O projeto openSUSE lançou o Agama 19, uma versão que marca uma ruptura com o passado e inaugura uma nova arquitetura para a ferramenta. Desenvolvido pela equipe do YaST, o instalador passa por uma reformulação profunda que, segundo os próprios desenvolvedores, representa um “novo começo”.
Nova arquitetura mira flexibilidade e integração
A principal mudança está no redesenho completo da base do sistema. O Agama 19 passa a operar sobre uma API consistente e bem definida, algo que versões anteriores não conseguiam oferecer devido a limitações estruturais. Com isso, o instalador deixa de depender exclusivamente de sua interface gráfica ou de linha de comando, abrindo espaço para integrações externas mais robustas.
Isso permite que outras ferramentas interajam diretamente com o núcleo do instalador, o que pode facilitar automações, customizações e até o desenvolvimento de interfaces alternativas. Apesar da mudança estrutural, a compatibilidade foi preservada: perfis de configuração em JSON e Jsonnet continuam funcionando sem alterações, garantindo continuidade para ambientes automatizados.

Interface web mais clara e reativa
A nova base também impacta a interface web, que foi reorganizada para oferecer navegação mais intuitiva. O Agama 19 apresenta uma página inicial mais estruturada e um processo de confirmação mais transparente, buscando reduzir erros durante a instalação.

Um dos destaques está na configuração de rede, que agora responde dinamicamente a mudanças no hardware, como a conexão de novos dispositivos. Além disso, passa a ser possível definir múltiplas conexões Ethernet, um recurso importante em cenários corporativos ou ambientes com redes segmentadas.

Outro avanço é a possibilidade de exportar a configuração atual diretamente pela interface, em formato JSON. A funcionalidade transforma o instalador em uma ferramenta de aprendizado e prototipagem, ainda que dependa de refinamentos futuros.

Menos dependência do YaST tradicional
Embora o YaST continue presente em partes do sistema, o Agama 19 reduz sua dependência de módulos mais antigos. Componentes responsáveis pela gestão de usuários e software foram substituídos por implementações mais simples e específicas para o contexto de instalação.
A mudança busca acelerar o desenvolvimento e evitar limitações herdadas de ferramentas pensadas para administração completa do sistema, não apenas para instalação inicial.
Novos modos e mais controle
Entre as novidades funcionais, o Agama 19 introduz modos de instalação, permitindo escolher entre configurações padrão e imutáveis em versões experimentais do SUSE Linux Enterprise Server. A ideia é oferecer diferentes abordagens de sistema dentro de um mesmo instalador.

Também houve a ampliação nas opções avançadas, com destaque para suporte à instalação em grupos LVM já existentes, incluindo redimensionamento e reaproveitamento de volumes. O controle do bootloader foi refinado, e agora é possível ajustar comportamentos mais específicos, como evitar alterações na NVRAM.
Um recomeço ainda em construção
Apesar do avanço, o Agama 19 não é apresentado como um produto finalizado. Pelo contrário, os desenvolvedores reconhecem que a nova base pode trazer instabilidades iniciais e incentivam testes e feedback da comunidade.
A expectativa é que, com a nova arquitetura consolidada, o ritmo de desenvolvimento se acelere nos próximos meses.
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