Submundo no Telegram ensina homens a vigiar e assediar mulheres

Milhares de homens estão usando os grupos e canais do Telegram para vender ferramentas de hacking e espionagem para assediar mulheres. Essas comunidades também comercializam conteúdos abusivos e compartilham imagens íntimas de mulheres sem consentimento.

Segundo uma reportagem da WIRED, a análise foi feita por pesquisadores do grupo de auditoria algorítmica AI Forensics com base em 2,8 milhões de mensagens enviadas em 16 grupos italianos e espanhóis no Telegram, que somam mais de 24 mil integrantes ativos. O estudo identificou ainda que foram compartilhadas cerca de 82 mil imagens, vídeos e áudios ilegais ao longo de seis semanas no começo deste ano.

Enquanto uma parte das publicações foca em celebridades e influenciadoras, a grande maioria usa os serviços maliciosos comercializados no Telegram para atacar mulheres conhecidas, como amigas e esposas, que não possuem o conhecimento de que suas imagens estão sendo compartilhadas e manipuladas nesses canais.

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Em nota à WIRED, um porta-voz afirmou que a empresa remove “milhões” de conteúdos nocivos diariamente com o apoio de ferramentas de inteligência artificial (IA) e que possui políticas que não permitem a apologia à violência e conteúdo sexual ilegal na plataforma.

Vale mencionar ainda que a pesquisa da AI Forensics surge em meio a uma polêmica envolvendo o fundador da plataforma de mensagens, Pavel Durov, que está sob investigação criminal na França por supostas ações criminosas realizadas no Telegram.

Telegram vira central de comercialização de ferramentas espiãs contra mulheres (Imagem: lonely blue/Unsplash).

Divulgação não consentida

Analisando os detalhes do caso, a AI Forensics detectou que, entre os vários serviços oferecidos por comunidades criminosas no Telegram, foram encontradas menções a ferramentas para acesso e divulgação de dados sensíveis de mulheres.

Na prática, esses homens coletam conteúdos de redes sociais, como Instagram e TikTok, com as ferramentas ilegais, apostando no doxing, uma coleta não consentida de informações pessoais de um indivíduo na internet para intimidar, assediar e prejudicar a vítima com o compartilhamento de dados como nome, endereço, telefone e dados financeiros.

Grupos compartilham registros de mulheres com informações privadas (Imagem: Reprodução/Freepik).

Uma publicação identificada pelos pesquisadores em um dos grupos do Telegram, por exemplo, afirmava que o usuário poderia ensinar os clientes a obter o “acesso à galeria do celular e extração de fotos e vídeos” ou hackear redes sociais alheias de forma anônima. Outra mensagem ainda dizia ser possível “espionar a conta da parceira” com a recuperação de qualquer mídia social.

Ao todo, os especialistas encontraram mais de 18 mil menções a táticas de espionagem para vigiar mulheres, mas as ferramentas usadas no processo não foram reveladas pela análise. Sabe-se apenas que boa parte dos serviços ilegais contavam com aplicativos de stalkerware e spyware.

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