O Ubuntu 26.04 LTS terá um GNOME mais “Vanilla”

O Ubuntu 26.04 LTS terá um GNOME mais “Vanilla”

O Ubuntu 26.04 LTS se prepara para adotar uma abordagem mais próxima do GNOME Shell original, marcando uma mudança técnica significativa na filosofia de personalização da distribuição. A equipe do tema Yaru anunciou um refatoramento que reduzirá drasticamente a carga de manutenção e aproxima a experiência visual com as intenções de design dos desenvolvedores upstream.

A mudança, detalhada em um pull request no GitHub do Yaru, representa uma evolução na relação do Ubuntu com seu ambiente de desktop. Em vez de manter uma folha de estilos completamente personalizada e distinta para o GNOME Shell, tarefa que exige sincronização manual e ajustes a cada novo lançamento, a equipe passará a usar os arquivos de estilo padrão do GNOME como base, aplicando sobre eles um conjunto mínimo e estratégico de sobreposições.

Uma Mudança Filosófica e Técnica

Para entender a importância dessa transição, é preciso olhar para a história recente. Por anos, o Ubuntu manteve um tema estruturalmente customizado. Embora fosse baseado no tema vanilla do GNOME, ele era um fork separado. A cada novo lançamento do GNOME, a equipe do Yaru enfrentava a complexa tarefa de “mesclar” as mudanças upstream com suas próprias modificações. Esse processo, além de trabalhoso, era propenso a inconsistências visuais, como raios de cantos (border radius) diferentes em elementos similares, que podiam passar despercebidos por algumas versões.

A nova estratégia é mais sustentável. Através do uso de symlinks (links simbólicos) que apontam diretamente para os arquivos de estilo padrão do GNOME, o tema do Shell Ubuntu se transforma de “um tema personalizado baseado no upstream” para “o upstream, com sobreposições do Ubuntu”. Isso garante uma base mais estável e reduz a carga de manutenção para a equipe comunitária do Yaru que, vale lembrar, conta com orientação técnica da Canonical, mas é essencialmente um esforço voluntário.

O que Muda (e o que Fica) na Interface

O usuário comum do Ubuntu 26.04 LTS não perceberá uma revolução visual ao iniciar o sistema. A intenção é que a área de trabalho pareça a mesma que a presente em versões anteriores, como a 25.10. Os elementos de identidade mais marcantes do Ubuntu serão preservados pelas sobreposições:

  • A cor de destaque laranja icônica permanecerá;
  • A fonte Ubuntu continuará sendo usada, com seu tamanho e peso característicos;
  • O tamanho e o padding do painel superior e da dock serão mantidos, diferindo das medidas mais generosas adotadas pelo GNOME padrão.

As (não) mudanças serão em elementos como os cantos arredondados nos applets do painel, o formato, contraste e espaçamento dos botões em diálogos modais, pop-overs e notificações passarão a seguir as definições padrão do GNOME 50, a menos que a equipe do Yaru decida explicitamente sobrescrevê-los. O plano, no entanto, é manter um conjunto “mínimo” de sobreposições.

Essa decisão reflete uma maturidade no ecossistema Ubuntu-GNOME. Ao reduzir a divergência visual, o Ubuntu se posiciona como um veículo mais fiel para a experiência que os designers e desenvolvedores do GNOME pretendem entregar. Essas pessoas não apenas criam o software, mas também realizam testes de usabilidade. Ajustes aparentemente inconsequentes em raios de cantos ou espaçamentos podem, no somatório, impactar a usabilidade e a harmonia visual que o projeto upstream buscou alcançar.

Para os testadores e entusiastas que acompanharem os daily builds do Ubuntu 26.04 LTS nos próximos meses, a dica é observar atentamente a forma e o espaçamento dos elementos da interface. Esses detalhes é que contarão a história de uma distribuição que, sem abrir mão de sua identidade, decidiu abraçar com mais força os fundamentos de design da plataforma que ela escolheu como base.
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