A empresa por trás do SUSE, uma das distribuições Linux mais tradicionais do mercado corporativo, pode estar prestes a mudar de dono mais uma vez. Conforme informações divulgadas pela agência Reuters, o fundo de investimentos EQT AB estaria explorando a venda da companhia por um valor que pode chegar a US$ 6 bilhões.
Embora as negociações ainda estejam em estágio inicial, a notícia reacende um padrão recorrente na história da empresa: a constante troca de proprietários ao longo das últimas duas décadas.
Uma pioneira do Linux empresarial
Fundada em 1992 por Roland Dyroff, Thomas Fehr, Hubert Mantel e Burchard Steinbild, a SUSE nasceu na Alemanha visando oferecer soluções Linux com suporte profissional para empresas.
A companhia se tornou a primeira empresa do mundo a comercializar Linux com foco empresarial, oferecendo não apenas o sistema operacional, mas também suporte técnico, manutenção e serviços corporativos.
Hoje, suas soluções ajudam organizações a executar aplicações em servidores, mainframes, nuvens e ambientes híbridos. Grandes empresas como Walmart, Intel e Deutsche Bank estão entre seus clientes.
Segundo dados divulgados pela própria empresa, mais de 60% das companhias da Fortune 500 utilizam alguma tecnologia da SUSE em suas infraestruturas.
Se a venda realmente acontecer, não será a primeira vez que a empresa troca de mãos. A trajetória corporativa da SUSE inclui várias aquisições importantes.
A primeira grande mudança ocorreu em 2004, quando a empresa foi comprada pela Novell por cerca de US$ 210 milhões. Na época, a aquisição fazia parte da estratégia da Novell de reposicionar seu negócio e competir com gigantes como Microsoft no mercado de servidores.
Alguns anos depois, em 2011, a própria Novell foi adquirida pela Attachmate Group por aproximadamente US$ 2,2 bilhões, levando a SUSE junto no pacote.
Em 2014, outra mudança ocorreu quando a Micro Focus comprou a Attachmate por cerca de US$ 2,35 bilhões, assumindo o controle indireto da distribuição Linux.
A sequência continuou em 2018, quando o fundo EQT AB adquiriu a Micro Focus por cerca de US$ 2,53 bilhões, ficando com a SUSE como parte da operação.
IPO, retorno ao privado e nova possível venda
Em 2021, a SUSE chegou a abrir capital em bolsa, tentando seguir uma trajetória semelhante à de outras empresas de software corporativo.
No entanto, essa fase durou pouco. Em 2023, o fundo EQT AB decidiu retirar a empresa da bolsa novamente, tornando-a privada.
Agora, menos de três anos depois, o fundo estaria avaliando uma nova venda. Caso o valor estimado de US$ 6 bilhões se confirme, isso representaria quase o dobro da avaliação da empresa no momento em que o capital foi fechado.
Atualmente, a companhia gera cerca de US$ 800 milhões em receita anual e mais de US$ 250 milhões em EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), números que ajudam a explicar o interesse de investidores.
Paralelo com a Red Hat
Sempre que se fala em SUSE, é impossível não compará-la com sua principal rival no mercado corporativo: a Red Hat. Em 2019, a empresa foi adquirida pela IBM por impressionantes US$ 34 bilhões, em uma das maiores aquisições da história do setor de software.
Desde então, a Red Hat se tornou um pilar central da estratégia de nuvem híbrida da IBM, ajudando a empresa a fortalecer sua presença no mercado corporativo. Comparado a esse valor, os US$ 6 bilhões estimados para a SUSE parecem modestos, mas ainda representam um investimento significativo dentro do ecossistema de software empresarial.
Quem poderia comprar a SUSE?
Caso a venda realmente avance, diversas empresas poderiam se interessar pela aquisição da SUSE. Entre os nomes mais especulados estão gigantes da tecnologia como Amazon, Oracle, Microsoft e Broadcom.
Cada uma teria motivações diferentes:
- Amazon poderia reforçar sua infraestrutura de nuvem;
- Oracle ampliaria sua presença no mercado de Linux corporativo;
- Microsoft poderia fortalecer seu portfólio empresarial além da nuvem Microsoft Azure;
- Broadcom, que recentemente adquiriu a VMware, poderia consolidar ainda mais sua presença no mercado de infraestrutura corporativa.
Também não está descartada a possibilidade de outro fundo de investimento assumir a empresa, mantendo a lógica financeira que tem marcado a trajetória da companhia.
Impactos possíveis para o ecossistema open source
Embora o foco da venda seja a empresa corporativa SUSE, qualquer mudança de controle pode impactar diretamente o projeto comunitário openSUSE. Isso acontece porque, apesar de ser gerido pela comunidade, o projeto recebe financiamento da própria SUSE e mantém forte integração tecnológica com suas soluções empresariais.
Por esse motivo, qualquer alteração estratégica na empresa tende a refletir, direta ou indiretamente, no futuro do ecossistema open source que gira ao seu redor. Por enquanto, tudo ainda está no campo das especulações. Mas, considerando o histórico da empresa, mais uma mudança de dono certamente não seria algo inesperado para a SUSE.
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