
A moda dos “telefones minimalistas” promete a cura para o vício digital, mas cobra caro por isso. Esses celulares podem custar o preço de um topo de linha para oferecer menos recursos, com o pretexto de resolver um problema dos tempos atuais, mas podem se tornar uma armadilha de luxo com utilidade questionável.
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A taxa "Hipster" do minimalismo
O movimento dos telefones minimalistas cresceu impulsionado por uma estética "hipster" muito específica. A lógica de mercado é cobrar valores altos por um item básico, mas com visual e design diferenciados.
É possível fazer uma analogia similar a comprar um creme de barbear hipster por 4 vezes mais caro que um creme de babear comum. Os produtos podem ter composição semelhante. No entanto, a pessoa não compra paga mais caro pelo "estilo de vida" promovido pelo produto.
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Aparelhos como o Light Phone 3 chegam a custar US$ 699 na pré-venda. O valor rivaliza com smartphones premium recentes, como um iPhone 17, mas entrega hardware inferior e telas em preto e branco sob o pretexto de focar na "vida real".
Seguindo essa tendência, surgem dispositivos como o Punkt. MP02, focado em design suíço e teclas físicas, e o Minimal Phone, que aposta em um teclado QWERTY físico com tela e-ink.
Os aparelhos atraem pelo visual diferenciado e sua proposta, mas cobram centenas de dólares por funcionalidades básicas.
O problema dos sistemas proprietários
A maioria desses dispositivos utiliza sistemas operacionais proprietários e personalizados que não apresentam compatibilidade com o sistema Android.
Sem uma loja de aplicativos funcional, o usuário fica impedido de instalar ferramentas necessárias para o cotidiano. Desta maneira, a utilidade desses aparelhos no dia a dia se torna questionável.
Sem apps, você perde o acesso imediato a funções importantes, como o aplicativo do seu banco, pois pode não conseguir baixar tokens para autenticar o aparelho, também pode não conseguir chamar um transporte por aplicativo ou ficar sem mapas em tempo real.
A falta de suporte a aplicativos de autenticação (2FA/Tokens) impede que você valide logins em outros dispositivos. O resultado, o usuário acaba precisando de dois celulares. O "celular minimalista" para fugir dos vícios digitais, e o smartphone normal escondido para resolver problemas que exigem praticidade.
Visual retrô e o custo da nostalgia
Outra vertente dessa moda aposta na nostalgia pura. Marcas como a Sunbeam Wireless resgatam a estética dos antigos celulares "flip" no formato de concha e teclados físicos T9, que remetem à simplicidade dos anos 2000.
Embora o design nostálgico e a sensação tátil das teclas ajudem a reduzir o tempo de tela, o preço cobrado por essa experiência limitada continua desproporcional ao que a tecnologia interna oferece.
Muitos consumidores buscam esses aparelhos acreditando que uma barreira física impedirá o uso de apps como Instagram e outras redes sociais. Contudo, os próprios apps apresentam ferramentas que regulam seu uso.
Transforme seu celular em minimalista
Você não precisa gastar uma fortuna em celulares minimalistas. Seu smartphone atual tem ferramentas nativas como "Bem-Estar Digital" e "configurações de acessibilidade" que podem ser usadas para reduzir distrações.
No Android ou iOS, é possível ativar a "escala de cinza" nas configurações de acessibilidade. Ao deixar a tela preto e branco, o cérebro recebe menos estímulos, tornando as redes sociais visualmente desinteressantes.
Para completar a transformação, é possível usar interfaces gratuitas como o "Niagara Launcher" que simplificam a tela inicial, ao esconder ícones coloridos e deixar apenas uma lista de textos sóbria.
Para reduzir o uso de redes sociais e outros apps que consomem muito tempo, você pode acessar “Configurações” e limitar o tempo de uso de cada aplicativo tanto no Android com Bem-Estar Digital, quanto no iPhone.
Em alguns casos pessoas não conseguem configurar o aparelho, pois não conseguem se afastar das redes.
Nestes casos, pedir a ajuda de um amigo para configurar e estabelecer limite de tempo que vai acessar um aplicativo pode ser uma alternativa.
Com um pouco de pesquisa para configurar, é possível replicar a experiência visual e funcional de um celular minimalista de US$ 700, mas sem gastar nada e ainda ter que lutar contra incompatibilidades de sistemas proprietários.
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