A empresa CIQ, principal patrocinadora comercial do projeto Rocky Linux, anunciou o lançamento do RLC Pro AI, uma nova edição de seu sistema operacional empresarial focada em cargas de trabalho de inteligência artificial.
A idéia é oferecer um Linux corporativo otimizado desde o kernel para aproveitar ao máximo hardware com GPUs, reduzindo a necessidade de ajustes manuais e simplificando a implantação de infraestrutura de IA.
O lançamento marca também um novo passo na estratégia da empresa, que vem ampliando sua atuação no mercado de Linux corporativo, um território tradicionalmente dominado por nomes como Red Hat, SUSE e Canonical.
De HPC para uma infraestrutura completa de Linux
A CIQ surgiu há cerca de seis anos com foco em computação de alto desempenho (HPC), oferecendo soluções baseadas em Linux para ambientes científicos e clusters de alto desempenho.
Com o tempo, a empresa expandiu sua visão e passou a investir em uma pilha completa de infraestrutura Linux para empresas. Parte dessa estratégia inclui o desenvolvimento do RLC Pro, uma linha comercial baseada no Rocky Linux que adiciona suporte corporativo, atualizações garantidas e recursos voltados para ambientes críticos.
O RLC Pro AI é o quarto produto dessa família, juntando-se a outras variantes voltadas para uso empresarial geral, segurança reforçada e ambientes regulados.
A relação da empresa com o universo do Enterprise Linux não é recente. O fundador e CEO da CIQ, Gregory Kurtzer, é uma figura histórica no ecossistema.
No início dos anos 2000, ele foi um dos criadores do CentOS, um clone comunitário do Red Hat Enterprise Linux que se tornou extremamente popular entre servidores corporativos.
Anos depois, após mudanças no modelo do CentOS, Kurtzer participou da criação do Rocky Linux, um projeto comunitário que rapidamente ganhou adoção como alternativa compatível com o RHEL.
A CIQ atua como patrocinadora comercial do projeto e oferece versões empresariais com suporte profissional.
Um Linux pensado para GPUs e IA
O grande diferencial do RLC Pro AI é sua abordagem GPU-first. Em vez de tratar GPUs como um complemento de hardware, o sistema foi projetado considerando desde o início fluxos de trabalho de inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Segundo a CIQ, muitas organizações investem milhões em infraestrutura de GPUs, mas acabam deixando parte do desempenho potencial inutilizado devido a limitações do sistema operacional. A ideia do RLC Pro AI é resolver esse problema no nível mais fundamental da pilha de software: o sistema operacional.
Entre as principais novidades do sistema está o CIQ Linux Kernel (CLK), um kernel baseado nas versões LTS mais recentes do kernel Linux. Ele traz suporte antecipado a hardware moderno, especialmente GPUs usadas em treinamento e inferência de modelos de IA.
Além disso, o sistema inclui uma stack de inteligência artificial pré-validada, com componentes como:
- CUDA Toolkit;
- PyTorch;
- Frameworks de inferência e machine learning;
- Drivers e módulos já testados em conjunto.
Essa integração evita a incompatibilidade entre drivers, frameworks e bibliotecas, que muitas vezes exige horas ou dias de configuração manual antes mesmo de rodar o primeiro experimento.
Outro ponto destacado pela CIQ é o ganho de desempenho obtido a partir de otimizações já aplicadas ao sistema. Com os ajustes de kernel e as demais configurações, empresas que já executam workloads de inferência em larga escala podem conseguir mais throughput utilizando o mesmo hardware.
Esse tipo de otimização tem impacto direto no custo da infraestrutura, já que GPUs modernas são extremamente caras e muitas vezes escassas.
Implantação consistente em qualquer ambiente
O RLC Pro AI também foi projetado para funcionar de forma consistente em diferentes ambientes de infraestrutura.
A mesma configuração do sistema pode ser utilizada em:
- Servidores bare metal;
- Nuvens públicas;
- Clusters HPC;
- Ambientes híbridos.
Entre as plataformas suportadas estão serviços populares como Amazon Web Services, Google Cloud e Microsoft Azure. Segundo a empresa, o objetivo é garantir que o desempenho observado em testes seja reproduzido em qualquer ambiente de produção.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!