Taxa das blusinhas acabou: dá para importar celular ou fone chinês sem imposto?

O governo federal anunciou na terça-feira (12) o fim da “taxa das blusinhas”, zerando o imposto federal de importação para compras internacionais de até US$ 50. Produtos importados de plataformas como AliExpress, Shopee e Shein devem ficar mais baratos, inclusive alguns eletrônicos de entrada, como fones, capinhas e outros acessórios para celular. No entanto, a maioria dos eletrônicos ultrapassa os US$ 50.

Até agora, compras internacionais de até US$ 50 feitas pelo programa Remessa Conforme pagavam 20% de imposto de importação federal, além do ICMS estadual. Com a nova medida, o tributo federal foi zerado para pessoas físicas.

Isso significa que compras abaixo de US$ 50 continuam tributadas apenas pelo ICMS, imposto estadual que segue ativo em todo o país. Já produtos acima desse valor continuam sujeitos à cobrança federal de 60% de imposto de importação.

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O preço final tende a cair imediatamente. Um produto de US$ 50 que antes podia chegar a cerca de R$ 350 após impostos agora deve custar perto de R$ 295, dependendo da cotação do dólar e do estado onde mora o comprador.

Eletrônicos serão beneficiados?

Embora a mudança reduza os custos de importação, poucos eletrônicos mais desejados pelos consumidores brasileiros entram na faixa de até US$ 50.

Celulares chineses, tablets, notebooks e muitos headphones premium normalmente ultrapassam esse limite e continuam sujeitos à tributação cheia.

Ainda assim, alguns itens podem se tornar mais atrativos para importação, como fones Bluetooth básicos, caixas de som compactas, teclados e mouses, smartwatches de entrada, carregadores e power banks.

Produtos baratos vendidos por marcas chinesas como Xiaomi também podem ficar mais competitivos no Brasil com a retirada do imposto federal.

Power banks e outros eletrônicos (poucos, já que a maioria ultrapassa US$ 50) podem se tornar mais atrativos (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

ICMS continua e varia conforme o estado

Apesar do fim do imposto federal, o ICMS segue sendo cobrado normalmente nas compras internacionais. O tributo estadual é calculado “por dentro”, ou seja, ele integra a própria base de cálculo da compra.

Atualmente, a maior parte dos estados mantém alíquota de 17% para encomendas internacionais. Porém, dez estados elevaram a cobrança para 20% após decisão do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda. Os estados com ICMS de 20% são:

  • Acre;
  • Alagoas;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Minas Gerais;
  • Paraíba;
  • Piauí;
  • Rio Grande do Norte;
  • Roraima;
  • Sergipe.

Nos demais estados, a alíquota segue em 17%.

Por que o governo decidiu acabar com a taxa?

A taxa entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, com o objetivo de aumentar a arrecadação e reduzir a diferença tributária entre produtos nacionais e importados.

Nos últimos meses, porém, a cobrança passou a sofrer forte rejeição popular. Pesquisas apontavam que grande parte dos consumidores considerava o imposto negativo por encarecer compras de baixo valor em plataformas internacionais.

O fim da tributação, no entanto, não agradou representantes da indústria e do varejo brasileiro. Entidades do setor afirmam que a isenção da “taxa das blusinhas” pode ampliar a concorrência com produtos chineses baratos e dificultar a competitividade das empresas nacionais. Anteriormente, vimos que a "taxa das blusinhas" gera prejuízo de R$ 2,1 bilhões para os Correios.

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