Em 29 de novembro de 2024, fiz meu último post no Instagram até hoje. Desde então, passei um ano inteiro sem usar a rede social, e hoje posso afirmar: essa foi uma das experiências mais transformadoras da minha vida.
Para muitos, pode parecer contraditório alguém que trabalha criando conteúdo para internet decidir se afastar de uma plataforma tão poderosa. Mas foi justamente essa proximidade, que dura desde 2011, que me fez perceber a necessidade de uma pausa. Em 2025, ano em que testemunhei coisas incríveis, viagens, shows, conquistas profissionais, e também desafios pessoais, nada disso foi parar no meu feed. Hoje, mais de um ano depois, instalei o app novamente para entender o que realmente perdi. Mas independentemente do que encontrei, a verdade é que não sou mais a mesma pessoa.
A decisão de desconectar
Tudo começou com uma reflexão profunda que fiz ao completar 30 anos, em 2022. Ao pensar sobre como gostaria que minha próxima década fosse, cheguei a uma conclusão simples: queria ser mais inteligente. Queria dedicar meu tempo ao desenvolvimento intelectual, a coisas que realmente me moveriam em direção aos meus objetivos.
O Instagram, no entanto, parecia trabalhar na direção oposta. Percebi que gastava horas do meu dia com conteúdo que, no fim, era descartável. Frequentemente, o app me sugeria brigas, desinformação e discussões que só serviam para modificar o humor para pior. Era como se eu entrasse no app para descobrir com o que deveria me indignar naquele dia. Uma busca incessante por validação via “likes”, algo que estudos já associam a ansiedade e danos à saúde emocional, também pesou. A pergunta que ficou foi: por que estou usando isso? A resposta, na época, podia ser: “Ah, é… é o meu trabalho”. Mas será que era só isso?
Do vício ao controle
A virada veio quando percebi que poderia separar as coisas. O perfil do Diolinux no Instagram continuaria ativo, mas poderia ser gerenciado de forma mais profissional e distante. Decidi então deletar o app do meu celular pessoal. O plano inicial era modesto: ficar apenas 30 dias longe da rede. Cheguei a criar um card no Trello para marcar o fim do experimento.
Mas quando a data chegou, algo interessante aconteceu. A vida simplesmente seguiu. As notícias realmente importantes sobre amigos, família e trabalho encontraram um jeito de chegar até mim sem o algoritmo do meio do caminho. A sensação inicial de estar “perdendo algo” deu lugar a um silêncio mental que eu não conhecia mais. Percebi estar mais calmo, mais focado. Foi quando decidi estender o experimento para um ano inteiro.
O Mundo Real em um Ano Offline
No aspecto profissional, nada desabou. O Diolinux seguiu crescendo nas redes, mas pude focar minha energia criativa em projetos que realmente importavam para mim, sem o ruído constante da comparação e da busca por engajamento. Reduzi drasticamente meu uso de outras redes também, mantendo apenas o Discord para a equipe e amigos, o YouTube por paixão, e nosso fórum, que é uma experiência social completamente diferente.
Reinstalar o app depois de um ano foi uma experiência curiosa. Confesso que esperava um choque, mas a sensação que prevaleceu foi de indiferença. O feed parecia uma máquina bem oleada mostrando a mesma engrenagem de antes: conteúdos tentando capturar atenção a qualquer custo, alguns rostos familiares, muitas novidades que já não me diziam respeito. Percebi que não tinha perdido nada importante.
A principal lição é sobre prioridade e foco. Tempo é o recurso mais democrático que existe; o número de horas em um dia é o mesmo para todos. Eu não tinha um problema de falta de tempo, tinha um problema de onde colocava minha atenção. Recuperar o controle sobre isso foi libertador.
Outro aprendizado foi sobre conexão humana. Senti falta de compartilhar ideias, mas não da forma superficial das redes. Por isso, em 2025, criei um blog pessoal. Lá, escrevo textos descompromissados, sem frequência definida, apenas para compartilhar pensamentos. É um espaço orgânico, longe da lógica dos algoritmos que criam bolhas de filtro e polarização.
Também abracei a prática de ser um agente ativo no que consumo online. Em vez de ser passivamente alimentado por um algoritmo que prioriza engajamento acima de tudo, hoje busco ativamente o conteúdo que acrescenta valor à minha vida.
Este relato não é um conselho, mas um compartilhamento de experiência. Cada pessoa tem um relacionamento único com as redes sociais. Para mim, ficar um ano sem Instagram foi um reset necessário. Não pretendo voltar a usar a plataforma da mesma forma descontrolada de antes. Não terei o app no meu celular pessoal, mas isso não significa um bloqueio total. Se um dia eu postar algo lá novamente, será porque aquilo é genuinamente especial e quero compartilhar intencionalmente.
Aos que gostavam de me acompanhar por lá, saibam que estou bem, mas agora vivendo e me conectando de um jeito diferente. E, sinceramente, me sinto melhor. Sinto que minha mente está mais clara, minha capacidade de foco melhorou e me livrei de vários gatilhos de ansiedade. Em um mundo cada vez mais digital, descobri que o maior ato de rebeldia, às vezes, é simplesmente desligar e viver.
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