Microsoft aproxima ainda mais o Azure Linux do Fedora

Microsoft aproxima ainda mais o Azure Linux do Fedora

A relação da Microsoft com o Linux já deixou de ser uma surpresa faz tempo. Mas agora a empresa deu mais um passo interessante nessa aproximação: o futuro Azure Linux 4 será oficialmente baseado no Fedora.

A mudança confirma rumores e movimentações que já vinham aparecendo nas últimas semanas, mas agora a própria Microsoft descreve o sistema como “uma distribuição open source construída e otimizada para o Azure, com fontes derivadas do Fedora Linux”.

O que é o Azure Linux?

Pra quem não acompanha muito esse lado mais corporativo do Linux, o Azure Linux é a distribuição interna da Microsoft voltada para infraestrutura em nuvem. Ela nasceu como CBL-Mariner, um sistema minimalista criado para rodar máquinas virtuais, containers e serviços dentro da Azure, a plataforma de cloud da Microsoft.

Com o tempo, o projeto começou a crescer bastante. A empresa passou a utilizar o sistema em várias áreas internas, incluindo partes da infraestrutura do LinkedIn e diversos serviços próprios. Agora, com o Azure Linux 4, a Microsoft está reorganizando completamente a base do sistema.

Fedora vira a fundação do projeto

Até então, o Azure Linux já utilizava RPMs, o formato de pacotes popularizado por distribuições como Fedora, RHEL e openSUSE. Mas agora a integração ficou muito mais profunda.

Segundo a Microsoft, o Azure Linux 4 será construído diretamente em cima do ecossistema do Fedora, utilizando:

  • Fontes de empacotamento do Fedora;
  • Ferramentas tradicionais como rpmbuild, mock e Koji;
  • Specs derivados diretamente do upstream;
  • Um sistema de overlays para aplicar customizações específicas da Azure.

A ideia é evitar forks gigantescos e manter o máximo possível de compatibilidade com o que já existe no Fedora. Em vez de reinventar tudo, a Microsoft agora basicamente aproveita a enorme infraestrutura do Fedora como fundação do sistema.

Apesar da mudança, o Azure Linux continua sendo uma distribuição extremamente focada em servidores, containers e workloads de nuvem. O objetivo aqui não é competir com Ubuntu Desktop, Fedora Workstation ou algo voltado para usuários comuns.

A Microsoft continua adicionando várias customizações próprias envolvendo:

  • Segurança;
  • Compliance corporativo;
  • Kernel otimizado para Azure;
  • Integração nativa com serviços da empresa;
  • Gerenciamento de ciclo de vida;
  • Infraestrutura cloud.

Ou seja, o Fedora entra como base tecnológica, mas o Azure Linux continua sendo um sistema altamente especializado.

Uma das partes mais curiosas do anúncio é a preocupação explícita da Microsoft em evitar divergência desnecessária do Fedora. Segundo o repositório oficial, as alterações específicas do Azure Linux são feitas através de “overlays declarativos”, aplicados sobre os pacotes originais do Fedora.

Isso é importante porque distribuições corporativas costumam acabar criando enormes forks difíceis de manter ao longo do tempo. Aqui a proposta parece ser diferente: aproveitar o máximo possível do trabalho upstream e modificar apenas o necessário.

Inclusive, os arquivos .spec gerados automaticamente ficam disponíveis no repositório justamente por questões de transparência e auditoria.

Essa mudança também mostra como o Fedora vem se tornando uma peça cada vez mais importante dentro do ecossistema Linux corporativo. Nos últimos anos vimos o crescimento do Fedora CoreOS, o fortalecimento do Silverblue e sistemas imutáveis, o KDE recebendo investimentos pesados e empresas adotando tecnologias do Fedora como base.

E agora até a Microsoft resolveu usar o Fedora como fundação para uma das suas distribuições internas. É uma movimentação interessante principalmente porque, historicamente, a Microsoft sempre teve uma relação muito mais próxima de Ubuntu e SUSE dentro da Azure. Agora o Fedora entra oficialmente nesse grupo.

Vale lembrar que o Azure Linux 4 ainda está em desenvolvimento e não possui downloads públicos disponíveis. Por enquanto, a própria Microsoft recomenda que usuários continuem utilizando o Azure Linux 3.

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