Crise da memória atinge até tecnologias antigas e faz preços de DDR2 e DDR3 dispararem

Crise da memória atinge até tecnologias antigas e faz preços de DDR2 e DDR3 dispararem

A escassez global de memória RAM ganhou um novo capítulo bizarro. Depois de meses acompanhando a alta nos preços de módulos DDR4 e DDR5, o mercado agora vê até tecnologias consideradas ultrapassadas, como DDR2 e DDR3, ficando mais caras, segundo dados da TrendForce.

O problema tem origem na corrida da indústria por infraestrutura de inteligência artificial. Fabricantes de memória vêm priorizando a produção de chips mais lucrativos, como HBM (High Bandwidth Memory) e memórias voltadas para servidores e aceleradores de IA. Com isso, sobra menos capacidade de fabricação para os módulos utilizados em PCs, notebooks, smartphones, equipamentos industriais e sistemas embarcados.

Empresas estão recorrendo a memórias mais antigas

De acordo com a TrendForce, alguns fabricantes de hardware começaram a redesenhar produtos para utilizar memórias DDR3 em vez de DDR4. Em casos ainda mais extremos, equipamentos originalmente baseados em DDR3 estariam sendo adaptados para operar com DDR2.

Embora isso pareça improvável no mercado de computadores pessoais modernos, a prática faz sentido em segmentos industriais, automação, equipamentos médicos, sistemas embarcados e dispositivos que permanecem anos sem alterações de projeto. Nesses setores, a disponibilidade dos componentes costuma ser mais importante do que o desempenho absoluto.

A estratégia permite que fabricantes mantenham suas linhas de produção funcionando enquanto enfrentam dificuldades para garantir o fornecimento de memórias mais recentes.

DDR2 volta a subir de preço

O efeito colateral dessa migração é que até mesmo as memórias antigas estão ficando escassas. A TrendForce estima que os contratos de fornecimento de DDR2 tiveram aumento entre 55% e 60% no segundo trimestre de 2026. Para o terceiro trimestre, a expectativa é de uma nova alta entre 35% e 40%.

O aumento ocorre porque empresas estão comprando volumes maiores para garantir estoque, enquanto a produção dessas memórias continua diminuindo.

Parte do problema vem da própria oferta. Fabricantes como a empresa taiwanesa Winbond vêm reduzindo gradualmente a produção de DDR2 para concentrar recursos em tecnologias mais rentáveis, como DDR3, DDR4 e LPDDR4.

Ao mesmo tempo, outras fabricantes tentam preencher essa lacuna. A ESMT (Elite Semiconductor Microelectronics Technology), também de Taiwan, estaria ampliando ao máximo sua produção de DDR2 dentro da capacidade disponível para aproveitar a alta demanda e melhorar sua rentabilidade.

Mesmo assim, o aumento da oferta não parece suficiente para equilibrar o mercado no curto prazo.

Quando a situação deve melhorar?

Os grandes fabricantes de memória já anunciaram planos de expansão, mas os resultados ainda devem demorar alguns anos para aparecer.

A SK hynix pretende dobrar sua capacidade de produção de wafers ao longo dos próximos cinco anos. Já a Micron aposta em novas fábricas nos Estados Unidos, com capacidade adicional prevista apenas para 2027 e 2028.

Até lá, a tendência é que a pressão sobre a cadeia de suprimentos continue afetando não apenas memórias modernas, mas também componentes que muitos consideravam praticamente aposentados.

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