Foi assim que me tornei um bom programador no longo prazo

Foi assim que me tornei um bom programador no longo prazo

Aprender programação pode começar de muitas formas: com entusiasmo, por curiosidade ou até com frustração. Muitos profissionais relatam que, no início, a sensação é de incapacidade: o código não faz sentido, os erros parecem intransponíveis e o progresso é lento. Mas, em geral, o diferencial do programador que evolui não é um “dom” especial, e sim a disposição para insistir, estudar com propósito e aprender com os erros.

Com o tempo, quem progride percebe que inteligência isolada importa menos que o esforço e a constância. Entender que nem todo mundo nasce “gênio” é libertador. O que realmente sustenta uma carreira técnica é a capacidade de aprender continuamente, errar, ajustar e seguir em frente.

A partir daí, o foco muda: não se trata mais de “saber tudo”, mas de resolver problemas. Bons programadores entendem que escrever código é só uma parte do trabalho. A outra, talvez a mais importante, é compreender o contexto do cliente ou do produto, identificar o que realmente precisa ser resolvido e entregar algo útil o mais cedo possível.

Esforço vence talento

Um erro comum é desistir cedo demais ou se comparar com pessoas que parecem aprender com facilidade. A programação é uma área extensa e, inevitavelmente, cada um aprende em ritmos diferentes. O segredo está em ser disciplinado: praticar todos os dias, revisar o que já aprendeu e buscar entender conceitos fundamentais em vez de decorar respostas.

Quem progride costuma adotar uma mentalidade de longo prazo: o progresso é construído em camadas, e não de uma vez. Com o tempo, o que parecia impossível torna-se natural.

Outro obstáculo comum é o excesso de zelo técnico, o desejo de aperfeiçoar tanto o código que o produto nunca fica pronto. Esse comportamento, conhecido como overengineering, faz muitos projetos empacarem.

Quanto mais tempo uma pessoa gasta lapidando uma solução, maior tende a ser o medo de descobrir que ela não funciona tão bem quanto imaginado. Por isso, é importante entregar cedo, testar com usuários reais e corrigir o rumo com base em feedback. O software só tem valor quando está nas mãos de quem o usa. É melhor um produto simples e funcional do que uma obra-prima que nunca sai do papel.

Evoluir é simplificar

A jornada profissional costuma seguir três estágios: o iniciante escreve códigos simples porque ainda não sabe fazer diferente; o intermediário complica tudo para provar que domina; o experiente volta à simplicidade, mas agora com consciência.

Ser sênior não é dominar todas as tecnologias, mas saber escolher o caminho mais eficiente. É entender que tempo, clareza e manutenção valem tanto quanto inovação. Isso exige maturidade técnica e empatia: pensar no time, no cliente e na sustentabilidade do projeto.

Uma boa metáfora para o trabalho de um programador é a de um médico. O bom profissional não aplica o remédio mais sofisticado, e sim o tratamento certo para o diagnóstico certo. No desenvolvimento de software, o raciocínio é o mesmo: identificar a dor, entender a causa e aplicar a solução com o menor esforço possível.

Isso exige escuta ativa, capacidade de análise e comunicação. Um código brilhante que não resolve o problema do cliente é como um remédio cheio de conceitos, mas que não cura.

Tornar-se um bom programador é um processo de prática, paciência e propósito. É entender que o código é um meio, não um fim. Mais do que dominar uma linguagem, ser um bom programador é entender pessoas e transformar necessidades em soluções funcionais, com empatia, clareza e consistência.

Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista na íntegra ao episódio onde conversamos com Filipe Deschamps, uma das figuras mais proeminentes e respeitadas no cenário brasileiro de tecnologia. Nossa conversa mergulha em tópicos fundamentais e atuais. Desde sobre o que realmente constitui um código de alta qualidade até inteligência artificial e o papel do programador nesse contexto.