Justiça toma decisão sobre compartilhamento de senha da Netflix no Brasil

A Justiça brasileira decidiu que a Netflix pode cobrar um valor extra de usuários que compartilham a senha com pessoas fora da mesma residência. A decisão foi tomada pela 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), em maio de 2026, e considera legal a política do “assinante extra”, que já está disponível no Brasil para todos os assinantes da plataforma.

A Netflix permite que o titular da conta adicione pessoas que não moram no mesmo endereço mediante uma taxa de R$ 12,90 por mês para cada membro extra. Segundo o tribunal, a cobrança não é abusiva porque apenas reforça as regras previstas no contrato, mantendo o acesso normal do assinante principal em diferentes dispositivos e locais.

O julgamento ocorreu após uma ação movida pelo Instituto Defesa Coletiva, que acusava a empresa de publicidade enganosa e prática abusiva, alegando que expressões como “assista onde quiser” poderiam induzir o consumidor ao erro.

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No entanto, a relatora do caso, desembargadora Maria Lúcia Cabral Caruso, entendeu que a medida está amparada pelos princípios da liberdade contratual e da autonomia privada, além de evitar o chamado “enriquecimento sem causa” de terceiros que utilizariam o serviço sem pagar.

Após a decisão, o Instituto Defesa Coletiva entrou com recurso para tentar reverter o entendimento do TJ-MG. Além de rejeitar a acusação de publicidade enganosa, a Justiça negou o pedido de indenização por danos morais coletivos solicitado pela entidade. O Instituto ainda alegava que a cobrança representaria uma “mudança unilateral no contrato”, tese que não foi acolhida pelo tribunal.

A ação discutia principalmente o limite de uso por endereço, mas o TJ-MG avaliou que o termo “residência Netflix” não viola direitos do consumidor. Para os desembargadores, trata-se apenas de um conceito técnico usado pela plataforma para identificar os dispositivos do núcleo principal da conta.

Logo da Netflix
Justiça determina que cobrança por compartilhamento de senhas da Netflix não fere o direito do consumidor. (Imagem: Dima Solomin/Unsplash)

Netflix não é a única a barrar o compartilhamento de senhas

A restrição ao compartilhamento de contas já foi adotada por outras gigantes do streaming no Brasil. O Disney+ começou a apertar o controle em 12 de novembro de 2024, ao alertar os usuários sobre o limite de uso da conta em diferentes residências e ampliar o monitoramento de dispositivos vinculados ao assinante.

Mais recentemente, em abril de 2026, foi a vez da HBO Max iniciar oficialmente o bloqueio de senhas compartilhadas no mercado latino-americano. A plataforma começou a cobrar R$ 14,90 por mês para cada membro extra fora do domicílio do titular, com perfil e senha individuais com os mesmos benefícios do plano contratado.

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