
A aquisição da startup de inteligência artificial (IA) Manus pela Meta, avaliada em cerca de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,7 bilhões), entrou na mira das autoridades de Pequim. De acordo com informações do jornal Financial Times nesta quarta-feira (7), o governo chinês iniciou uma revisão para determinar se o negócio viola regras de segurança nacional ou de controle de exportação de tecnologia.
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O Ministério do Comércio da China avalia se a transferência da tecnologia e dos funcionários da Manus para Singapura, e também a venda para a empresa de Mark Zuckerberg, exigiria uma licença de exportação conforme legislação local.
A Manus transferiu sua sede para Singapura recentemente, mas, suas origens são na China. A tecnologia por trás da plataforma foi desenvolvida, em parte, por uma empresa "irmã" registrada em Pequim, e seus fundadores são chineses.
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Essa conexão levanta preocupações sobre a soberania dos dados e a propriedade intelectual de uma IA considerada promissora.
A plataforma de IA ganhou visibilidade no início de 2025 ao lançar o que afirma ser o “primeiro agente de IA geral do mundo”. Diferente de chatbots tradicionais como o ChatGPT, que respondem a perguntas baseados em texto, a tecnologia da Manus é “agêntica”.
A IA é capaz de executar tarefas complexas com autonomia e pouca supervisão humana, como filtrar currículos, criar roteiros de viagem detalhados, reservar voos e analisar ações no mercado financeiro a partir de instruções básicas.
Tensão geopolítica
A transação ocorre em um momento delicado entre empresas e governos chineses e estadunidenses. Nos últimos anos, Pequim tem pressionado companhias locais a desenvolverem tecnologias proprietárias para reduzir a dependência de softwares e hardwares dos Estados Unidos.
E o mesmo ocorre nos EUA, que, após Donald Trump assumir a presidência em janeiro do ano passado, têm investido para se manter no topo na corrida da IA e depender menos da manufatura e tecnologia asiáticas.
A compra da Manus pela Meta representa uma rara aquisição de uma empresa de tecnologia com raízes chinesas por uma Big Tech americana.
De acordo com fontes ouvidas pelo Financial Times, a análise regulatória ainda está em estágio preliminar. Isso significa que, por enquanto, não há uma investigação formal aberta.
Até o momento, nem a Meta e nem a Manus responderam aos pedidos de comentário sobre a investigação.
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