Rust agora é uma linguagem prioritária dentro da Microsoft

Rust agora é uma linguagem prioritária dentro da Microsoft

A Microsoft elevou oficialmente o Rust ao status de linguagem Tier-1 para desenvolvimento interno. Isso coloca a linguagem ao lado de C++, C# e TypeScript entre as opções que recebem o maior nível de suporte da empresa para criação e manutenção de software.

É importante esclarecer que esse Tier-1 é uma classificação interna da Microsoft, e não uma categoria definida pelo próprio projeto Rust. A mudança significa que equipes da companhia passam a contar com um caminho oficial e estruturado para utilizar Rust desde o desenvolvimento local até a chegada do software à produção.

Rust ganha espaço dentro da Microsoft

A linguagem já vinha sendo utilizada pela Microsoft em diferentes áreas, incluindo firmware, drivers, kernels, hipervisores, microsserviços e aplicações. O novo status, portanto, não representa o início da adoção, mas a transformação do Rust em uma tecnologia oficialmente suportada em toda a cadeia de desenvolvimento.

Isso envolve compiladores e ferramentas construídos de forma segura, ambientes de desenvolvimento, sistemas de integração contínua, processos de qualidade, requisitos de segurança e conformidade e integração com as plataformas utilizadas internamente pela companhia.

O movimento também mostra como a Microsoft pretende lidar com uma realidade importante: Rust e C++ continuarão convivendo por bastante tempo.

Depois de décadas utilizando C e C++ como base de boa parte de sua infraestrutura, a empresa está investindo em uma integração mais profunda entre as duas linguagens.

Um compilador Rust integrado ao MSVC

Um dos principais projetos nessa estratégia é o rustc_codegen_utc, um backend alternativo para o compilador Rust.

Normalmente, o rustc utiliza o LLVM para transformar código Rust em código de máquina. O rustc_codegen_utc conecta o compilador diretamente ao backend utilizado pelo MSVC, o conjunto de ferramentas nativas de desenvolvimento da Microsoft para Windows.

Isso permite que o Rust aproveite uma série de recursos que já fazem parte do ecossistema do Windows e do MSVC, incluindo compatibilidade com a ABI da plataforma, otimizações, mecanismos de segurança, depuração, análise de crash dumps, profiling, cobertura de código e tecnologias de manutenção como hotpatching.

A vantagem está especialmente nos projetos híbridos. Em vez de Rust e C++ precisarem seguir caminhos completamente separados dentro de um mesmo software, ambos podem compartilhar uma infraestrutura de geração de código e aproveitar os mesmos investimentos feitos pela Microsoft ao longo de décadas.

Mais de 100 projetos já utilizam a tecnologia

O rustc_codegen_utc não está sendo tratado como um experimento. Segundo a Microsoft, o backend está pronto para produção desde o início de 2026 e passou a ser capaz de compilar a si próprio a partir do Rust 1.90.

Atualmente, mais de 100 repositórios de projetos da Microsoft já utilizam o backend, e a adoção continua avançando para outras equipes.

Esse detalhe ajuda a dimensionar o significado da mudança. A empresa está construindo uma infraestrutura para que a linguagem possa participar dos mesmos processos de desenvolvimento, segurança, validação, distribuição e manutenção utilizados pelo restante de seu software nativo.

Uma mudança importante para o Rust no Windows

A adoção de Rust pela Microsoft tem sido impulsionada principalmente pelo interesse em software nativo com maior segurança de memória.

Ao integrar o Rust ao ecossistema do MSVC, a companhia está criando condições para que novos componentes sejam escritos em Rust sem precisar abandonar toda a infraestrutura construída em torno do C++. Em projetos grandes, essa interoperabilidade pode ser tão importante quanto a própria linguagem.

A Microsoft continuará utilizando C++ em uma grande quantidade de software, enquanto o Rust ganha espaço em novas partes de sistemas e também em projetos que combinam as duas tecnologias.

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