GNOME diz “não” às extensões feitas por IA

GNOME diz “não” às extensões feitas por IA

O projeto GNOME atualizou oficialmente suas diretrizes de revisão para rejeitar extensões para o ambiente desktop geradas por inteligência artificial que apresentem sinais de código de baixa qualidade ou “vibe coding”, o ato de gerar código sem entendê-lo. A medida visa proteger a saúde e a segurança do ecossistema de extensões, que vinha sendo sobrecarregado por submissões com padrões problemáticos.

A mudança, detalhada pelo desenvolvedor e revisor Javad Rahmatzadeh, não proíbe o uso de IA como ferramenta de aprendizado ou para conclusão de código, mas traça uma linha clara contra o uso da tecnologia para gerar extensões inteiras sem que o desenvolvedor compreenda a fundo o que está sendo enviado. O foco está na qualidade e na manutenibilidade do código, não na ferramenta em si.

As novas regras

Segundo a diretriz atualizada, extensões com os seguintes indícios serão rejeitadas:

  • Grandes quantidades de código desnecessário: Como blocos try-catch redundantes envolvendo chamadas de função simples e conhecidas;
  • Estilo de código inconsistente: Mistura de padrões e convenções dentro do mesmo projeto;
  • Uso de APIs imaginárias: Referência a funções ou bibliotecas que não existem no ecossistema GNOME;
  • Comentários que servem como prompts para LLM: Textos no código que claramente foram escritos para instruir um modelo de linguagem;
  • Qualquer outra indicação clara de que o código foi gerado por IA sem a devida curadoria e entendimento humano.

O problema prático que motivou a regra é o volume. Rahmatzadeh relatou passar mais de seis horas em alguns dias revisando mais de 15.000 linhas de código, um fluxo inchado por submissões de IA de baixa qualidade. Pior que o volume é o “efeito dominó”: más práticas introduzidas por IA em uma extensão começam a se repetir em outras, degradando o padrão do ecossistema.

Distinguindo a ferramenta da inação

Essa política não é um banimento da IA. O GNOME reconhece o valor dessas ferramentas para desenvolvedores.

Segue permitido usar IA como assistente de aprendizado, para explicar conceitos, sugerir snippets de código específicos, ajudar a debugar ou completar linhas de forma inteligente (como o GitHub Copilot).

Entretanto, é rejeitado quando se copia e cola blocos extensos de código gerado por IA sem revisão, sem entendimento, nem capacidade de justificar as escolhas feitas. Relatos indicam que alguns desenvolvedores, quando questionados sobre seu código, respondiam com explicações também geradas por IA, evidenciando a falta de domínio.

Essa decisão do GNOME remete ao debate crescente em comunidades de código aberto sobre o papel da IA generativa. Não se trata de resistência à tecnologia, mas de preservação da qualidade, segurança e sustentabilidade dos projetos.

Outros projetos, como o navegador de imagens Loupe (também do ecossistema GNOME), já adotaram políticas semelhantes, banindo contribuições geradas por IA em código, documentação e arte, citando preocupações com qualidade e potenciais violações de direitos autorais. O Fedora também abordou o tema do “vibe-coding”, embora de uma forma um pouco diferente.

Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!