosos do setor. Ele oferece capacidade de ponta sem os riscos associados a controles de exportação”, afirmou a companhia.

Suspensão do Mythos e Fable

A corrida por alternativas ao Mythos já vinha ganhando força desde a sua estreia, em abril. Além da Z.ai, 360 e Sakana, lançamentos como o DeepSeek V4 Preview e o Kimi K2.7 Code, voltados principalmente para raciocínio, programação e agentes de IA, chamaram a atenção recentemente.

O movimento se intensificou, porém, após a suspensão do Mythos e do Fable, determinada por uma diretriz de controle de exportação dos EUA.

Além da Anthropic, a OpenAI também disponibilizou o GPT-5.6 a um grupo restrito de companhias. A expectativa é que o acesso seja ampliado ao longo das próximas semanas.

Ao Canaltech, especialistas afirmaram que o caso acende um alerta sobre o risco de dependência de modelos estrangeiros. O episódio também levou líderes de outros países a questionarem a medida adotada pelos EUA e defenderem o fortalecimento de alternativas locais.

Nos últimos dias, o Mythos voltou a ser disponibilizado para organizações selecionadas e funcionários da Anthropic, incluindo estrangeiros autorizados. O Fable 5, por outro lado, continua indisponível.

Leia a matéria no Canaltech.