
A promessa de usar a internet via satélite diretamente no celular, sem antena, já começou a sair do papel em países como Estados Unidos e Chile. Por enquanto o serviço é gratuito e está sendo implementado sem custos adicionais em planos já existentes, mas será que isso tende a mudar no futuro?
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A resposta, por enquanto, é surpreendente: não necessariamente.
Como funciona o Starlink direto no celular?
A tecnologia chamada Direct to Cell permite que smartphones comuns se conectem diretamente aos satélites da Starlink, funcionando como uma “torre de celular no espaço”.
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Na prática, o serviço não substitui a rede tradicional. Ele entra em ação apenas quando não há sinal terrestre, funcionando como um backup para mensagens e alguns aplicativos.
Isso já explica parte da estratégia de preço: como é um complemento e não o serviço principal, ele tende a ser incorporado aos planos existentes.
EUA: quanto custa usar Starlink no celular?
Nos Estados Unidos, a parceria entre T-Mobile e Starlink já tem valores definidos:
- Planos premium: incluem o serviço sem custo adicional;
- Outros planos: cerca de US$ 10 por mês como adicional.
Para muitos usuários, o recurso já está incluso, especialmente nos planos mais caros. Para quem paga menos, o valor extra é relativamente baixo. Isso mostra uma tendência clara: primeiro, popularizar o uso; depois, encontrar formas de monetização.
Os planos da T-Mobile custam de US$ 50 a US$ 100 mensais, podendo passar o valor mais alto dependendo da quantidade de linhas contratadas. Convertendo para reais brasileiros, seria algo em torno de R$ 250 a R$ 500 – mas essa seria uma comparação incabível, já que esses preços são pensados exclusivamente para o mercado americano e não refletem nos valores praticados no Brasil.
Chile: incluso no plano (por enquanto)
No Chile, a operadora Entel adotou uma estratégia ainda mais agressiva: o serviço está incluído gratuitamente em planos compatíveis (até o fim de 2026), mas com limitações, como cerca de 200 SMS via satélite por mês.
Na prática, isso significa que o usuário não paga nada a mais para usar a conectividade via satélite, pelo menos nesse momento inicial. A ideia, segundo o próprio posicionamento das operadoras, é incentivar o uso da tecnologia e avaliar como os clientes realmente utilizam o recurso.
Atualmente, os planos da Entel variam de CLP$ 3.990 a CLP$ 14.220 mensais, ou de R$ 22 a R$ 79, na conversão. Mais uma vez, é válido reforçar que o valor está atrelado à conversão do câmbio, não refletindo em nada nos preços praticados no Brasil.
Os planos são mais caros?
Hoje, olhando para os dois mercados mais avançados, não há aumento direto no preço base dos planos. O serviço aparece como benefício incluso (planos premium) ou adicional barato (cerca de US$ 10). Ainda não é um diferencial premium, apenas um recurso em fase de adoção.
Existem três motivos principais para a internet via satélite não ter encarecido os planos (ainda):
1. Fase de testes e adoção: operadoras querem que o público se acostume com a tecnologia antes de cobrar caro.
2. Uso limitado: hoje, o serviço ainda é restrito a mensagens e poucos apps. Não substitui internet móvel completa.
3. Diferencial competitivo: incluir Starlink no plano ajuda a atrair clientes sem aumentar muito o custo percebido.
No Brasil, o cenário ainda está em desenvolvimento. A Starlink já opera com internet via antena, mas o Direct to Cell depende de acordos com operadoras locais, além da compatibilidade com os próprios celulares. A tendência, seguindo EUA e Chile, é que o recurso chegue primeiro como benefício incluso, depois passe a ser cobrado como opcional e só no longo prazo vire um diferencial pago mais caro.
Se isso vai mudar no futuro? Muito provavelmente. Mas, por enquanto, a conectividade “sem antena” é mais um bônus do que um custo adicional.
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