Programadores que não sabem terminal e Google Drive no Linux

Programadores que não sabem terminal e Google Drive no Linux

Sejam bem-vindos à edição especial de final de ano do Diolinux Responde, o nosso quadro mais interativo. 2025 foi um ano e tanto, e nada melhor do que fecharmos este ciclo respondendo às curiosidades que vocês, membros do canal, enviaram.

E já começamos com um agradecimento gigante. Todas as perguntas de hoje foram selecionadas a partir de um post no YouTube, disponível para os nossos membros. Para aquelas perguntas que não couberam aqui, a grande maioria está em um vídeo disponível apenas na nossa área de membros.

Tornar-se um membro Diolinux Play é mais do que apoiar financeiramente o canal. Você ganha o direito de enviar suas perguntas mensalmente para este quadro, participa de um grupo secreto no Discord onde a equipe e os assinantes conversam, e tem acesso a conteúdos exclusivos que vão desde vídeos até cursos. É a nossa forma de criar um ecossistema mais próximo, rico e sustentável.

O terminal e o programador

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A primeira pergunta veio do Arthur (@arthurdecarvalho7669), e ela toca em um ponto que gera certo estranhamento dentro da academia. Em sua opinião por que alguns programadores não sabem usar o terminal direito?.

Arthur, sua pergunta é ótima porque expõe um mito e uma realidade. O mito é achar que todo mundo que entra em um curso de tecnologia já é um usuário avançado, um hacker de cinema. A realidade é que muitas pessoas escolhem cursos como Ciência da Computação porque gostam de mexer com computador e veem uma forma de transformar um hobby em carreira. Isso é lindo e válido! No entanto, é perfeitamente possível ser um entusiasta de tecnologia, jogos, ou até mesmo um resolvedor de problemas lógicos, sem nunca ter aberto um terminal ou um prompt de comando na vida.

Portanto, a primeira resposta é: eles estão ali justamente para aprender. A faculdade é o ambiente onde essa curva de aprendizado, que inclui desde algoritmos complexos até a intimidade com a linha de comando, deve acontecer. O fato de você já ter desenvolvido essa habilidade antes e poder ajudar os seus colegas é, na verdade, uma situação maravilhosa. Você está exercitando um skill que é subestimado no mundo profissional: a colaboração e o trabalho em equipe. Ser a pessoa que pode sanar uma dúvida e fazer o grupo avançar é um papel fundamental.

Você mesmo faz uma observação importante: alguns desses colegas são melhores programadores do que você em certos aspectos. Isso ilustra perfeitamente como o conhecimento na área de tecnologia é multifacetado e profundo. Enquanto você se aprofundou no fluxo de trabalho do terminal, outro pode ter se dedicado a otimização de bancos de dados, um terceiro a paradigmas de programação funcional, e um quarto a arquitetura de sistemas. A diversidade de expertise é o que forma grandes equipes.

Agora, um adendo importante. Você disse: “programadores que não sabem usar o terminal”. Na faculdade, todos são aprendizes. No mercado de trabalho, a história muda de figura.

Um programador profissional que possui aversão ou medo do terminal é como um salva-vidas com medo de água. Simplesmente não se sustenta. No dia a dia profissional, o terminal não é um acessório ou um símbolo de nerdice; é uma ferramenta de trabalho fundamental.

Seja para usar o Git de forma eficiente (não apenas clicando em um cliente gráfico), para fazer debug remoto em um servidor, para automação de tarefas com scripts, para análise de logs, para gerenciamento de containers com Docker, ou até para simplesmente ser mais produtivo navegando e manipulando o sistema de arquivos. É uma extensão das suas capacidades.

É claro que existem nichos e especialidades onde a interação pode ser menor, mas uma base sólida é praticamente um requisito não escrito. Portanto, é algo que, sem dúvida, eles precisarão desenvolver para ter uma vida profissional mais tranquila e competitiva.

O preconceito com o Linux Desktop

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A segunda pergunta, do Luis (@saleluis434), é profunda. Ele trabalha com suporte técnico e se vê diante de um cenário comum e frustrante: empresas usando hardwares simples e Windows antigos (até o Windows 7 como “servidor”), mas, ao sugerir o Linux como solução viável e moderna para desktops, esbarra em um preconceito profundo até mesmo entre colegas experientes. Ele é o único usuário de Linux no local e é visto como um “hacker”. Um colega achou que no Linux só se mexia em arquivo por terminal, e só mudou de ideia ao ver um gerenciador gráfico instalado.

Luis, você trouxe talvez uma das discussões mais importantes para a popularização do Linux. A sua reflexão final é o cerne da questão: “por que mesmo pessoas experientes para com computadores ainda têm tanto preconceito com Linux sem ao menos testar?”.

A resposta, na minha visão, muitas vezes não é técnica, é psicológica e social. Vamos destrinchar.

O conceito de “pré-conceito” é literalmente um atalho cognitivo. Nosso cérebro é uma máquina incrível, mas que busca eficiência energética acima de tudo. Para não ter que processar do zero cada nova informação, ele cria “presets”, modelos pré-concebidos baseados em experiências passadas, relatos de terceiros ou simples impressões. Esse mecanismo é útil para decisões rápidas do dia a dia, mas é desastroso quando aplicado a conceitos complexos que evoluíram com o tempo. É exatamente como a pessoa que jura que não gosta de um alimento que nunca experimentou. O cérebro dela já preencheu a lacuna do “não sei como é” com uma informação negativa, evitando o esforço de experimentar e formar uma opinião própria.

No ambiente de trabalho de tecnologia, esse fenômeno se mistura com algo chamado psicologia social. Pense nos seus colegas: são pessoas inteligentes, vistas como especialistas, com anos de experiência. Para muitos deles, que se formaram há 10, 15 ou 20 anos, o Linux simplesmente não fez parte da sua educação tecnológica fundamental. O contato que tiveram, se houve, foi muitas vezes em disciplinas de administração de servidores, envolvendo puro terminal, ou através de relatos de que “é complicado”.

Agora, coloque-se no lugar deles: você construiu uma carreira, uma reputação de pessoa que sabe, um ego profissional (no sentido técnico da palavra) que é validado diariamente. De repente, surge uma tecnologia alternativa (o Linux desktop) na qual você é, por falta de contato, um completo iniciante. Se expor a isso significa, mesmo que momentaneamente, sair da posição de especialista para a de aprendiz. Para muitas mentes, inconscientemente, isso representa um risco à persona que foi construída. É mais seguro e confortável reforçar o preconceito (“ah, Linux é complicado, é só terminal, é para hacker”) do que encarar a possibilidade de não saber e ter que aprender algo novo. O cérebro opta pelo “preset” conhecido, mesmo que falho.

A imagem do Linux como um sistema apenas de terminal, para técnicos, está gravada a fogo. É uma informação errada, mas que parece certa porque foi repetida por anos. E, como você bem observou, essa imagem é quebrada no momento em que veem uma interface gráfica funcionando, um gerenciador de arquivos familiar. O desafio é justamente fazer com que queiram ver.

Então, como mudar essa imagem? Não existe bala de prata, mas um conjunto de ações:

  • Exposição indireta e positiva: O fenômeno Steam Deck é, hoje, o maior aliado nessa causa. Milhões de pessoas estão usando um sistema Linux (SteamOS) sem nem mesmo se importar por ser Linux, apenas porque funciona e é uma ótima experiência para jogar. Isso cria uma associação subconsciente positiva;
  • Marketing das distribuições: Distribuições como Linux Mint, Zorin OS, Pop!_OS já fazem um excelente trabalho nisso, mas precisam de mais alcance. Precisam aparecer em canais gerais de tecnologia, não apenas nos de nicho;
  • Nosso papel como comunidade: É aqui que você e cada um de nós, participamos. O que você faz, explicar com paciência, mostrar na prática e desmistificar, é a arma mais poderosa que temos. É um trabalho de formiguinha, gota a gota. Compartilhar conteúdos acessíveis (como os que tentamos fazer aqui), falar sobre sua experiência positiva no dia a dia, oferecer ajuda sem ser pedante. Você não vai converter todo mundo de uma vez, mas planta uma semente de dúvida no preconceito alheio.

Para quem quiser se aprofundar nos mecanismos da mente por trás disso, recomendamos o livro “Rápido e Devagar”, de Daniel Kahneman, que trata desses dois sistemas de pensamento (o automático e o racional) e de como nossos vieses cognitivos nos enganam.

Google Drive no Linux

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A pergunta do @playerpodre é clássica, prática e muito relevante em 2025: como usar o Google Drive no Linux com sincronização espelhada perfeita, como no Windows? Ele menciona o InSync (que custa cerca de R$ 200) e o Rclone (gratuito), e pede orientação.

Caro Player Podre, sua pergunta é a de milhões de usuários. A falta de um cliente oficial do Google Drive para Linux é uma grande pedra no sapato, mas, felizmente, a comunidade criou tantas soluções que isso deixou de ser um impeditivo. Vamos à análise:

A solução paga premium: InSync

Provavelmente, é a melhor solução geral. O InSync é um cliente maduro, estável e extremamente completo. Ele não apenas espelha pastas do Google Drive localmente, como também suporta contas múltiplas, sincronização seletiva, e funciona perfeitamente no GNOME, KDE Plasma e outros ambientes. Hoje ele também suporta OneDrive e Dropbox. É pago? Sim. Vale o investimento? Se você depende do Google Drive para trabalho ou para uma organização pessoal séria, e o valor não compromete seu orçamento, vale cada centavo. A produtividade e a paz de espírito de ter uma sincronização confiável não têm preço. Eles oferecem uma semana de teste gratuito. Use-a para ver se atende ao seu fluxo.

A solução poderosa e gratuita: Rclone

O Rclone é uma ferramenta de linha de comando incrivelmente poderosa, uma “navalha suíça” para sincronização com uma infinidade de serviços de nuvem. A curva de aprendizado é mais íngreme, pois requer configurar via terminal. A documentação oficial tem um guia específico para o Google Drive. A grande dica aqui é: existem interfaces gráficas de terceiros para o Rclone, como o rclone-browser, que podem facilitar bastante a configuração inicial. Se você não tem problemas em seguir tutoriais técnicos e prefere soluções de código aberto, o Rclone é o caminho real.

Outras alternativas pagas:

  • OverGrive: Similar ao InSync, focado no Google Drive, com preço um pouco mais acessível;
  • ExpanDrive: Tem uma abordagem diferente. Em vez de sincronizar, ele “monta” a nuvem como um disco de rede no seu sistema. É ótimo para acessar arquivos sob demanda sem ocupar espaço local. Tem versão gratuita para uso pessoal.

Soluções nativas e alternativas:

Acesso via gestor de arquivos:

No GNOME (Files/Nautilus), KDE (Dolphin) e outros, você pode ir em “Contas Online” e adicionar sua conta Google. Isso faz o Google Drive aparecer como uma pasta de rede, acessível via protocolo WebDAV. Não é sincronização, é acesso remoto. Bom para consultas rápidas.

Mudar de provedor:

Se a alçada do Google não é obrigatória, considere provedores com clientes nativos Linux, como pCloud ou Internxt. Eles oferecem planos “lifetime” (compra única) e integração direta.

O caminho do self-hosting / controle total:

Aqui é onde a coisa fica interessante e onde nosso parceiro Hostinger entra. O Nextcloud é um software de código aberto que você instala em um servidor (pode ser na sua casa ou em uma VPS) e que te dá um ambiente completo tipo Google Drive/Workspace, com armazenamento, calendário, contatos, edição de documentos online, etc. Ele tem um cliente de sincronização para desktop muito bom.

E aqui vai uma ideia prática: com uma VPS da Hostinger, como o plano básico KVM1, você pode instalar o Nextcloud com alguns cliques direto no painel de controle deles, usando o instalador de aplicativos. É uma forma super acessível de ter sua nuvem privada, controlar seus dados e escapar do vendor lock-in. Para testar, use o nosso link afiliado e o cupom DIOLINUX para 10% de desconto.

A “bruxaria” do Linux Mint

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O Paulo (@pauloleninethe) mandou um desabafo positivo. Depois de trocar o Windows pelo Linux Mint e brincar de distro hopping por Zorin, Big Linux, Fedora e Pop!_OS, ele sempre acaba voltando para o Linux Mint com Cinnamon. E ele quer saber: “que bruxaria esse mint tem?”.

Paulo, a resposta não é magia negra, mas sim uma fórmula poderosa e consciente: consistência e foco no usuário.

O Linux Mint é a materialização do conceito “set it and forget it” (configure e esqueça). Desde seus primórdios, o projeto tem a missão de oferecer uma experiência de desktop completa, estável e amigável para usuários que vêm do Windows e para aqueles que buscam produtividade, sem surpresas. O Cinnamon, desenvolvido pela própria equipe do Mint, é um ambiente que equilibra modernidade, personalização e uma sensação de solidez incrível.

O que você sente ao voltar sempre para o Mint é a falta de atrito. As coisas funcionam como você espera. As atualizações são testadas com cuidado para não quebrar seu sistema. O suporte a codecs, drivers e ferramentas essenciais vem por padrão. É um sistema que você configura uma vez, adapta ao seu fluxo de trabalho, e ele simplesmente continua funcionando, dia após dia, atualização após atualização.

Em um mundo de distro hopping e novidades constantes, o Mint oferece um porto seguro de confiança e previsibilidade. Isso não é bruxaria, é excelência em execução e foco na experiência do usuário final. É por isso que ele continua sendo uma das distribuições mais recomendadas e amadas.

Mensagens da comunidade

Para fechar este especial de final de ano, não poderiamos deixar de compartilhar algumas mensagens lindas que recebemos, que mostram a força dos laços que construímos aqui.

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Um salve especial ao Sandro (@sandrocustodio.rs.brasil) pelo salve natalino para todos os pinguins! A cuia de chimarrão já garante pontos extras de simpatia!

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O Ariel (@arielkollross) mandou uma mensagem que me encheu de nostalgia. Ele lembra dos primeiros vídeos que assistiu por aqui, lá por 2015, e até achava que eu filmava com um Motorola (risos). Na verdade, nessa época já estávamos investindo em equipamentos um pouco melhores, mas antes disso chegamos a usar o Motorola “véio de guerra” em alguns vídeos. Ariel, são 10 anos ou mais de companhia! Muito obrigado por acompanhar a nossa evolução. Seu depoimento sobre a “excelência que o Diolinux atingiu” é um combustível e tanto para toda a equipe.

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E temos até um membro da nossa própria equipe infiltrado! O Eddie (@eddiecsilva), apresentador do Diocast, perguntou: “Qual é o seu episódio preferido do Diocast?”.

Eddie, com quase 15 anos de estrada e centenas de episódios, é uma tarefa quase cruel escolher um só! Mas se eu tivesse que destacar um deste último ano, escolheria o “Especial de 14 Anos do Diolinux“. Foi um episódio diferente, onde eu troquei de lado e fui o entrevistado. Pude falar um pouco dos bastidores, das filosofias que guiaram nossas decisões, dos acertos e aprendizados. Foi um momento de reflexão e celebração muito especial com a comunidade. Se você, leitor, ainda não assistiu, aproveite que está aqui e confira essa conversa!