Um dos componentes mais marcantes da história do desktop Linux acaba de ganhar uma nova chance de continuar relevante, ainda que fora do caminho oficial. O toolkit GTK2, amplamente utilizado na era do GNOME 2, recebeu um fork comunitário chamado GTK2-NG.
A proposta não é trazer o GTK2 de volta ao desenvolvimento principal, mas sim garantir que ele continue funcionando em sistemas modernos, algo cada vez mais difícil com o passar do tempo.
Um esforço comunitário para manter o legado
O GTK2-NG surgiu dentro da comunidade do Devuan e mantém como base o código original do GTK2, adicionando correções e ajustes necessários para que ele continue compilando e rodando em ambientes atuais.
É importante deixar claro: esse projeto não tem qualquer ligação oficial com o time do GTK ou com o GNOME. Diferente de outros projetos que tentam modernizar completamente tecnologias antigas, o GTK2-NG segue um caminho mais conservador.
A prioridade é manter a compatibilidade com o comportamento original, preservando API e ABI. Isso permite que aplicações antigas continuem funcionando sem necessidade de grandes adaptações.
Esse cuidado é essencial para quem ainda depende de softwares que nunca foram migrados para versões mais recentes do GTK. E não são poucos os casos.
Aplicativos clássicos, ferramentas específicas e até alguns ambientes gráficos ainda utilizam GTK2. Em muitos casos, esses softwares continuam funcionando perfeitamente, o problema está apenas na base que começa a desaparecer das distribuições modernas.
Ajustes para sistemas atuais
Mesmo com essa abordagem conservadora, o fork já traz melhorias importantes. Entre elas estão correções de avisos em compiladores modernos, suporte atualizado para versões recentes de ferramentas como GCC e Clang, além da incorporação de patches que já vinham sendo mantidos por comunidades como a do Arch Linux.
Testes iniciais indicam que o GTK2-NG já funciona com aplicações reais, como o editor de texto Leafpad, além de demonstrar compatibilidade com toolchains atuais
A existência de um fork como esse também revela um cenário mais amplo: o GTK2 está sendo abandonado pelas distribuições.
Projetos importantes já deram passos nessa direção. O GTK2 deixou de ser incluído em versões recentes de sistemas corporativos, foi removido de repositórios principais e, em alguns casos, passou a existir apenas em repositórios comunitários.
Esse movimento é natural. Tecnologias evoluem, e manter a compatibilidade com versões antigas tem um custo alto. Mas isso também cria um problema para quem ainda depende desse software legado.
É exatamente nesse espaço que o GTK2-NG se encaixa.
Usuários que mantêm sistemas leves, ambientes retro, ou que utilizam ferramentas antigas sem substitutos diretos podem se beneficiar bastante desse tipo de iniciativa. Em vez de migrar todo um fluxo de trabalho, passa a existir a opção de manter o que já funciona.
Além disso, há planos de expandir testes com aplicações mais complexas e ambientes completos baseados em GTK2, o que pode fortalecer ainda mais a viabilidade do projeto.
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