
A partir de 2016, o gênero hero shooter começou a se popularizar com a ascensão de títulos como Battleborn, Paragon e Overwatch. Esse estilo de jogo multiplayer PvP, normalmente baseado em times, acabou passando por grandes revoluções, movimentos de saturação e um renascimento em 2026.
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Porém, como todo gênero do setor multiplayer, os hero shooters têm se desgastado com o tempo. Não à toa, temos alguns poucos jogos do tipo que ainda reinam atualmente. Novas ideias e jogos mais bombásticos, como Marvel Rivals, acabaram por ganhar certo destaque, em especial quando a Blizzard tropeça em Overwatch.
Apesar de toda essa saturação, o subgênero possui uma complexidade muito maior e um núcleo bem diferente de outros subgêneros baseados em equipes dentro dos shooters.
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No fim das contas, o que de fato é um jogo hero shooter? Como esse subgênero evoluiu e se destaca de outros estilos multiplayer, como MOBA e battle royale? Pensando nessas perguntas, o Canaltech apresenta o gênero de Overwatch, Valorant e o defunto Highguard.
O que é um jogo hero shooter?
O hero shooter é um subgênero do amplo estilo dos shooters, com foco em PvP e baseado em equipes multiplayer. Diferentemente de jogos de tiro táticos ou de classes, títulos como Overwatch priorizam os personagens jogáveis, que são o centro da experiência.
O estilo normalmente oferece um leque variado de heróis, cada um com suas habilidades, forma de jogar, classe e ritmo. Os hero shooters podem assumir uma perspectiva em primeira ou terceira pessoa e, normalmente, oferecem objetivos macro durante as partidas, seja capturar uma bandeira ou plantar bombas.
Normalmente, o subgênero exige dos jogadores sinergia e trabalho em equipe, em que cada personagem deve desempenhar um papel para que o time funcione bem. Essas engrenagens compõem um importante elemento de estratégia nos hero shooters, o que os difere de jogos multiplayer mais crus, como o próprio Call of Duty, por exemplo.
Essa complexidade permite aos jogadores explorarem várias estratégias e personagens, além de criar metagames. Embora seja vista como algo positivo, essa característica também significa que há uma barreira maior de entrada para jogadores iniciantes, em especial aqueles que não possuem um time predefinido.
Os hero shooters viraram de cabeça para baixo aqueles jogos com sistemas de classe, como é o caso de Battlefield 1942. Os personagens não se resumem apenas às suas habilidades exclusivas; cada um tem personalidades diferentes que são impressas nas arenas e com as próprias skills.
Personagens são a alma dos hero shooters
Os personagens em hero shooters precisam ser o principal chamariz para os jogadores, o que exige uma equipe de desenvolvedores talentosa para criar bonecos cativantes, carismáticos e vivos. Concord é um bom exemplo de fracasso ao tornar seus heróis pouco atraentes ao público geral e, por consequência, falhar miseravelmente.
Não à toa, o subgênero ficou marcado por trailers e cinemáticas em que os personagens assumem papéis de protagonismo e agem como a cara da marca. A Blizzard sempre fez isso muito bem com suas IPs, a partir de animações dignas de curtas de cinema.
Essa personificação é importante para engajar os jogadores e fazer com que se interessem cada vez mais pelo universo do jogo, para, consequentemente, gastarem horas de gameplay no processo.
As animações também permitem que as desenvolvedoras se aprofundem ainda mais no background dos heróis e na história do mundo, tornando-os cada vez mais protagonistas dos hero shooters. Claro que a estabilidade dos servidores é importante, assim como balanceamento, controles e movimentação. No entanto, nada disso funcionará para um hero shooter se ele não tiver personagens que realmente se destaquem no meio da avalanche de jogos como serviço.
Como o hero shooter surgiu?
Não se sabe ao certo o momento exato em que os jogos hero shooter realmente surgiram, mas há certas bases que não podemos descartar. Faça chuva ou faça sol, a Valve conseguiu ser inovadora em qualquer gênero em que decidisse entrar de cabeça. Foi assim com Half-Life no gênero FPS para PCs, Portal e sua mistura de puzzles engenhosos e narrativa, além de Counter-Strike e a evolução dos eSports.
Se listarmos todos os pontos que levantamos sobre os pilares dos hero shooters, um jogo da dona do Steam vem rapidamente à cabeça quando falamos na origem do subgênero: Team Fortress 2. Lançado em 2007, TF2 foi um dos títulos mais importantes do cenário multiplayer da época ao introduzir um PvP baseado em equipes, em que os jogadores podiam escolher classes para se enfrentarem e completar objetivos.
A franquia da Valve não se destacou apenas por sua gameplay viciante ou por trazer um tom mais cômico à mesa. A empresa também investiu em uma série de cinemáticas que davam profundidade àquele universo e realçavam os personagens do jogo. O Meet the Team consistia em animações que faziam justamente esse trabalho de engajar a comunidade.
As equipes por trás de Paragon, Battleborn e Overwatch, todos hero shooters à sua maneira, destacaram Team Fortress 2 como uma das maiores inspirações para criar seus respectivos jogos. Apesar de todas as semelhanças, o multiplayer da Valve ainda não era exatamente o que a gente conhece hoje em dia como um hero shooter. É aí que entram os MOBAs.
Apesar de todo o meme em torno de jogos como League of Legends, a explosão do gênero MOBA ajudou ainda mais na criação dos hero shooters mais famosos, bem como no cenário de eSports. O estilo incorpora uma vasta seleção de personagens com objetivos que vão muito além de eliminar o outro time. Estratégia e trabalho em equipe são dois pilares dos MOBAs, que normalmente assumem uma perspectiva isométrica e também incluem elementos PvE.
O início dos anos 2010 foi de extrema importância tanto para os hero shooters como para os MOBAs. League of Legends e DOTA 2 explodiram em popularidade na época, o que permitiu uma ascensão dos jogos competitivos como um todo. Eles foram responsáveis por profissionalizar atletas e foram essenciais para a solidificação dos eSports, junto a outros títulos como Counter-Strike. Fizeram tudo isso com um elenco de personagens carismáticos e ricos em histórias que conquistaram os fãs (e até renderam adaptações como Arcane), além de suas poderosas cinemáticas e eventos globais.
E se uníssemos shooter e MOBA?
Um dos motivos pelos quais a indústria dos games é fantástica é a forma como os artistas por trás dos jogos unem elementos de diversos gêneros para criar algo totalmente novo.
Foi o que a Gearbox Software fez com Battleborn, jogo que misturava shooter e MOBA, com progressão e PvE parecidos com o que encontramos em League of Legends, por exemplo. Ao misturar as ideias dos dois gêneros, a desenvolvedora desempenhou um papel muito importante na popularização do hero shooter.
No mesmo ano, em 2016, a Blizzard acabou capturando a essência do MOBA e a uniu ao gênero de shooter com Overwatch. No entanto, a produtora optou por focar ainda mais em seu elenco icônico de personagens em detrimento das mecânicas de MOBA, rendendo ao título nada menos que a categoria máxima de Jogo do Ano no The Game Awards 2016.
Paragon, encerrado pela Epic Games em 2018, também fez parte dessa leva inicial de hero shooters. Em entrevista ao GamaSutra (atual GameDeveloper), o diretor criativo do jogo, Steve Superville, explicou a relação entre os dois gêneros. “Queríamos pegar todas as coisas que são ótimas nos MOBAs: os diferentes heróis, as diferentes habilidades que você tem, o trabalho em equipe e a estratégia que vem junto com um mapa grande, em que não é apenas correr e matar algo como o único mecanismo para o sucesso. E combinar isso com o que amamos fazer, que é criar ação.”
Diferenças de hero shooters para outros gêneros
É muito fácil saber se um jogo é ou não um hero shooter só de bater o olho. Porém, com a diversidade de gêneros de games nos dias de hoje, ainda mais se levarmos em conta jogos multiplayer, é fácil confundir um estilo com outro. É sempre bom lembrar que não existe regra escrita em pedra: todos os jogos podem reunir ideias e mecânicas de diferentes gêneros e englobar tudo isso na gameplay.
Para evitar confusões, separamos alguns subgêneros que podem causar certas dúvidas na hora de definir o que é e o que não é um hero shooter.
O primeiro deles é o shooter baseado em classes, como Battlefield 1942 e Team Fortress 2. A principal diferença entre esse estilo e os hero shooters é o enfoque nos personagens. Em jogos como Overwatch, o sistema de classes fica em segundo plano para dar preferência aos heróis, suas habilidades, história e formas diferentes de jogar.
Os shooters táticos, muito bem representados por Counter-Strike, têm um enfoque muito maior em mira e reflexo, ou seja, na gunplay. Hero shooters prezam muito mais pela sinergia da equipe e estratégia ao usar habilidades, em especial quando colocamos os objetivos em xeque. Como dito anteriormente, nada está escrito em pedra. Um excelente exemplo que une shooter tático e hero shooter é Valorant, da Riot Games (coincidentemente uma das pioneiras modernas do gênero MOBA).
Outro estilo de jogo que apareceu bastante nos últimos anos foram os battle royales, popularizados principalmente por PUBG e, logo depois, Fortnite. A diferença entre hero shooter e battle royale é brutal. O foco do gênero é a eliminação até restar um jogador ou uma equipe, enquanto shooters de heróis acontecem em batalhas de arena nas quais o conflito acontece entre duas equipes. Assim como os shooters táticos, também há um representante que une hero shooter e battle royale: Apex Legends.
Hero shooter: o auge e a saturação
Apesar do aparente retorno sólido de Overwatch em 2026, o gênero hero shooter passou por poucas e boas em sua primeira década de popularização. Apesar de gerar bastante barulho em 2016, poucos jogos acabaram conseguindo se infiltrar no estilo com êxito e se manterem relevantes até os dias de hoje.
Concord e Highguard são os dois exemplos mais recentes de fracassos retumbantes no cenário de hero shooters. Apesar de propostas muito diferentes, com o primeiro prometendo uma experiência mais raiz, enquanto o segundo tentou emplacar a novidade de "raid shooter", ambos não priorizaram os personagens como experiência central na gameplay.
Não estamos falando apenas de habilidades aqui, mas de carisma, estilo único e histórias que convençam os jogadores a conhecê-los melhor. Concord até tentou fazer uso de cinemáticas em um estilo parecido com Guardiões da Galáxia, enquanto Highguard não apresentou material extra para introduzir e engajar seu elenco.
Embora Highguard tenha sido duramente criticado e até ridicularizado, a Wildlight Entertainment genuinamente tentou entregar algo diferente, que acabou não vingando com toda aquela coisa de raid shooter por etapas. Porém, foi dessa forma que o hero shooter nasceu e cresceu: com o teste de ideias e a mistura de diferentes gêneros.
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