
O anúncio do novo Star Fox foi um sopro de alívio que a franquia tanto precisava, que propõe a renovação de um dos seus títulos clássicos de Nintendo 64. Com o retorno de Fox McCloud aos games (e aos cinemas), muitos fãs estão felizes e esperançosos.
No entanto, o lançamento também escancara o “descaso” da Nintendo em relação à obra. Estávamos literalmente há 10 anos sem novos projetos relacionados aos heróis, inclusive a única participação que tiveram foi em Super Smash Bros. Ultimate (2019).
Afinal de contas, por que a série Star Fox permanece viva, mas parada por tanto tempo? Nós do Canaltech vamos te contar os altos e baixos que eles passaram para chegar até aqui — com alguns destes pontos negativos que impactam diretamente neste hiato. Confira abaixo:
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O início de Star Fox
É importante levar em conta que a série sempre foi diferente das demais, inclusive em sua forma técnica. O primeiro título, lançado em 1993, tinha de usar um chip chamado Super FX para extrair o potencial dos gráficos 3D que eram prometidos.
Porém, a partir daí a ladeira passou a ser instável. Ele fez um sucesso considerável e a equipe logo passou a investir na sequência. Ela usaria o chip Super FX 2, que poderia oferecer um salto maior visto no seu antecessor e trazer a experiência “mais bonita” do SNES.
Contudo, mesmo com 95% do desenvolvimento concluído, a Nintendo decidiu cancelar o projeto em 1995. A razão disso é que, mesmo como um grande diferencial da plataforma, ele não atingiria o patamar gráfico do PS1 e do SEGA Saturn. A partir disso, o título foi engavetado para focar no N64.
Quando Star Fox 64 (1997) chegou, alavancou a franquia definitivamente. Como o “molde ideal”, ele estabeleceu elementos e padrões que seriam seguidos pelos demais games da série dali em diante. Ele foi perfeito em quase tudo que se propôs, inclusive é um dos rail shooters mais aclamados de toda uma geração.
Na trama, Fox e seus companheiros tinham de impedir os avanços de Andross no sistema Lylat. Com uma comunicação constante, movimentos certeiros e uma estrutura muito sólida, ele conquistou o público por sua dinamicidade e pelo status “cool”.
Não eram estereótipos espaciais, eram animais que se vestiam de forma descolada, atiravam nos inimigos com trajes e naves cheios de estilo e não tinha papas na língua para tirar sarro ou mostrar falhas de caráter. Como não se apaixonar por isso, afinal de contas?
A indecisão foi sua ruína
O maior problema da franquia é que a Nintendo nunca conseguiu tomar uma decisão para o caminho que seguiriam. Não era o suficiente ser apenas um rail shooter, tinham que avançar para outros gêneros e temáticas para cativar o grande público.
Porém, apelar para este caminho foi um grande erro. Star Fox Adventures (2002), por exemplo, está muito mais perto de ação/aventura e dos beat ‘em up do que de suas origens. A Big N tentou misturar as coisas em Star Fox: Assault (2005), com trechos na nave e outros em solo. Porém, isso continuou a desagradar os fãs.
A verdade é que nada se comparava a Star Fox 64 e o sentimento de “Star Wars” que ele trazia. Vale a menção de experiências como Star Fox Command (2006) — o primeiro a contar com multiplayer online — e Star Fox 64 3D (2011), remake do maior sucesso da saga que se destacava por explorar a tela tridimensional do portátil.
Ou seja, a Nintendo estava perdida com a obra. Era compreensível que eles não queriam “mais do mesmo”, mas se arriscar tanto não foi uma escolha inteligente. Na época, nem mesmo o público sabia definir se os jogos eram shooters arcade, aventura espacial, experimento de controle ou vitrine tecnológica.
A bomba comercial
Por fim, no Nintendo Wii U, a companhia lançou Star Fox Zero (2016). Sua proposta era usar o gamepad do console para trazer duas perspectivas — uma na mão e outra na sua TV ou monitor —, o que gerou ainda mais confusão para os fãs.
É importante lembrar que o console de mesa não foi o mais popular: para fins de comparação, o Switch 2 precisou de menos de um ano para superar a base instalada de cinco anos do finado Wii U. Na prática, a saga voltar numa plataforma “pequena”, isso não ser feito da forma correta e como “mais uma” vitrine tecnológica minou ainda mais a relação com os jogadores.
A situação também não foi tão boa pela chegada de Star Fox Guard (2016), um spin-off lançado em conjunto com Zero para apresentar mecânicas de tower defense. Ele só estava disponível para quem comprasse a primeira remessa física ou via eShop.
Mesmo robusto, com mais de 100 missões e uma IA esperta o bastante para trazer desafios, não foi o suficiente para agradar os fãs. Muitos clamaram que “não tinha nada a ver” com a saga, o que ajudou a afundar Fox McCloud no console de vez.
Vale lembrar que, em 2017, a Big N “tomou vergonha na cara” e lançou Star Fox 2 (lembra dele?). Porém, estaria disponível apenas para quem comprasse o SNES Classic Mini — edição comemorativa do antigo console. Ele só abriu caminho para os fãs no geral em 2019, com sua chegada ao Nintendo Switch Online.
A nova chance para Star Fox
Mesmo como um segundo remake do clássico de Nintendo 64, Star Fox no Switch 2 terá uma oportunidade inédita de brilhar e seguir os passos certos. Não apenas para definir “o que é” um jogo da saga, mas também para reconquistar os fãs perdidos.
Ele é vendido como nostalgia, mas na verdade é justamente o que a franquia precisava: um recomeço. Com novas cenas para mais imersão, sem inventar moda que se interponha à experiência e com gráficos competentes para levar os heróis para um futuro novo.
Ao lado de sua participação em Super Mario Galaxy - O Filme, tudo se encaminha para um rumo brilhante que Star Fox tem à sua frente. A direção está certa, só precisam manter o curso. Depois disso, quem sabe a Nintendo não tira o pó das naves de F-Zero e traz o Capitão Falcon de volta do exílio?
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