Estudo aponta que empresas que investem mais em IA também contratam mais

Estudo aponta que empresas que investem mais em IA também contratam mais

A ideia de que a inteligência artificial inevitavelmente substituirá trabalhadores ganhou força nos últimos anos, impulsionada por demissões em massa e pelo avanço acelerado dos modelos generativos. No entanto, um novo estudo realizado pela empresa de tecnologia financeira Ramp, em parceria com a Revelio Labs, apresenta um cenário um pouco diferente: empresas que investem fortemente em IA acabam contratando mais funcionários ao longo do tempo.

A pesquisa analisou dados de mais de 21 mil empresas nos Estados Unidos e concluiu que organizações com maior intensidade de adoção de inteligência artificial registram crescimento no número de empregados. O detalhe é que esse efeito não acontece imediatamente.

O impacto aparece meses depois

Segundo o levantamento, empresas que realizam investimentos significativos em IA aumentam seu quadro de funcionários em cerca de 10,2% nos dois anos seguintes à adoção da tecnologia. Esse crescimento, porém, só começa a aparecer entre seis e doze meses após o início dos investimentos.

Os pesquisadores acreditam que esse intervalo representa o tempo necessário para que a tecnologia seja incorporada aos processos internos e para que as equipes aprendam a utilizá-la de forma eficiente. Já empresas que fazem investimentos mais modestos em IA praticamente não apresentaram mudanças estatisticamente relevantes na quantidade de funcionários.

O que significa “investir pesado” em IA?

O estudo divide as empresas em dois grupos.

As chamadas adotantes de alta intensidade investiram, em média, cerca de US$ 33,67 por funcionário por mês em ferramentas de inteligência artificial durante os primeiros meses de implementação.

Já as empresas classificadas como adotantes de baixa intensidade gastaram aproximadamente US$ 2,78 por colaborador no mesmo período.

A IA muda o perfil das contratações

O maior crescimento foi entre profissionais em início de carreira. Segundo Ara Kharazian, economista-chefe da Ramp e um dos responsáveis pelo estudo, o número de vagas para profissionais de entrada aumentou cerca de 12% ao longo dos dois anos analisados.

A hipótese levantada pelos pesquisadores é que essas empresas estejam buscando funcionários já familiarizados com ferramentas de IA, capazes de extrair valor delas desde o início.

Isso não significa necessariamente que o mercado esteja mais favorável para recém-formados. Dados do Federal Reserve de Nova York mostram que, em março de 2026, a taxa de desemprego entre recém-graduados era de 5,6%, acima da média geral dos trabalhadores americanos.

Em outras palavras, embora algumas empresas estejam criando novas vagas, isso ainda não se traduz em uma melhora significativa para todo o mercado de trabalho.

Nem tudo são boas notícias

O estudo também faz uma ressalva importante. Empresas que investem pesado em IA normalmente já são organizações em crescimento acelerado. Isso torna difícil afirmar com absoluta certeza que foi a inteligência artificial a responsável direta pelo aumento das contratações.

Os autores afirmam ter levado esse fator em consideração ao comparar empresas que adotaram IA cedo com organizações semelhantes que ainda não haviam iniciado esse processo.

Ainda assim, a relação encontrada representa uma correlação, não necessariamente uma prova de causalidade.

Custos e controle continuam preocupando

Ao mesmo tempo em que a IA desperta interesse, muitas empresas também demonstram preocupação com os custos e com a dependência de grandes provedores de modelos. Durante uma entrevista recente à CNBC, o CEO da Palantir, Alex Karp, afirmou que organizações querem manter o controle sobre sua infraestrutura, seus dados e seus modelos, em vez de depender totalmente de plataformas externas.

Segundo ele, questões como propriedade dos dados, segurança das informações e previsibilidade de custos ainda precisam ser resolvidas para que a IA seja adotada em larga escala de forma sustentável.

Essa preocupação também aparece em governos e grandes empresas, que buscam alternativas capazes de oferecer maior controle sobre seus próprios ambientes computacionais.

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