O Ubuntu 26.04 LTS chegará ao RISC-V com o SpacemiT K3

O Ubuntu 26.04 LTS chegará ao RISC-V com o SpacemiT K3

Há alguns anos o Canonical vem apoiando arquiteturas alternativas ao x86. Agora, a empresa anunciou uma parceria com a SpacemiT para levar oficialmente o Ubuntu 26.04 LTS ao K3, um processador RISC-V compatível com o perfil RVA23, considerado por entusiastas como um marco importante para a maturidade da arquitetura. 

O SpacemiT K3 é um dos primeiros chips RISC-V disponíveis comercialmente que atende ao padrão RVA23, um conjunto de recursos obrigatórios introduzido para aproximar o RISC-V das capacidades vistas em CPUs ARM modernas. Entre esses recursos estão o suporte a virtualização por hardware, extensões avançadas de segurança e computação vetorial, fundamentais para cargas de trabalho em inteligência artificial e computação de alto desempenho.

Segundo a Canonical, o Ubuntu 26.04 LTS será totalmente compatível com o K3 no lançamento oficial da distribuição, previsto para abril de 2026. Isso significa que desenvolvedores poderão usar o sistema com suporte completo, acesso aos repositórios oficiais e integração nativa com o hardware, sem depender de builds experimentais ou imagens mantidas pela comunidade.

Além do K3, a parceria também contempla o SpacemiT K1, um chip RISC-V mais antigo e bastante difundido, mas que não suporta o perfil RVA23. Como a Canonical elevou o baseline da arquitetura RISC-V para RVA23 a partir do Ubuntu 25.10, o K1 ficará limitado ao Ubuntu 24.04 LTS, garantindo suporte estável, mas sem acesso às versões mais novas do sistema. Ainda assim, a decisão é vista como positiva, já que mantém o K1 relevante para projetos de edge computing, educação e dispositivos embarcados.

Em termos técnicos, o SpacemiT K3 impressiona no papel. Ele conta com 8 núcleos RISC-V rodando a até 2,4 GHz, suporte a até 32 GB de memória LPDDR5 e capacidade de processamento de até 60 TOPs voltados para IA, mirando aplicações como robótica, visão computacional, automação industrial e inferência de modelos no edge. Já o K1, mais modesto, oferece 2 TOPs de desempenho em IA e até 16 GB de RAM, sendo amplamente utilizado em dispositivos como notebooks e placas de desenvolvimento da própria SpacemiT.

Apesar de o RISC-V ainda não ser uma escolha comum para desktops domésticos, ele está longe de ser irrelevante. Dados recentes da RISC-V International indicam que a arquitetura já alcançou cerca de 25% de participação de mercado em segmentos como IoT, automotivo, robótica e edge computing. Com a chegada do RVA23 e de sistemas operacionais maduros como o Ubuntu, essa fatia tende a crescer.

Do ponto de vista estratégico, a Canonical aposta no longo prazo. Ao padronizar o suporte em torno do RVA23 e trabalhar diretamente com fabricantes de silício, a empresa busca tornar o Ubuntu o sistema operacional de referência para RISC-V, repetindo o papel que desempenhou no ARM ao longo da última década.

Para a maioria dos usuários, isso não significa que notebooks ou PCs RISC-V vão substituir máquinas x86 tão cedo. Mas, para desenvolvedores, empresas e pesquisadores que já trabalham com essa arquitetura, a chegada do Ubuntu 26.04 LTS ao SpacemiT K3 representa um passo importante rumo a um ecossistema mais maduro, previsível e pronto para produção.

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