Por que os jogos de PS5 continuam sendo os mais caros do mercado brasileiro?

Comprar um jogo no PS5 pode ser um grande desafio aos jogadores em 2026, já que a PlayStation Store continua a aplicar os preços mais altos dentro de sua plataforma.

Hollow Knight: Silksong, por exemplo, foi lançado de R$ 60 a R$ 83 em várias lojas digitais. Porém, nos consoles da Sony, seu valor estava R$ 115. Afinal de contas, por que isso acontece?

O arquivo de download é o mesmo em todos os consoles e nos PCs, no entanto a matemática por trás das quantias cobradas no PS5 é completamente diferente.

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Isso não ocorre porque a Sony persegue os fãs brasileiros ou por causa das tecnologias existentes no PS5, mas envolvem uma mistura de políticas corporativas globais, impostos nacionais e a ausência de processamento local. Nós do Canaltech te explicamos tudo o que precisa saber abaixo:

Imagem do PlayStation 5
Comprar jogos no PS5 sermpre dóem mais no bolso (Imagem: Divulgação/Sony)

Como as lojas decidem o valor?

Antes de mais nada, é necessário compreender como os valores são gerados. Os R$ 399 dos grandes lançamentos não vão direto para o bolso dos desenvolvedores e eles recebem apenas uma quantia disso a cada venda.

A PS Store, Loja Xbox, Nintendo eShop e o Steam cobram uma tarifa de 30% em cima de cada transação feita em suas plataformas. Ou seja, se um título custa R$ 100, R$ 30 vão para o bolso das lojas digitais.

Os estúdios sequer recebem este valor de R$ 70 que sobraram “cheios”. A distribuidora também tem uma parcela disso, o que pode significar muitas vezes que eles sequer ficaram com “metade” do dinheiro arrecadado com o seu produto.

Imagem de Hollow Knight: Silksong
Muitos estúdios sequer ficam com metade do valor de venda dos seus jogos (Imagem: Divulgação/Team Cherry)

Em outras palavras, os estúdios têm de visar um retorno financeiro apto e que leve em consideração quanto deve ser cobrado para alcançar isso. Eles que decidem o preço que cada um será vendido e não as plataformas.

No caso de Hollow Knight: Silksong, por exemplo, é a Team Cherry a grande culpada pelo valor alto no PS5? Parcialmente, sim. Todos os estúdios estão livres para precificar seus jogos da forma como bem preferirem.

O mesmo ocorre com Electronic Arts, Capcom, Ubisoft e outros que determinam o valor base. Claro que eles buscam lucros, mas a situação se complica um pouco mais quando há um console PlayStation envolvido.

São diversos os fatores impostos pela Sony para prejudicar ainda mais este cenário. A conversão do valor de US$ 70 para os R$ 399 é apenas um aspecto da diferença que existe na precificação dos jogos no nosso país.

O que isso quer dizer? Se a Team Cherry quiser reduzir o valor de Hollow Knight: Silksong para R$ 83 no PS5, ela poderia. No entanto, perderia dinheiro — algo que não ocorre na Loja Xbox, Nintendo eShop e Steam.

O diferencial da PS Store

Como assim eles perderiam dinheiro em uma, mas na outra não? Acontece que a PlayStation Store não é uma loja 100% nacionalizada financeiramente. As operações aparecem para nós em Reais (BRL), mas a transação faz o repasse internacional.

Imagem da PS Store
Toda compra no PS5 é uma aquisição internacional (Imagem: Divulgação/Sony)

Se o dólar sobe, por exemplo, todos os estúdios e distribuidoras reajustam os preços — muitas vezes de forma automática — para garantir a margem de lucro em cima do que é visto na moeda americana. Eles estabelecem o valor “lá fora” e adaptam para o nosso mercado, de forma que garanta o lucro.

Na prática, EA, Ubisoft, Activision e a própria Team Cherry não são as “vilãs”. Elas determinam por quanto cada jogo é vendido nos Estados Unidos e, a partir disso, convertem para o Real de forma padronizada. 

Isso é diferente do que é visto nas demais plataformas, que possuem uma loja nacional. Assim, conseguem estabelecer quantias que não dependam da flutuação do dólar e podem se aproximar melhor do público brasileiro. 

Para completar o “combo”, existe um fator oculto chamado de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobrado a cada transação internacional. A PS Store “BR” não é nacional. Ela é uma “gambiarra” da versão estadunidense.

Isso significa que, toda vez que você compra algo nela, é identificada como uma aquisição no exterior. Nisso, o Governo e a Receita Federal aplicam a tarifa de 4,38% sobre o preço pago por cada produto.

Somado ao IOF, existe o spread bancário — uma taxa extra cobrada pelos bancos para a conversão do dólar no dia. Ou seja, o jogo pode custar R$ 399 na PS Store. Porém, no seu cartão de crédito será cobrado um valor maior.

Imagem dos dólares
Além de pagar em dólar, o IOF deixa a fatura ainda mais salgada (Imagem: Viacheslav Bublyk/Unsplash)

O milagre do Steam

Ao contrário da Sony, a Valve compreende como funciona a Paridade do Poder de Compra e aplica o conceito para dominar o mercado de PC. Ao invés de recomendar às distribuidoras que façam a conversão direta de Dólar para Reais, eles tomam um caminho distinto e mais “humanizado”.

No Steam, estúdios e produtoras possuem uma tabela que auxilia a adaptar os preços à realidade econômica de cada país. Através dela, um estúdio pode ver que os US$ 70 lá podem se tornar R$ 250 aqui — com sua margem de lucro garantida, mesmo com a taxa de 30% que a plataforma cobra. 

Além disso, a Valve processa todos os pagamentos através de parceiros nacionais como o BoaCompra e o PagSeguro. Desta forma, você compra os jogos no Steam por PIX ou boleto bancário sem a necessidade de cobrança de IOF ou taxas internacionais. 

A grande batalha dos marketplaces

Para compreender como funciona cada plataforma e as principais diferenças entre elas na precificação, é necessário analisar caso a caso para ver qual a melhor forma de injetar dinheiro em seus jogos com o melhor custo-benefício.

Confira como cada uma funciona e o que realmente é cobrado ou não na PS Store e nas demais lojas digitais:

Diferenças entre as lojas digitais no Brasil Plataforma Política de Preços Processamento Financeiro Tem Cobrança Extra de IOF? Aceita PIX? Steam Tabela Regional (sugerida) 100% Local Não Sim Loja Xbox Preço Regional Localizado 100% Local Não Sim (via parceiros/gift cards) Nintendo eShop Preço Regional Localizado (parcial) 100% Local Não Sim (via navegadores) PS Store Conversão Direta do Dólar Internacional Sim Sim (via gift cards)

Guia de sobrevivência

Ainda que esteja muito longe do ideal, a Sony não demonstra sinal algum de que vai mudar a sua política de valores no Brasil. Basicamente, tudo o que lhe resta é adotar algumas práticas para a situação ser “menos” pior. 

A principal é comprar Gift Cards ao invés dos jogos diretamente da loja digital. Por ter parceiras nacionais como a Nuuvem e o PicPay, por exemplo, você pode pagar via PIX, boleto, cartão e fugir do IOF facilmente.

Apesar de ser menor do que representava há alguns anos, o mercado de mídias físicas no Brasil continua firme e todos os grandes lançamentos vêm ao país oficialmente.

Neste aspecto, contará com a competitividade entre os varejistas brasileiros, aplicação de descontos, cupons e outros que facilitam a sua compra. No entanto, é importante lembrar que o PlayStation 5 Edição Digital não possui leitor de disco — logo, é importante que adquira um para seguir esta dica.

Além disso, a própria Sony implementou uma ferramenta que permite visualizar o histórico de preços na PS Store e os usuários podem analisar se a promoção realmente é boa ou se o valor não está atrativo o suficiente. 

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