
Uma nova investigação aponta que a Meta firmou uma parceria com uma empresa liderada por ex-agentes da CIA e do FBI para criar recursos de reconhecimento facial em seus óculos inteligentes. As informações foram reveladas em uma reportagem publicada pelo site Wired.
- Vale a pena comprar o Ray-Ban Meta no Brasil? Veja a opinião de quem já comprou
- Óculos inteligente: saiba o que é que dá para fazer com eles
A companhia em questão é a Rank One Computing (ROC), que teve seu software identificado no código do aplicativo Meta AI. Esse app funciona como a base digital por trás dos óculos inteligentes desenvolvidos pela empresa em parceria com marcas como Ray-Ban e Oakley.
A licença adquirida pela Meta junto à ROC autoriza o uso de seu sistema de reconhecimento facial, assim como de seu mecanismo de detecção de vivacidade, capaz de verificar se a imagem capturada corresponde a uma pessoa real ou a uma fotografia.
-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-
A ferramenta, batizada internamente de NameTag, também possibilita o armazenamento de até 10 milhões de moldes faciais no sistema.
Empresa tem contratos com o Pentágono
A reportagem da Wired também indica que a ROC obtém cerca de 80% de sua receita por meio de contratos governamentais firmados com o Pentágono, forças policiais e agências de inteligência dos Estados Unidos. Além disso, a liderança da companhia reflete essa conexão com os órgãos de segurança norte-americanos.
A empresa com a qual a Meta firmou o acordo tem entre os membros de seu conselho Dawn Meyerriecks, ex-vice-diretora de Ciência e Tecnologia da CIA. Já o atual CEO da ROC, B. Scott Swann, trabalhou por mais de 18 anos no FBI operando bancos de dados biométricos.
Diante dessas informações, a parceria estabelecida pela empresa de Mark Zuckerberg pode representar uma aproximação entre ferramentas tradicionalmente usadas em monitoramento governamental e produtos de uso cotidiano, como os óculos inteligentes.
Meta remove código ligado ao sistema da ROC
As informações dão conta de que o sistema de reconhecimento facial da ROC vinculado aos óculos inteligentes da Meta não foi ativado para os usuários. A big tech apagou os rastros do código em 5 de junho de 2026, um dia após a revelação da existência do mecanismo no Meta AI.
Em resposta à divulgação dos detalhes da parceria com a ROC, Andy Stone, vice-presidente de Comunicação da Meta, afirmou que a empresa está explorando esse tipo de recurso, mas reforçou que nenhum deles foi lançado para os usuários finais.
“Nada foi lançado para os consumidores e nenhuma decisão final foi tomada sobre o que faremos nesse caso, se é que faremos algo. Se decidirmos lançar algum desses recursos, adotaremos uma abordagem cuidadosa e faremos isso com total transparência”, informou em uma publicação no X (antigo Twitter).
Ainda assim, a possibilidade de integração desse software aos óculos inteligentes reacende o debate sobre privacidade à medida que dispositivos cada vez mais conectados se popularizam.
Enquanto isso, especialistas em modificações de hardware prometem fazer com que óculos da Meta vire "câmera de espionagem" por R$ 250.
Leia a matéria no Canaltech.