
Quando um avião faz um pouso de emergência, a tripulação tem poucos segundos para tomar uma das decisões mais dramáticas da aviação: é necessário ordenar ou não a evacuação imediata dos passageiros? Pode não parecer, mas o protocolo não é uma decisão automática, mas sim o resultado de uma longa análise de riscos à segurança de dezenas de vidas em meio ao fogo, fumaça ou falha estrutural.
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Por um lado, a evacuação pode exigir que os passageiros saiam por escorregadores infláveis com compostos perigosos, como combustível, fumaça ou destroços; por outro, permanecer no interior da aeronave também pode ser perigoso.
O tema é complexo e, por isso, é tratado rigorosamente pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), que distribui os protocolos de segurança; o Anexo 6, por exemplo, cobre os procedimentos operacionais, enquanto o 8 aborda o projeto da cabine, a proteção contra o fogo e, claro, a evacuação propriamente dita. Mas e na prática?
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Emergências em aviões
Se não for feito corretamente, o processo de saída de emergência do avião pode causar ferimentos graves, fraturas e queimaduras — isso sem considerar fatores externos, como o frio quando ocorreu o acidente do rio Hudson. A realidade operacional é ambígua e autoridades reguladoras da aviação, com a FAA, estão cientes disso, mas alertam que atrasos de um minuto para a evacuação podem ser fatais principalmente se o cenário for crítico.
Enquanto isso, a agência observa que, se a emergência não for óbvia para os passageiros, eles podem tentar recuperar pertences e hesitar no uso das saídas de emergência, ou seja, ordens precipitadas podem piorar a situação. Assim, os comissários são treinados para agir de forma descentralizada: caso a cabine de comando esteja incapacitada, eles têm autoridade para iniciar a evacuação sozinhos.
Só que nem toda emergência exige o uso dos escorregadores infláveis, e é aqui que entra o chamado rapid deplaning, ou desembarque rápido quando a aeronave está conectada a pontes de embarque ou escadas: se não há ameaça imediata de explosão, retirar os passageiros de forma acelerada, mas convencional, elimina os riscos físicos inerentes aos saltos de emergência.
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