
Por muito tempo, a ideia de emular o PlayStation 4 parecia “precoce”, de certo modo. O console, lançado em 2013, continua ativo e recebe jogos regularmente, além de ter uma grande comunidade.
- Emulação vs. recompilação: Qual é a diferença?
- O que significam os status de compatibilidade dos emuladores
Pela dificuldade de traduzir a linguagem do PS3, a ideia era de que os fatores técnicos da geração seguinte apresentassem resistência. Porém, a maturidade do hardware e o timing ajudaram na questão e vão permitir que o público tenha acesso a softwares que antes pareciam distantes.
Para você entender em detalhes o que aconteceu, o Canaltech explica por que esse avanço demorou e quais as implicações da emulação do PS4 para os fãs da Sony e de outras produtoras.
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Emular console recente é diferente de emular console antigo
Hoje temos PCs de última geração que superam, de longe, a tecnologia vista nos consoles domésticos. No entanto, não é só esse fator que influencia na hora de trazer a emulação de videogames — na verdade, a “potência bruta” é só um dos requisitos, no plural.
O PS4 é um videogame recente, mesmo pertencente à geração passada. Atualizações constantes ainda são vistas, ausência de documentação pública sobre o seu firmware e detalhes da camada de segurança, há menos tempo de pesquisa acumulada e menos “folga” de hardware para se explorar tudo.
Se olhar para trás, o emulador ZSNES, por exemplo, surgiu em 1997 — 7 anos depois da chegada do Super Nintendo ao mercado. Porém, só teve o seu desenvolvimento concluído em 2007, em uma época na qual não existiam estes updates e sistemas operacionais complexos.
Avançamos muito em tecnologia, ainda assim exigiu muito tempo de estudo, testes de compatibilidade e mais para tirar o máximo potencial do que a versão original oferecia. E vale lembrar que muitos devs fazem isso no seu tempo livre, já que nenhum deles tem isso como trabalho principal.
PS4 não parecia estranho como o PS3
O PlayStation 3 demorou “uma eternidade” para ver um emulador pela complexidade do seu hardware e pela arquitetura única que a Sony implementou. Já o PS4 usa uma estrutura mais “familiar”, baseada em x86-64 — o que poderia ser um indício de softwares virem de forma mais veloz.
Contudo, existem diversos outros fatores que impedem uma “tradução automática” para os PCs. Ele tem seu próprio sistema operacional, API específicas, sincronização, clock de GPU, áudio e uma série de camadas de segurança que precisam ser reproduzidas com precisão.
A equipe de desenvolvimento do shadPS4, por exemplo, afirma que mesmo com um software funcional, ele está apenas em “estágio inicial”. Muitos títulos simplesmente não funcionam ou apresentam diversos problemas.
Ou seja, o processo para torná-lo completo será bem longo e pode tomar uns bons anos. Apesar de que ele exista na geração PS5, é possível que este projeto seja “concluído” ou avance consideravelmente apenas quando tivermos o PlayStation 6 no mercado.
O que realmente complica emular o PS4?
Emular o PS4 não significa tornar os games disponíveis na plataforma jogáveis no PC de forma tão simples. Significa replicar, no computador, todas as ações vistas no console da Sony com perfeição — o suficiente para que os títulos tenham um desempenho aceitável.
O software precisa fazer a emulação da placa gráfica, chamadas de sistema, replicar o firmware, ser compatível com as bibliotecas do console, ter uma veloz sincronização e necessita reproduzir comportamentos específicos que os títulos esperam da arquitetura do videogame.
Em termos mais simples, o jogo tem de iniciar e achar que está em seu “habitat”. É como se você entrasse em uma casa exatamente do mesmo tamanho que a sua, com móveis iguais e trejeitos que permitam que resida naquele espaço. Se algo se comportar estranho, você não responderia de forma natural e é isso que a emulação busca: o máximo do “natural”.
Por que emular o PS4 só começou a avançar agora?
Os emuladores não avançam em poucos meses ou com um grande salto que “muda tudo”. Exige-se tempo, acúmulo de correções, testes, engenharia reversa e diversos processos através de pessoas que trabalham, estudam e tem uma vida “fora” deste ambiente.
Podem ser pessoas tão apaixonadas quanto eu e você, mas que não tiram proveito ou lucros deste tipo de ação. Imagine que, pelo PlayStation 4 ser mais recente, a Sony ainda tentará barrar o caminho para que ele não tenha um progresso expressivo enquanto a geração ainda estiver “entre nós”.
A equipe que trabalha no ShadPS4 v0.15.0, por exemplo, afirmou que a versão mais recente traz melhorias de compatibilidade e experiência de usuário, mas recomendam que o usuário se mantenha nessa versão por algum tempo antes da chegada da versão 0.15.1 — que deve trazer mais mudanças e que pode aprimorar muito este processo.
A comunidade e a preservação
Afinal de contas, por que todos estão preocupados com o emulador do PlayStation 4? Simples, para garantir a preservação de diversos games que simplesmente podem “sumir” ao menor sinal da Sony e das demais produtoras.
Lembra-se de The Crew? Imagine se houvesse uma chance de manter Genshin Impact na plataforma, via emulação? Ou até ver P.T. liberado, para qualquer pessoa jogar a qualquer momento? É isso que realmente importa, não a possibilidade de “piratear” tudo que ele traz.
Emulação é a garantia de acesso futuro, apesar dos títulos “mortos” pelo próprio estúdio. Manter eles funcionais, independentemente se os hardwares atuais permitem rodá-lo de forma retrocompatível ou não — já que, mesmo aqueles que são, não tem uma garantia de 100% de funcionar em todos os games.
Por exemplo, sabia que o PlayStation 5 está presente em nossas vidas há muitos anos, mas não roda jogos de PS4 como Afro Samurai 2, Hitman Go e outras experiências? Se a Sony cortar em definitivo a geração anterior, eles vão se perder no tempo e ficar no passado, como vários dos que vemos de PS1, GameCube e outros consoles.
O que ainda falta para a emulação de PS4 ficar madura?
De forma bem direta e reta, falta tempo e pessoas comprometidas com o projeto. Não que os desenvolvedores de softwares como o shadPS4 e outros similares não sejam, porém não é uma equipe ampla com profissionais que estão voltados para este fim com todos os seus esforços.
Não é algo que se resolve da noite para o dia, enquanto eles trabalham em outras coisas para ter o dinheiro que permita sobreviver em sociedade. Na prática, resta fazer no tempo livre — algo muito precioso e que nem todos temos acesso no cotidiano.
Ou seja, a emulação do PlayStation 4 não será resolvida em 2026 e por mais algum tempo. No status atual, muitos games não são compatíveis, os que são costumam apresentar problemas e o time precisará resolver muitas questões para aprimorar este sistema. Não será “hoje” que você jogará Bloodborne no seu PC de forma perfeita, perdão.
Emular o PS4 segue vivo, mas a passos lentos
Termos tanto progresso na emulação do PlayStation 4 já é uma grande vitória. Por um certo período, era considerado “impossível” e ela ter saído do papel foi um passo bem largo em direção ao avanço.
Isto é muito importante, principalmente para compreender a forma como a plataforma rege os títulos ou até para fins de preservação, que vai manter alguns games vivos — ainda se os estúdios os “eliminarem” das lojas digitais ou até das bibliotecas dos usuários.
Vai demorar para vermos ele em seu esplendor, como o RPCS3, que divulgou recentemente os requisitos para rodar os principais jogos de PS3 nos PCs após tantos anos de testes. No entanto, é o nascer de uma ponta de esperança que algo assim virá mais cedo ou mais tarde ao PS4 também.
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