O Zorin OS costuma aparecer com frequência quando alguém pergunta qual é a melhor porta de entrada para sair do Windows e começar no Linux. E isso não é por acaso. Existe um cuidado claro por parte dos desenvolvedores em reduzir o atrito dessa transição, algo que nem todas as distribuições priorizam com a mesma intensidade.
Agora, apenas seis meses após o lançamento da versão 18, o projeto anuncia o Zorin OS 18.1. À primeira vista, pode parecer só mais uma atualização incremental, e de certa forma, é exatamente isso. Mas, quando olhamos com mais atenção, percebemos que esse tipo de atualização diz muito sobre a maturidade do sistema.
Se os mais de 3,3 milhões de downloads da versão anterior servem como termômetro, dá pra dizer que o Zorin OS não só chamou atenção, como efetivamente ajudou muita gente a abandonar o Windows. E isso cria um efeito colateral interessante: cada novo lançamento passa a carregar mais responsabilidade. Não é apenas uma questão de adicionar recursos, mas de manter uma experiência consistente para uma base de usuários cada vez maior.
Antes de qualquer coisa, vale alinhar a expectativa. Esse ainda não é o Zorin 19. As mudanças mais profundas devem ficar para esse próximo ciclo. O 18.1 entra como um refinamento e, curiosamente, é justamente esse tipo de atualização que costuma fazer mais diferença no uso cotidiano.
Mudanças que você quase não vê
Visualmente, pouca coisa muda. Se você já usa o Zorin 18, dificilmente vai bater o olho no sistema e perceber algo diferente. E isso não é um problema; na verdade, é uma escolha consciente.
A maior parte das melhorias está “por baixo do capô”. É aquele tipo de ajuste que não aparece em screenshots, mas melhora a fluidez, compatibilidade e estabilidade. Em outras palavras, o sistema fica mais sólido sem precisar reinventar a interface.
E isso faz sentido dentro da proposta do Zorin. Diferente de outras distros que apostam em mudanças visuais frequentes, aqui a ideia é oferecer previsibilidade. Quem vem do Windows, especialmente, tende a valorizar esse tipo de consistência.

Migração do Windows ainda mais amigável
Um dos pilares do Zorin OS sempre foi facilitar a vida de quem está migrando. E, no 18.1, essa experiência recebeu um upgrade interessante.
O sistema que detecta instaladores .exe e sugere alternativas para Linux cresceu mais de 40%. Isso significa que agora existem mais de 240 aplicativos mapeados. Ou seja, aumentam bastante as chances de você tentar instalar algo do Windows e o sistema conseguir indicar um caminho melhor.
Esse recurso vai além de simplesmente sugerir programas disponíveis na loja. Ele também considera web apps, algo que o próprio Zorin já vinha integrando desde a versão 18, e até alternativas para softwares que simplesmente não existem no Linux.

Um exemplo clássico é o Microsoft Outlook. Não existe uma versão nativa completa dele para Linux, mas o sistema pode sugerir opções como o Thunderbird ou o Evolution, que cumprem bem esse papel.
Se nenhuma dessas alternativas for suficiente, o Zorin ainda tenta executar o instalador via Wine, automatizando um processo que, para usuários iniciantes, costuma ser confuso.
Esse é um daqueles recursos que usuários mais experientes talvez subestimem. Mas, para quem passou anos no Windows e não domina o ecossistema Linux, isso pode ser a diferença entre continuar usando o sistema ou desistir no primeiro obstáculo.
Refinamentos no desktop
Mesmo sem mudanças visuais drásticas, o desktop recebeu ajustes importantes. A gestão avançada de janelas, por exemplo, ficou mais flexível. Agora é possível reorganizar layouts com mais facilidade e trazer janelas lado a lado para o primeiro plano simultaneamente.

O sistema de indicadores (tray) também evoluiu. Agora existe um controle mais direto sobre quais ícones aparecem, permitindo uma personalização mais granular sem precisar recorrer a soluções externas.

Outro ponto interessante, embora mais específico, é o suporte aprimorado para idiomas com escrita da direita para a esquerda. O painel pode ser invertido, adaptando melhor a interface para esses usuários. Pode não impactar todo mundo, mas mostra uma preocupação com acessibilidade global.
Atualizações de aplicativos e base do sistema
Entre os aplicativos, o destaque vai para o LibreOffice, que chega à versão 26.2. Assim como o próprio Zorin 18.1, essa atualização foca mais em estabilidade e melhorias incrementais do que em grandes novidades.
Ainda assim, existem avanços importantes, como melhor compatibilidade com arquivos do Microsoft 365, suporte aprimorado a Markdown e ganhos de desempenho no Calc.

Além disso, praticamente todos os aplicativos do sistema foram atualizados em relação ao lançamento original da versão 18. Isso reduz a necessidade de downloads adicionais logo após a instalação, algo que contribui para uma experiência mais fluida.
Outro ponto que continua sendo um diferencial é o suporte nativo aos três principais formatos de aplicativos universais do Linux: Flatpak, Snap e AppImage. Isso dá ao usuário uma flexibilidade maior na hora de instalar programas, sem precisar se preocupar tanto com compatibilidade.
Desempenho “de graça”
Existe uma ideia recorrente no mundo do Windows de que atualizações costumam deixar o sistema mais pesado. No Linux, especialmente em distribuições bem mantidas, o efeito muitas vezes é o oposto. O Zorin OS 18.1 é um bom exemplo disso.
Ele passa a utilizar o kernel Linux 6.17, o mesmo presente no Ubuntu 25.10. Isso traz melhorias importantes de compatibilidade, especialmente para hardware mais recente. Placas de vídeo da NVIDIA, GPUs integradas modernas da Intel e soluções da AMD se beneficiam diretamente dessas atualizações, principalmente em laptops com gráficos híbridos.
Também há suporte ampliado para dispositivos mais novos, incluindo linhas recentes de notebooks e alguns portáteis voltados para jogos. Ainda assim, vale o bom senso: o Zorin continua sendo pensado principalmente para desktop tradicional, não necessariamente para esse tipo de hardware mais específico.
Isso não impede, claro, que ele seja usado para jogar. Pelo contrário, o suporte a controles, incluindo os do PlayStation 5 DualSense controller, também foi aprimorado.
Um detalhe importante: apesar do kernel mais novo, o sistema continua baseado no Ubuntu 24.04 LTS. Isso acontece por causa do programa HWE (Hardware Enablement), que permite atualizar componentes críticos sem abandonar a base estável. Dessa maneira, temos a estabilidade de uma versão LTS com suporte a hardware mais recente.
O retorno inesperado do Zorin Lite
Talvez a maior surpresa do lançamento seja a volta do Zorin OS Lite. Para quem não lembra, essa versão voltada para computadores mais modestos havia sido descontinuada, ou pelo menos era isso que parecia. Mas ela retorna no 18.1 com a interface XFCE.
Essa edição traz o XFCE 4.20, um gerenciador de arquivos ajustado para manter a identidade visual do sistema, suporte a leitor de impressão digital e até o aplicativo de web apps. Com ele, máquinas mais antigas podem ganhar uma nova vida sem abrir mão completamente da experiência do Zorin.
Mas existe um detalhe importante: tudo indica que essa será, de fato, a última versão do Lite. A própria equipe já havia sinalizado que a linha não continuaria após a série 18. Por outro lado, existe um lado positivo. Assim como as versões Core e Pro, o Lite terá suporte até 2029. Isso ainda garante alguns bons anos de uso seguro.
A experiência entre a versão principal (baseada em GNOME) e o Lite (baseado em XFCE) é diferente, mas não completamente distante. O fluxo de uso continua familiar, mesmo com as limitações naturais de um ambiente mais leve.

Atualizar ou não atualizar?
Quando falamos de atualizações pontuais como essa, a resposta costuma ser simples. Se você já está no Zorin 18, basta manter o sistema atualizado. O upgrade para o 18.1 acontece de forma automática, sem complicações.
Para quem ainda está no Zorin 17, a atualização direta também é possível. Ainda assim, dependendo do caso, uma instalação limpa pode ser uma escolha mais interessante, especialmente se o sistema já passou por muitas modificações ao longo do tempo.
Independentemente do caminho, uma coisa é certa: não existe muita razão para permanecer em versões antigas.
E o Zorin 19?
Mesmo com todas essas melhorias, é natural que a atenção já comece a se voltar para o próximo grande lançamento. O Zorin 19 ainda não tem data confirmada, mas deve ser baseado no Ubuntu 26.04 LTS. Isso por si só já indica um salto considerável em termos de base tecnológica.
Novos kernels, versões mais recentes do GNOME, melhorias no Wayland, suporte ampliado a recursos como VRR e, possivelmente, HDR… muita coisa deve chegar automaticamente por conta dessa mudança de base. Mas o mais interessante ainda está em aberto: quais serão as mudanças próprias do Zorin?
Historicamente, o projeto não se limita a empacotar o que vem do Ubuntu. Existe um esforço em adaptar e melhorar a experiência, especialmente para quem está migrando de outros sistemas. E talvez seja exatamente isso que vai definir o impacto do Zorin 19.
Vale a pena em 2026?
A pergunta continua válida: o Zorin OS ainda é a melhor porta de entrada para o Linux? A resposta, como quase tudo nesse universo, depende do perfil de quem está usando. Mas é difícil ignorar o trabalho consistente que vem sendo feito aqui.
O Zorin OS 18.1 não tenta reinventar nada. Ele melhora o que já funcionava, corrige o que precisava de ajuste e amplia a compatibilidade com o que muitos usuários querem. E, no fim das contas, é isso que muita gente precisa.
Não se trata do sistema mais moderno ou mais cheio de recursos experimentais. Mas é um ambiente confiável, previsível e que funciona bem no dia a dia. Se a ideia é sair do Windows sem dor de cabeça, o Zorin continua sendo uma das opções mais fáceis de recomendar.
Mas e você? Ainda considera o Zorin OS a melhor porta de entrada para o Linux hoje? Ou acha que outras distribuições já superaram essa proposta?Conte para nós pelos comentários e interaja com a comunidade do fórum Diolinux Plus!