
A disputa por audiência é um dos marcos desta Copa do Mundo 2026, com a TV aberta e o YouTube — representado pela Cazé TV — como protagonistas. Mas, na hora de divulgar os dados das partidas, você deve ter percebido que enquanto a Globo fala em “telespectadores”, a concorrente da internet fala em “dispositivos conectados”.
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Enquanto uma se baseia nos dados do IBOPE, a outra utiliza métricas de “analytics” que vêm do próprio YouTube.
Neste texto, o Canaltech explica por que a Cazé TV fala em “dispositivos” ou “aparelhos” conectados na hora de divulgar seus números.
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Recordes bilionários e o foco nos aparelhos
Nesta edição da Copa, a CazéTV transmite todos os 104 jogos da Copa do Mundo sediada nos Estados Unidos, México e Canadá. O canal atingiu a marca de 64 milhões de dispositivos únicos operando na plataforma apenas durante a primeira semana do torneio.
O monitoramento do tráfego digital é divulgado com base nos Picos Simultâneos de acessos. Na estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, o YouTube registrou 12,6 milhões de conexões simultâneas. Esse número subiu para 16,1 milhões de conexões no jogo contra o Haiti e bateu o recorde histórico da plataforma na partida contra a Escócia, quando alcançou o pico de quase 19 milhões de aparelhos conectados.
Em todas essas divulgações, a plataforma foca estritamente na identificação de máquinas (celulares, computadores, televisões) ativas na rede, sem fazer menção ao número de pessoas físicas. Ou seja, um aparelho conectado equivale a uma pessoa assistindo, mesmo que a transmissão esteja na TV da sala com cinco pessoas reunidas.
Como o IBOPE é medido
A metodologia aplicada pela Rede Globo vem do sistema gerido pela empresa Kantar IBOPE Media, cujo funcionamento se baseia na técnica de Amostragem, operando de forma muito parecida com uma pesquisa eleitoral.
A empresa instala um aparelho físico chamado Peoplemeter em um conjunto representativo de residências espalhadas pelas regiões mapeadas. Se a TV daquela "casa modelo" está sintonizada no jogo, um cálculo matemático projeta que milhares de outras residências com o mesmo perfil demográfico naquela região também estão assistindo.
Essa métrica tradicional afere a chamada "Audiência Média" gerada por minuto. Como consequência desse critério, se um telespectador mantém a TV sintonizada por apenas três minutos e muda de canal, a participação dele sofre uma diluição proporcional ao tempo total da transmissão. O modelo da TV aberta foi desenvolvido com a finalidade de mapear os indivíduos presentes dentro dos lares de forma estimada.
A diferença entre as duas medições funciona como a organização de um evento. O método da TV aberta atua como um termômetro que estima o público total calculando o espaço ocupado por um pequeno grupo. O YouTube opera como uma catraca eletrônica, registrando cada conexão individual de forma exata e automatizada.
Limites técnicos do hardware
A opção pela divulgação de "dispositivos" atende a critérios de precisão e limitações físicas da infraestrutura de rede.
O servidor do Google rastreia o endereço de IP ou a conta logada no smartphone e na Smart TV, porém o software não possui recursos para identificar quantos pares de olhos estão direcionados para aquela tela. Isso gera dois fenômenos distintos:
- Efeito multiplicador: uma única televisão conectada à Cazé TV pode transmitir a partida para dezenas de clientes em um restaurante, torcedores em um bar ou amigos reunidos em um churrasco. Utilizar o termo "pessoas" provocaria uma subestimativa do alcance real;
- Duplicidade de acessos: um usuário pode assistir ao jogo pela Smart TV da sala e manter o smartphone aberto na mesma transmissão para interagir no chat do YouTube. O servidor computa dois dispositivos conectados, apesar da demografia real registre apenas um indivíduo.
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