
Se você interage na internet ou só lê comentários em redes sociais e fóruns, já deve estar bem ciente de que o ambiente virtual é cheio de trolls. Esses usuários altamente tóxicos e que compartilham informações falsas estão por todo lugar, rendendo boa parte da rede mundial de computadores um campo minado.
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Um estudo da Universidade de Stanford, no entanto, publicado na revista científica PNAS Nexus, revelou que o cenário digital não é tão cheio de trolls como se imagina: a questão é que os poucos usuários mal-intencionados são extremamente vocais, frequentemente usando várias contas falsas para espalhar o lixo, dando a impressão de que seu número é muito maior.
Quantos trolls existem nas redes?
Na pesquisa, que reuniu três grandes estudos feitos entre 2023 e 2024 nos Estados Unidos, com centenas de pessoas, foi avaliada a percepção dos internautas sobre a toxicidade da internet. Os respondentes disseram acreditar que 43% de todos os usuários da rede social Reddit postavam comentários severamente tóxicos, e que 47% dos usuários de Facebook publicavam notícias falsas.
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Em levantamentos nas plataformas em questão, no entanto, descobriu-se que a maior parte do conteúdo malicioso é produzida por um grupo muito pequeno de usuários, porém extremamente ativo: o número deles fica entre apenas 3 e 7%.
Isso, segundo os cientistas, acaba gerando uma percepção distorcida do que se vê de verdade nas redes sociais, fazendo os internautas acreditarem em um “declínio moral” da sociedade e ter emoções negativas sobre isso.
Indo mais a fundo nos números, cerca de 3,1% dos usuários do Reddit postaram 33% de todos os comentários tóxicos da rede, enquanto, no Facebook, somente 8,5% foram responsáveis pelas fake news de todo o site. Apenas 0,5% ainda propagou as notícias falsas publicadas na rede social da Meta.
De acordo com os pesquisadores, os efeitos negativos desse fenômeno podem ser mitigados com intervenções educacionais direcionadas, corrigindo a má percepção de que a maior parte da internet é tóxica e mentirosa. O estudo buscou, acima de tudo, mostrar o mecanismo que explica como as percepções e interações dos usuários nas redes podem degradar a coesão social.
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