A AMD está sendo alvo de fortes críticas da comunidade Linux após anunciar mudanças importantes no licenciamento do Vivado, sua suíte de desenvolvimento para FPGAs e SoCs adaptativos. Isso porque a empresa decidiu remover o suporte ao Linux da versão gratuita da ferramenta.
A mudança chega com o lançamento do Vivado 2026.1, que inaugura um novo sistema de licenciamento dividido em diferentes níveis. O que antes era uma ferramenta gratuita disponível tanto para Windows quanto para Linux agora passa a restringir usuários Linux aos planos pagos. E os preços definitivamente não são baixos.
O que mudou no Vivado?
Para quem não conhece, o Vivado é uma das principais ferramentas usadas no desenvolvimento com FPGAs da antiga Xilinx, empresa adquirida pela AMD em 2022. Ele é amplamente utilizado por engenheiros, pesquisadores, universidades e entusiastas de hardware programável.
Até a versão atual, qualquer pessoa podia baixar gratuitamente a edição padrão do Vivado tanto no Windows quanto no Linux. Isso ajudou bastante na adoção da ferramenta dentro do ecossistema open source e acadêmico, especialmente porque Linux costuma ser uma plataforma extremamente comum em ambientes de engenharia e automação.
Com o novo modelo, a AMD passa a dividir o software em cinco níveis diferentes: BASIC, CORE, PRO, ENTERPRISE e GOLD. O problema está justamente na camada BASIC. Embora ela continue sendo gratuita, o suporte ao Linux simplesmente desapareceu.
Agora, quem quiser utilizar oficialmente o Vivado no Linux precisará assinar ao menos o plano CORE, que custa entre US$ 1.200 e US$ 1.800 por ano, dependendo do tipo de licença escolhida.
A justificativa não convenceu muita gente
Na página oficial, a AMD descreve a mudança como uma forma de oferecer “mais flexibilidade” e permitir que usuários paguem apenas pelos recursos que realmente precisam. Só que a reação da comunidade foi praticamente imediata.
Usuários começaram a questionar nos fóruns oficiais por que justamente o Linux foi colocado atrás de um paywall, especialmente considerando que boa parte dos profissionais que trabalham com FPGA usam Linux em fluxos de desenvolvimento mais avançados.
Em uma das respostas mais comentadas, um moderador ligado à AMD afirmou que cerca de 70% da base de usuários do Vivado ainda utiliza Windows. Mesmo assim, a justificativa acabou gerando ainda mais críticas.
A sensação deixada para muita gente é de que a empresa enxergou o suporte Linux apenas como um “recurso premium”, ignorando completamente a importância histórica da plataforma dentro do meio acadêmico, da pesquisa e da engenharia embarcada.
Talvez o aspecto mais problemático da mudança seja o “caminho alternativo” sugerido pela própria AMD.
Nos fóruns, usuários insatisfeitos foram orientados a continuar utilizando o Vivado 2025.2 caso não queiram pagar pela nova licença. O detalhe é que essa versão perderá suporte oficial assim que o Vivado 2026.3 for lançado.
Isso coloca estudantes, makers e pequenos laboratórios em uma situação complicada: ou migram para Windows, ou ficam presos em versões antigas e eventualmente sem suporte, ou simplesmente passam a pagar uma assinatura pesada para continuar usando no Linux.
E isso pode ser um tiro no pé da AMD, considerando que muitos dos usuários que hoje usam Vivado em universidades, projetos pessoais ou pesquisa acabam se tornando amanhã profissionais responsáveis por decisões técnicas dentro de empresas.
É justamente esse tipo de comunidade que tradicionalmente constrói lealdade de longo prazo com plataformas e ferramentas.
Mais um caso de distanciamento da comunidade?
Nos últimos anos, algumas empresas têm enfrentado críticas por mudanças repentinas em modelos de licenciamento e restrições envolvendo software utilizado pela comunidade open source. O caso do Redis, que acabou gerando o fork Valkey após mudanças na licença do projeto, ainda está fresco na memória de muita gente.
Até o momento, a AMD não publicou nenhum comunicado mais detalhado respondendo às críticas. Enquanto isso, a discussão continua crescendo em fóruns, redes sociais e comunidades de hardware.
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