Houve um tempo em que falar sobre o Linux era conversar sobre um nicho, um universo que parecia destinado a permanecer nos bastidores, alimentando servidores e desktops de entusiastas. 2025 rasgou esse script. Este foi o ano em que o sistema do pinguim não só avançou, mas conquistou, rompendo barreiras históricas e se apresentando como uma opção viável, poderosa e desejável para o usuário final. Foi um período de transição técnica inevitável e de oportunidade estratégica perfeita, onde distribuições icônicas como Debian, Fedora, Linux Mint e Zorin OS ganharam ainda mais destaque.
A combinação de fatores foi única: o fim do suporte ao Windows 10 pressionou milhões de usuários a uma decisão forçada, enquanto a Valve, com o Steam Deck, já havia pavimentado um caminho de credibilidade para o Linux no mainstream. Em meio a esse cenário, as principais distribuições entregaram suas versões mais maduras, refinadas e focadas no usuário. Vamos explorar como cada uma dessas peças fundamentais contribuiu para transformar 2025 em um marco histórico.
Debian 13 acelerado
O Debian é a rocha sobre a qual muito do ecossistema desktop Linux é construído. Sua filosofia conservadora e compromisso com a estabilidade são lendários. No entanto, o lançamento do Debian 13 trouxe novidades ousadas que reverberam por toda a cadeia.
A primeira surpresa veio com as interfaces gráficas: o Debian 13 rompeu com sua tradição de oferecer versões mais antigas, lançando com o GNOME 48 e o KDE Plasma 6.3, as versões mais recentes e ricas em funcionalidades disponíveis na época. Essa decisão mostrou ser possível conciliar estabilidade de base com uma experiência de ponta na área de trabalho, atraindo até mesmo usuários que antes consideravam o Debian “desatualizado” para o desktop.

Contudo, a mudança mais significativa e simbólica foi o fim do suporte oficial à arquitetura de 32 bits (i386). O Debian foi um dos últimos grandes refúgios para hardware legado, e esta decisão marca o fechamento de um ciclo. É um reconhecimento pragmático de que o futuro é 64-bit, liberando recursos dos mantenedores para focar nas plataformas modernas. Para quem ainda depende de aplicações de 32 bits, a compatibilidade via bibliotecas multilib permanece.
Fedora 43 e a virada definitiva para o Wayland
Se o Debian é a rocha, o Fedora é a vanguarda. A distribuição da Red Hat tem a fama (merecida) de abraçar as tecnologias mais novas do ecossistema upstream, servindo como termômetro para onde o Linux desktop está indo. E em 2025, com o Fedora 43, o Wayland ganhou protagonismo.
O grande marco desta versão foi a remoção completa do servidor X11/Xorg como sessão padrão e suportada para o GNOME. A partir do Fedora 43, a única opção para usuários do GNOME é a sessão Wayland. Essa é uma mudança profunda, que pode causar atrito em casos muito específicos de hardware ou software legado que dependem de extensões exclusivas do X11. No entanto, é um movimento necessário e corajoso.

O Wayland é o padrão no Fedora desde 2016. A diferença agora é que ele não é mais uma opção. Isso força a maturidade final do ecossistema, impulsionando desenvolvedores de drivers (especialmente da NVIDIA) e de aplicações a trabalharem em uma melhor compatibilidade. Enquanto isso, o XWayland roda aplicações X11 dentro do Wayland.
Linux Mint focado no usuário final
Enquanto o Fedora olha para o horizonte tecnológico, o Linux Mint tem o olhar orientado à experiência do usuário. Em 2025, uma das distros mais amigáveis para iniciantes não se contentou em ser apenas estável; ela teve um ano de inovação, lançando uma suíte de ferramentas que tornam o sistema mais coeso, poderoso e integrado.
O trabalho no Cinnamon para Wayland continua, mas foram as novas aplicações nativas que roubaram a cena:
- Fingwit: Um gerenciador de impressões digitais que finalmente traz suporte nativo e fácil para notebooks;
- Informações do Sistema: Um aplicativo detalhado, oferecendo uma visão completa do hardware e software de forma acessível;
- Ajustes do Sistema: Uma ferramenta para configurações avançadas, começando com opções de boot e com planos de expansão.

Além disso, o Mint decidiu desviar da proposta original do libadwaita (a biblioteca de widgets do GNOME) para respeitar os temas e cores do Mint. Em vez de brigar com a direção upstream, eles encontraram uma solução prática para manter a identidade visual e a coesão do sistema.
Zorin OS 18: O timing perfeito
Se houve um vencedor claro em termos de oportunidade de mercado em 2025, foi o Zorin OS. A distribuição irlandesa já era nossa recomendação constante para iniciantes, mas com o Zorin OS 18, lançado estrategicamente no mesmo dia do fim do suporte ao Windows 10 (14 de outubro), eles executaram uma jogada de mestre.
A versão 18 refina a filosofia da distribuição: ser a ponte mais segura e intuitiva do Windows para o Linux. Novas ferramentas como o tiling assistido (similar ao Snap Layouts do Windows 11) e o criador de webapps melhoram a produtividade. No entanto, o coração da estratégia continua sendo o “Windows App Detector”. Ao tentar abrir um .exe, o sistema sugere alternativas nativas para Linux (como o Heroic Games Launcher para a Epic Store) ou versões web, cobrindo agora uma biblioteca de mais de 170 aplicativos.

O resultado foi fenomenal: mais de 1 milhão de downloads no primeiro mês, com 78% vindos de máquinas com Windows. O Zorin OS 18 não foi apenas um sucesso para seu projeto; foi um sucesso para todo o ecossistema Linux desktop. Ele capturou o momento exato de hesitação dos usuários de Windows e ofereceu um caminho de migração.
Um ano de consolidação e conquista
Olhando para o conjunto, 2025 não foi sobre uma única distribuição revolucionária. Foi sobre a maturação coletiva e sincronizada do ecossistema. Juntas, essas distribuições mostraram que o Linux desktop oferece algo que há muito tempo falta no mercado dominante: escolha genuína, controle e respeito pelo usuário.Quer relembrar mais do que o ano de 2025 trouxe ao mundo do Linux? Confira nossa retrospectiva e análise no último Diocast do ano!