Atualizar o kernel faz parte da rotina de qualquer distribuição Linux. O que muitos usuários não percebem é que, a cada atualização, versões anteriores continuam armazenadas no sistema. Essa prática tem uma justificativa importante. Manter kernels antigos permite reverter rapidamente uma atualização problemática e restaurar o funcionamento do computador caso algo dê errado.
O problema é que, com o passar do tempo, essas versões começam a se acumular. Embora cada kernel ocupe relativamente pouco espaço quando analisado isoladamente, meses ou anos de atualizações podem transformar esse acúmulo em um desperdício considerável de armazenamento.
Pensando nisso, o Linux Mint está preparando uma nova ferramenta para automatizar o gerenciamento dos kernels instalados. A novidade foi apresentada na atualização mensal do projeto e deve estrear na próxima versão da distribuição.
O gerenciamento de kernels está mudando no Linux Mint
Historicamente, o Linux Mint permitia visualizar e remover kernels diretamente pelo Gerenciador de Atualizações. Essa funcionalidade, porém, está sendo removida e está sendo completamente reformulada. A nova implementação ficará centralizada na ferramenta Administração do Sistema, que passa a concentrar as configurações relacionadas ao gerenciamento do sistema operacional.
A principal diferença está na forma como os kernels serão tratados. Em vez de apresentar uma lista com versões individuais, a nova ferramenta organiza os kernels por séries. O usuário define quais séries deseja acompanhar e quantas versões anteriores devem permanecer instaladas.

Depois dessa configuração inicial, o restante do processo acontece automaticamente. As atualizações continuarão chegando normalmente pelo Gerenciador de Atualizações, enquanto os kernels mais antigos serão removidos em uma verificação semanal realizada pelo próprio sistema.
Mais controle para o usuário
Uma das características mais interessantes da nova ferramenta é o nível de personalização. Além da limpeza automática, os usuários poderão executar a remoção manualmente sempre que precisarem liberar espaço imediatamente.
Também será possível visualizar um histórico com os kernels removidos e a data em que cada limpeza foi realizada. Outro recurso importante é a proteção individual de versões específicas. Se um kernel for marcado como protegido, ele ficará imune ao processo de limpeza automática, independentemente da série à qual pertence ou da quantidade de versões armazenadas.
A ferramenta também reconhece kernels personalizados, incluindo variantes OEM e versões com suporte a tempo real (Real Time). Nesse caso, o sistema identifica que se trata de uma série não convencional e informa que a responsabilidade pelas futuras atualizações passa a ser do usuário.
O Fedora resolveu esse problema há muito tempo
Embora a novidade seja interessante, a ideia não é exatamente inédita. Usuários do Fedora convivem com um mecanismo semelhante há vários anos. No Fedora, o gerenciamento dos kernels é realizado diretamente pelo DNF, o gerenciador de pacotes da distribuição.
A configuração responsável por esse comportamento é chamada installonly_limit, que mantém, por padrão, apenas as três versões mais recentes do kernel instaladas no sistema.
Quando uma nova atualização é aplicada, o DNF remove automaticamente as versões mais antigas durante a própria instalação dos pacotes. Isso significa que não existe um processo de limpeza separado.
Duas abordagens diferentes para o mesmo problema
Apesar de terem o mesmo objetivo, Fedora e Linux Mint adotam estratégias bastante diferentes. No Fedora, o gerenciamento acontece durante a atualização dos pacotes. Trata-se de uma solução praticamente invisível para o usuário e que exige pouca ou nenhuma intervenção.
O Linux Mint optou por uma abordagem mais flexível. Em vez de estabelecer um limite fixo, a nova ferramenta permitirá definir quais séries devem ser mantidas, quantas versões anteriores devem permanecer armazenadas e quais kernels devem ser protegidos contra a remoção automática.
A proposta parece estar alinhada com a filosofia da distribuição, que tradicionalmente oferece ferramentas gráficas para simplificar tarefas administrativas sem abrir mão da possibilidade de personalização.
O gerenciamento automático de kernels não foi a única novidade apresentada pelos desenvolvedores. O Linux Mint 22.3 recebeu novas imagens HWE (Hardware Enablement) baseadas no kernel Linux 7.0, ampliando o suporte a hardware mais recente.
O Cinnamon também passou a oferecer suporte ao Fcitx5, garantindo um comportamento consistente tanto no Wayland quanto no X11. Além disso, a ferramenta Administração do Sistema ganhou uma nova página dedicada às variáveis de ambiente, permitindo configurar parâmetros globais que serão aplicados a todas as sessões do sistema.

Embora ainda esteja em desenvolvimento, a nova ferramenta de gerenciamento de kernels mostra que o Linux Mint continua investindo em uma de suas principais características: transformar tarefas potencialmente complexas em configurações tão simples e acessíveis quanto possível.
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