A Anatel aprovou uma mudança que limita a operação do Wi-Fi na faixa de 6 GHz no Brasil a partir de 2027. A decisão reserva a parte superior do espectro, entre 6.425 MHz e 7.125 MHz, para telefonia móvel, enquanto os equipamentos Wi-Fi ficarão restritos à faixa de 5.925 MHz a 6.425 MHz.
A medida foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Diretor da agência em 11 de agosto e formalizada pelo Acórdão nº 203 e pelo Ato nº 10.400. Embora os novos requisitos já estejam em vigor, a aplicação obrigatória começa em 1º de março de 2027, criando um período de transição para equipamentos já certificados.
Na prática, a decisão reduz o espectro disponível para equipamentos classificados como sistemas de acesso sem fio em banda larga para redes locais. Isso inclui pontos de acesso internos, dispositivos de potência muito baixa e equipamentos que utilizam a faixa de 6 GHz.
Impacto em roteadores
A mudança pode ter impacto especialmente sobre roteadores mais recentes compatíveis com Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7, tecnologias que passaram a utilizar a faixa de 6 GHz para ampliar a capacidade das redes sem fio. Com menos espectro disponível, fabricantes precisarão adequar os equipamentos às novas regras brasileiras.
Os produtos que já foram certificados e homologados para operar em toda a faixa de 6 GHz não serão simplesmente retirados do mercado. Segundo a Anatel, aqueles cujos certificados continuarem válidos depois de março de 2027 deverão ser adaptados durante a manutenção periódica da certificação.
A restrição não vale indistintamente para todo equipamento que utiliza frequências entre 6.425 MHz e 7.125 MHz. A regra é direcionada especificamente aos produtos classificados como sistemas de acesso sem fio para redes locais.
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Faixa de 6 GHz será usada por redes móveis
O motivo da mudança é preparar a porção superior da faixa de 6 GHz para o Serviço Móvel Pessoal (SMP), categoria que engloba redes celulares. A destinação dessa faixa para serviços de interesse coletivo já havia sido definida na atualização do plano brasileiro de frequências, aprovada em janeiro de 2025.
A Anatel afirma que a decisão foi baseada em testes de laboratório, avaliações de campo e simulações sobre a convivência entre Wi-Fi e sistemas móveis. Os estudos apontaram problemas de interferência quando as duas tecnologias utilizavam o mesmo canal ou frequências parcialmente sobrepostas.
Em um dos cenários avaliados, a taxa de transmissão do Wi-Fi apresentou perda superior a 90%, enquanto o sistema móvel teve degradação de até 25%. Em outra configuração, a perda chegou a 100% para o Wi-Fi e a 30% para o sistema móvel.
Por isso, o entendimento da agência foi de que a separação entre as tecnologias é, neste momento, a alternativa mais segura para evitar interferências e permitir a expansão das redes móveis.
Apesar da restrição, a decisão não fecha completamente a porta para que o Wi-Fi volte a utilizar a faixa superior de 6 GHz no futuro. A Anatel prevê a criação de um ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox, para testar novas formas de convivência entre Wi-Fi e redes móveis.
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