
Quem já foi ao Lollapalooza sabe que existe um momento do dia em que as filas nos bares crescem de repente, os vendedores ficam rodeados de gente e parece que todo mundo decidiu parar ao mesmo tempo para comer e beber. Esse fenômeno tem hora certa, e os dados do festival confirmam.
No Lollapalooza Brasil 2025 o pico ocorreu às 20h, quando cerca de 60 mil transações foram registradas em uma única hora, o momento de maior movimento dos três dias de festival.
Em entrevista exclusiva ao Canaltech, a gerente de produtos Andreia Forte, da Cielo, empresa responsável pelo processamento de pagamentos no Lolla, contou mais sobre o alto volume de transações em horários específicos e como é a infraestrutura para suportar a operação.
-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-
O pré-show como ritual coletivo
A explicação é direta: o público não consome de forma distribuída ao longo do dia. Ele se abastece antes dos shows principais.
"Costuma ser ali em volta das 4 horas da tarde até 8, 9 horas da noite, a depender do line-up, a gente tem um pico muito grande", afirma Andreia Forte. Ela ressalta que o horário exato do pico varia conforme a programação de cada noite.
E esse horário não é coincidência, já que antecede a atração principal do palco Samsung Galaxy começa por volta das 20h30, e fica entre a penúltima e última atração do palco principal, o Budweiser, que são às 19h05 e 21h30, respectivamente.
No total, o festival registrou 429 mil transações em três dias na edição do ano passado, com volume praticamente igual entre eles, cerca de 33% por dia. A constância diária indica que o padrão de consumo concentrado no fim de tarde se repete com regularidade a cada noite.
Mais de uma compra por pessoa
O número de transações diárias superou o total de pessoas no evento, indicando que a maioria fez mais de uma compra ao longo do dia. Mas esse consumo não é contínuo: ele ocorre em ondas, puxadas pelo ritmo dos shows.
Sem o sistema de pulseira cashless, que, por direcionamento da organização do Lollapalooza foi retirado da edição deste ano, o comportamento de compra se torna ainda mais imediato. Cada transação acontece no momento exato em que o produto é desejado. "Comumente ele faz a compra e já pega o lanche, a bebida", descreve Forte.
E o imediatismo reflete também os métodos de pagamento mais usados no evento. Em 2025, o cartão de crédito respondeu por 62% das compras no festival, com o restante dividido principalmente no débito. Já as compras no Pix ou em dinheiro exigiam a recarga de um cartão pré-pago.
O resultado é um comportamento coletivo sincronizado: dezenas de milhares de pessoas tomam as mesmas decisões quase ao mesmo tempo, criando os picos de movimento que caracterizam o festival.
O que isso muda na experiência de quem vai
Na prática, as filas nos pontos de venda seguem o mesmo calendário dos palcos. Quem decide comprar entre 16h e 20h vai encontrar o maior movimento do dia.
Antecipar as compras, ou esperar o início do headliner, é a estratégia mais eficiente para fugir do congestionamento, caso a pessoa esteja disposta a perder um pouco do show em questão.
A line-up, no fim, define também quando as milhares de pessoas no Autódromo de Interlagos vão parar para comer, beber e circular pelas ativações do festival.
Leia a matéria no Canaltech.