Com R$ 13 mil dá para comprar uma geladeira, uma máquina de lavar, uma lava-louças e ainda sobra dinheiro. Ou um único robô-aspirador. É mais ou menos essa a faixa de preço do Dreame X50 Ultra, um dos modelos mais avançados disponíveis no Brasil. Usei o aparelho durante meses em quase toda a minha casa. Nesse período, ficou claro que a grande diferença para robôs mais baratos não está apenas na qualidade da limpeza. O principal luxo do X50 Ultra é outro: ele faz quase tudo sozinho.
O maior luxo é não precisar cuidar do robô
Robôs-aspiradores mais simples já conseguem manter o chão relativamente limpo, mas ainda exigem bastante trabalho. É preciso esvaziar o reservatório, lavar o mop, desembaraçar escovas e, em alguns casos, preparar a casa antes de cada ciclo.
Com o X50 Ultra, praticamente tudo isso some da rotina. Ele aspira, passa pano, volta para a base, esvazia o reservatório de poeira, lava os próprios mops e os deixa prontos para a próxima limpeza. Tudo isso sem nenhuma intervenção humana.
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A base é praticamente uma central de manutenção do robô. Na parte superior ficam dois grandes reservatórios: um recebe a água limpa usada durante as limpezas e outro armazena a água suja retirada dos mops.
Há ainda um compartimento próprio para o produto de limpeza, que vem incluso no kit. Não há informações sobre a possibilidade de usar a solução de outras marcas, e a opção oficial da Dreame custa por volta de R$ 180 no varejo nacional, porém está fora de estoque em muitas lojas no momento dessa publicação.
Na minha casa, que não é muito grande, os reservatórios passam tranquilamente de uma semana sem exigir atenção e, dependendo da frequência de uso, chegam perto de duas. Minha principal tarefa nesse período é colocar água limpa e descartar a suja. O próprio aplicativo avisa quando algum reservatório precisa de atenção.
A água retirada dos mops fica com um cheiro bem desagradável depois de alguns dias, quase de esgoto. Felizmente, tanto o reservatório quanto a base são bem vedados, então esse odor não escapa para o ambiente. Eu só sinto alguma coisa quando abro o recipiente para jogar a água fora.
A lavagem automática também funciona muito bem. Os mops ficam limpos, sem manchas e sem cheiro de sujeira. Há ainda um detalhe que faz diferença: se eu selecionar uma limpeza apenas por aspiração, o robô retira os próprios mops e os deixa presos magneticamente na base. Não preciso remover nada manualmente antes de começar.
Isso não significa manutenção zero. Os sensores precisam ser limpos de tempos em tempos, algo que passei a fazer aproximadamente uma vez por semana.
Mesmo assim, a diferença para modelos mais baratos é grande: em vez de cuidar do robô depois de praticamente toda faxina, você só precisa dar alguma atenção ocasionalmente.
Ele limpa melhor e exige menos preparação da casa
O X50 Ultra também faz bem aquilo que deveria ser sua função principal. Durante os testes, aspirou sem dificuldade poeira, ração, feijão e até pequenos pedaços de brinquedos destruídos pela minha cachorra, como pedaços de pelúcia ou pequenas borrachas arrancadas de mordedores.
Raramente preciso passar depois para conferir se alguma coisa ficou no chão. A sucção é forte o suficiente para lidar até com sujeiras que eu normalmente imaginaria que seriam grandes demais para um robô-aspirador.
Os mops também não servem apenas para arrastar um pano úmido pelo piso. Eles conseguem remover marcas e sujeiras comuns com bastante eficiência, e o aplicativo permite controlar a quantidade de água utilizada em uma escala que vai de uma limpeza mais seca até outra mais molhada.
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Mas o recurso que mais mudou minha rotina foi a capacidade de circular pela casa sem exigir uma inspeção antes. Eu não preciso sair recolhendo tudo do chão sempre que quero iniciar uma limpeza.
Ele desviou de meias, sapatos, chinelos, roupas e brinquedos sem maiores problemas. O aplicativo ainda registra alguns desses objetos e mostra fotos dos obstáculos encontrados durante o trajeto.
Isso faz bastante diferença em relação a robôs mais simples. Em vez de preparar a casa para o aparelho conseguir trabalhar, posso simplesmente pedir para ele começar e deixar que se vire com o que encontrar pelo caminho.
O mapeamento também foi bastante preciso desde o começo. Depois da configuração inicial, praticamente não precisei corrigir paredes, divisões ou posição dos cômodos manualmente.
Houve algumas situações curiosas. Em uma delas, o sistema identificou meu sofá como uma cama, mas isso não interferiu em nada na limpeza. Em outra, deixei um espelho apoiado no chão e o reflexo fez o robô entender que havia uma continuação do cômodo em uma área inacessível. Quando tirei o espelho dali, ele refez o mapa corretamente.
Também nunca precisei criar barreiras virtuais. A opção está disponível no aplicativo, mas, como o desvio de obstáculos funcionou bem durante os testes, não senti necessidade de usá-la.
As tecnologias mais chamativas funcionam de verdade
O X50 Ultra tem vários recursos que parecem feitos para demonstrações de feira, mas alguns deles realmente aparecem no cotidiano.
Um exemplo são as pequenas “pernas” que levantam parte do corpo para superar obstáculos. Vejo isso acontecer principalmente quando ele sobe em tapetes.
Há também uma pequena rampa entre meu escritório e a sala que o robô consegue atravessar normalmente, mas algumas vezes interpreta o desnível como uma soleira e resolve levantar uma das “perninhas” mesmo sem precisar.
É até engraçado, mas mostra que o mecanismo não está ali apenas para aparecer em material promocional.
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A torre superior de sensores também se movimenta. Quando coloco o X50 Ultra no quarto, ele abaixa essa parte para conseguir passar por baixo da cama, limpa toda a região e volta a levantar a torre quando sai debaixo do móvel.
Nas laterais, a escovinha e um dos mops conseguem avançar para fora do corpo do aparelho. Isso ajuda bastante na limpeza próxima às paredes, rodapés e principalmente nos cantos, regiões em que robôs redondos normalmente têm mais dificuldade.
O comportamento em tapetes também é automático. Quando encontra um deles, o robô consegue subir, recolher os mops para não molhar o tecido e continuar somente com a aspiração.
Dá para mandar limpar e esquecer que ele existe
Depois de algum tempo, passei a confiar o suficiente no X50 Ultra para deixar boa parte das limpezas acontecer durante a madrugada.
No modo silencioso, o robô propriamente dito quase não incomoda. O que mais percebo são as rodinhas passando pelo piso. Ele também parece executar as tarefas com bastante rapidez, embora eu não tenha feito uma comparação cronometrada com modelos mais baratos.
A base é outra história. Quando começa a esvaziar o reservatório ou cuidar dos mops, ela faz bastante barulho. Como acabou instalada no escritório e fica longe do quarto, isso nunca chegou a atrapalhar meu sono.
Também perdi o receio de iniciar uma limpeza quando estou fora de casa. Nos cômodos em que ele circula regularmente, praticamente deixei de varrer, aspirar ou passar pano manualmente.
Meu quarto é a exceção, porque fica em outro pavimento. Ainda assim, é possível levar o robô para lá. Na primeira limpeza, ele cria um mapa separado e, nas visitas seguintes, reconhece automaticamente em qual andar está.
Na prática, porém, nem sempre quero ficar carregando um robô grande de um pavimento para outro, então muitas vezes continuo limpando o quarto manualmente.
O X50 Ultra também se tornou útil para pequenos acidentes. Se estou cozinhando e derrubo pó de café, farinha, arroz ou qualquer outra coisa no chão, não preciso parar o que estou fazendo para varrer e depois passar pano.
Posso simplesmente selecionar aquela região pelo aplicativo e mandar o robô cuidar da sujeira.
É um tipo de praticidade que continuaria sendo útil mesmo para quem tem diarista. Você não vai chamar alguém só porque derrubou farinha na cozinha numa terça-feira à noite.
O aplicativo ajuda bastante nisso. Ele permite escolher entre apenas aspirar, aspirar e passar pano ao mesmo tempo, somente passar pano ou aspirar primeiro e passar pano depois. Também há quatro níveis de aspiração — silencioso, normal, intenso e máximo — e um controle para ajustar a quantidade de água.
É possível selecionar apenas um cômodo ou até desenhar uma pequena região do mapa para limpar somente aquele ponto. A interface parece um pouco confusa no começo pela quantidade de opções, mas depois de algum tempo fica fácil de usar.
Depois de alguns meses, a limpeza do chão deixa de parecer uma tarefa. Ela simplesmente acontece.
Nem R$ 13 mil compram perfeição
Apesar da autonomia, há alguns poucos incômodos. O primeiro apareceu antes mesmo do uso: a base é enorme.
Minha intenção era instalá-la na sala, embaixo do painel da TV, mas ela não coube por poucos centímetros. Acabei colocando tudo no escritório.
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Para mim, isso não chegou a ser um grande problema e até combinou melhor com a ordem em que o robô costuma circular pela casa, passando pelo escritório, sala e cozinha. Mas quem mora em um apartamento pequeno ou tem pouco espaço disponível precisa considerar o tamanho da base antes da compra.
A iluminação frontal também pode incomodar durante a madrugada. Ela é ativada automaticamente no escuro para ajudar na navegação e na identificação de obstáculos, mas é suficientemente forte para eu perceber um pouco da luz passando por baixo da porta do quarto.
Outro ponto é o saco de poeira da base. Ele facilita bastante o esvaziamento automático, mas é descartável, então cria um custo recorrente de reposição. Quando está completamente cheio, a proposta é simplesmente retirar o saco inteiro e instalar um novo. Um kit com três unidades, na loja oficial da Dreame na Amazon, custa R$ 100.
Aqui, fiz uma “gambiarra” para contornar isso: usei um aspirador de pó comum para sugar a sujeira de dentro do saco e depois reaproveitá-lo. Dá trabalho, mas evita ter que colocar uma unidade nova toda vez que ele enche. Para casas grandes, evita ter que gastar com um novo todo mês ou a cada duas semanas.
Também senti falta de opções mais completas no agendamento. É possível escolher dias e horários para o robô trabalhar sozinho, mas não dá para definir exatamente qual modo de limpeza será usado naquela rotina.
Ele simplesmente utiliza a última configuração selecionada no aplicativo. Como nem sempre quero a mesma coisa, prefiro iniciar as limpezas manualmente.
Durante os primeiros usos, tive um problema com pelos da minha cachorra. O robô deixava alguns no chão durante a aspiração e, quando começava a passar pano, aquilo virava uma sujeira bem desagradável.
Removi e reinstalei os acessórios, incluindo escovas e rolo central, e o problema desapareceu completamente. Acredito que tenha sido só um erro de instalação após a primeira configuração.
Meses depois, houve uma única ocasião em que o robô não identificou um pano no chão e acabou prendendo-o na escova lateral. Pode ter sido consequência de algum sensor sujo ou parcialmente obstruído, mas serve como lembrete de que ele ainda não é infalível.
Também aconteceu de aspirar um pedaço relativamente grande de uma embalagem de iogurte que minha cachorra havia destruído. O plástico ficou preso na escova central e começou a fazer um ruído estranho. Foi uma das raríssimas vezes em que precisei abrir o robô para retirar algo manualmente.
A câmera também causou certa preocupação no começo, principalmente por circular dentro de casa e registrar obstáculos encontrados durante a limpeza.
Além dessas funções, é possível configurar o X50 Ultra para usar a câmera como uma espécie de monitor residencial. Essa opção, porém, precisa ser habilitada fisicamente pelo próprio robô, por meio de um botão no aparelho, e não pode ser simplesmente ativada remotamente por alguém que consiga acesso à conta.
Conversei com a Dreame sobre o funcionamento da câmera e sobre o tratamento dessas imagens.
“Sabemos que a privacidade é importante para os nossos usuários. Por isso, todos os robôs-aspiradores da Dreame passam por padrões e certificações de segurança, incluindo uma certificação da TÜV, na Alemanha, e requisitos de segurança da Coreia, que envolvem testes bastante rigorosos. Além disso, os vídeos e fotos feitos pela câmera não são armazenados na nuvem: eles ficam apenas no telefone do usuário, então a Dreame não tem acesso a esses dados. Para ativar a câmera pela primeira vez, o usuário também precisa configurar uma senha e fazer a ativação diretamente no próprio robô, o que ajuda a impedir que essa função seja habilitada apenas de forma remota. Depois disso, o controle da câmera fica nas mãos do próprio usuário”, explicou Sophia Li, Head de Marketing da Dreame na América Latina.
Depois das explicações da fabricante e de algum tempo de uso, esse recurso passou a me incomodar bem menos.
Eu compraria um Dreame X50 Ultra?
Para a maioria das pessoas, é difícil justificar R$ 13 mil em um robô-aspirador. O X50 Ultra não substitui uma diarista ou uma faxina completa. Ele faz apenas uma coisa: limpa o chão. E faz isso muito bem.
Uma diarista consegue limpar móveis, tirar pó, lavar banheiro, limpar janelas e organizar a casa, entre várias outras tarefas. Dependendo do orçamento, R$ 13 mil podem inclusive bancar esse tipo de serviço durante bastante tempo.
Mas uma coisa também não necessariamente elimina a utilidade da outra. O robô pode manter o chão limpo diariamente e resolver pequenas sujeiras entre uma faxina completa e outra.
Depois de meses de uso, ficou bem mais fácil entender de onde vem esse preço. Ele limpa melhor do que qualquer outro robô que eu tenha testado no passado, alcança áreas complicadas e, acima de tudo, elimina boa parte do trabalho que ainda existe ao usar modelos mais baratos.
Com um robô convencional, muitas vezes é preciso cuidar do aparelho para que ele consiga limpar a casa. Com o X50 Ultra, minha preocupação praticamente se resume a trocar a água a cada uma ou duas semanas, limpar os sensores periodicamente e resolver alguma ocorrência excepcional.
Para quem tem dinheiro sobrando e procura especificamente um modelo realmente autossuficiente, com bom mapeamento, desvio eficiente de obstáculos e uma base que elimina quase toda a manutenção cotidiana, o X50 Ultra cumpre muito bem essa proposta.
Apesar do preço oficial de R$ 13.000, o X50 Ultra já tem um sucessor, então já pode ser achado em ofertas, que deixa o custo de "apenas" R$ 9.000
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