A corrida pela inteligência artificial (IA) já está encarecendo componentes importantes para smartphones e outros eletrônicos, e o cenário pode durar anos. Segundo o CEO da SK Hynix, Kwak Noh-jung, a escassez de chips de memória provocada pela demanda de sistemas de IA deve continuar até o fim de 2030.
Nos últimos meses, fabricantes passaram a lidar com custos maiores de memória RAM e armazenamento, enquanto empresas de tecnologia voltadas para IA disputam uma parcela cada vez maior da produção de semicondutores.
Demanda por IA pressiona mercado de memórias
O executivo afirmou que não existem sinais claros de que o mercado de memórias esteja prestes a entrar em um ciclo de queda. Por isso, a companhia espera que a atual situação de oferta limitada continue até dezembro de 2030.
O principal fator por trás desse cenário é o crescimento dos sistemas de inteligência artificial generativa, que dependem de grandes quantidades de memória para funcionar.
Essa disputa pode reduzir a disponibilidade de componentes para produtos convencionais, como smartphones, tablets e computadores, aumentando os custos de fabricação.
Celulares já começaram a sentir o impacto
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Os efeitos desse cenário já chegaram aos consumidores. Os celulares da Xiaomi vão ficar mais caros a partir de setembro, segundo a própria empresa, justamente por fatores como o aumento no custo das memórias e de outros componentes.
Alguns modelos terão aumentos de cerca de R$ 500, enquanto determinadas configurações poderão ficar aproximadamente 25% mais caras. Entre os aparelhos afetados estão modelos das linhas Xiaomi e POCO.
O CEO da Apple também já havia alertado, em junho, que o aumento dos custos de memória e armazenamento tornaria inevitáveis novos reajustes em seus produtos. A pressão da demanda por IA sobre a cadeia de semicondutores foi apontada como uma das causas.
HBM pode evitar uma queda brusca na demanda
Apesar da previsão de escassez prolongada, o CEO da SK Hynix acredita que o mercado de HBM poderá se comportar de maneira diferente dos ciclos anteriores. A HBM é uma memória de alta velocidade usada principalmente em chips para inteligência artificial, como os aceleradores instalados em grandes data centers.
Segundo Kwak, esses componentes estão deixando de ser produtos totalmente padronizados. Em vez de simplesmente fabricar grandes quantidades de uma mesma memória e esperar pela demanda, as fabricantes de HBM trabalham cada vez mais próximas das empresas que desenvolvem os chips de IA.
Essa relação mais próxima pode reduzir o risco de excesso de estoque quando o mercado desacelerar. Por isso, mesmo que a indústria entre em um novo ciclo de baixa depois de 2030, o executivo não espera que a demanda por HBM despenque como poderia acontecer com memórias convencionais.
Então o avanço da inteligência artificial pode ter um efeito indireto no mercado de smartphones: enquanto novos recursos de IA chegam aos aparelhos, a própria tecnologia também pode contribuir para deixá-los mais caros. Mas quer saber quanto o preço de um celular cai após 6 meses? Veja dados reais.
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