Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar?

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar?

Estamos diante de um lançamento que marca um divisor de águas para o universo do Ubuntu: o Ubuntu 25.10, codinome Questing Quokka, reúne uma série de inovações visuais e estruturais, desde a adoção do GNOME 49 como ambiente padrão até a troca de componentes fundamentais do sistema. Esta edição não é uma versão LTS com suporte de longo prazo, mas funciona como uma espécie de “prévia” para o grande lançamento do próximo ano, o Ubuntu 26.04. Aqui, vamos dissecar o que há de novo, detalhar o que mudou “por baixo do capô”, avaliar os prós e contras da migração agora e dar uma olhada no que isso pode nos dizer sobre o futuro próximo da distro.

O que se vê

O Ubuntu 25.10 incorpora o GNOME 49 como ambiente gráfico padrão, alinhando-se com o upstream em termos de experiência, extensões de shell e melhorias no acompanhamento da interface. Com isso, os usuários ganham acesso a melhorias visuais e funcionais, além de um ambiente que tira partido pleno do Wayland (tema que abordaremos em seguida). O GNOME 49 já roda em muitas distribuições, mas no Ubuntu ele assume o papel de “versão de transição” para o que virá, com todo o peso disso.

Novo visualizador de imagens e novo terminal

Entre os aplicativos que acompanham esta edição, destacam-se dois. O Loupe, um novo visualizador de imagens que substitui o antigo Eye of GNOME, com interface moderna em GTK4/LibAdwaita, suporte a aceleração gráfica, gestos em telas sensíveis ao toque e decodificação mais segura de imagens.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (1)

E o Ptyxis, um novo emulador de terminal que assume o lugar do GNOME Terminal no Ubuntu 25.10. Ele traz melhor integração com contêineres, preserva sessões, oferece esquemas de cores customizáveis, e até muda de cor se você estiver prestes a rodar algo com sudo.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (5)

Atualização do tema Yaru

O tema padrão do Ubuntu, Yaru, recebeu ajustes visuais, e talvez o mais visível seja o novo ícone de lixeira, com desenho e angulação repensados para deixar mais claro quando há arquivos na lixeira ou não. Essa mudança estética, embora menor, evidencia que os detalhes contam.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (7)

Ausência do “Aplicativos de inicialização” no menu

Uma mudança que muitos usuários vão notar: o app “Aplicativos de inicialização” foi removido do menu e dos repositórios. Em vez dele, o caminho agora para configurar programas que iniciam junto com o sistema é via Painel de Controle → Aplicativos → Autostart ou, para usuários avançados, criando units do systemd manualmente.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (4)

Essa abordagem é mais limpa e faz mais sentido na arquitetura moderna, mas também é menos “flexível” para quem usava o antigo recurso para criar scripts personalizados de boot.

Suporte visual e de hardware

O Ubuntu 25.10 faz um grande salto em experiência visual e suporte de hardware. O protocolo Wayland torna-se exclusivo, abandonando o X11 (Xorg) de lado. Há também o suporte a “Variable Refresh Rate” (VRR) via Mutter, para monitores gamers compatíveis, oferecendo renderização mais suave. E ainda foi aprimorada a compatibilidade com arquiteturas emergentes como RISC-V, assim como melhorias em hardware ARM64.

Por baixo do capô

Enquanto as mudanças visuais são claras, algumas das mais relevantes ocorrem “nos bastidores”, com impacto direto na estabilidade, compatibilidade e no futuro da distro.

Kernel 6.17 e pilha de drivers atualizada

O Ubuntu 25.10 traz o Linux kernel 6.17 como base da distribuição. Isso significa suporte a hardware mais recente, melhorias de virtualização (como Intel TDX), e melhores drivers para Intel/AMD/NVIDIA. O uso do kernel mais recente ajuda o Ubuntu a manter-se “na ponta”, mas também implica assumir alguma dose de risco, pois versões mais novas de kernel podem trazer instabilidades que versões LTS mais maduras evitam.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (6)

Substituição do initramfs-tools pelo Dracut

Uma das mudanças mais “invisíveis”, mas de grande impacto, é a adoção do Dracut como infraestrutura padrão de initramfs no Ubuntu Desktop. O initramfs é o “mini­ambiente” que roda antes do sistema completo subir, essencial para inicialização, montagem de discos, drivers de boot, criptografia, etc. 

Com Dracut, o Ubuntu busca melhor integração com systemd, suporte mais moderno a hardware (como NVMe-oF, Bluetooth no início do boot) e alinhamento com abordagens mais recentes. Essa mudança pode trazer benefícios, mas também implica um risco extra: muitos hooks, scripts e pacotes dependem de initramfs-tools, então adaptá-los­ exige atenção.

Utilitários em Rust

Talvez a mudança mais “radical” deste lançamento seja a adoção de componentes escritos em Rust em vez das tradicionais implementações em C/C++. Dois casos são emblemáticos.

O primeiro é a substituição de boa parte dos GNU Core Utils como ls, cat e date por uma versão em Rust chamada rust-coreutils. Apesar de ainda coexistirem com as versões GNU para melhor compatibilidade, o movimento pretende que, no próximo ciclo LTS, o rust-coreutils possa assumir por completo.

Já o outro é o uso por padrão do sudo‑rs como provedor de sudo, substituindo (ou ao menos como padrão) a implementação tradicional em C. A forma de usar é a mesma, mas de fato não é o mesmo programa.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (2)

A justificativa é que o Rust traz maior segurança de memória, além da ausência de certas classes de bugs comuns em C, e desempenho competitivo, o que, para utilitários básicos e de sistema, faz sentido. No entanto, sempre há o “mas”: a compatibilidade segue em fase de maturação, com alguns alertas de funções faltando ou divergentes.

Telemetria e criptografia

O Ubuntu 25.10 também moderniza suas abordagens de segurança e diagnóstico. O antigo sistema de telemetria Ubuntu Report sai de cena e entra o Ubuntu Insights, totalmente opt-in, com visualização do diagnóstico técnico que será enviado aos servidores da Canonical.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (3)

Também há a criptografia de disco completa (FDE – Full Disk Encryption) com suporte ao chip TPM 2.0, onde durante a instalação o usuário pode salvar ou imprimir a chave de recuperação, e o sistema avisa se uma atualização de firmware exigirá nova digitação da chave.

Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” — O que você precisa saber antes de instalar (8)

Arquiteturas emergentes

O Ubuntu 25.10 dá um passo importante no suporte a arquiteturas que cada vez ganham mais relevância, incluindo suporte para RISC-V como desktop funcional, com apps como Firefox e Thunderbird rodando nessa plataforma.

Também há melhorias para ARM64 (por exemplo laptops Snapdragon ou placas tipo Raspberry Pi) no processo de boot e compatibilidade. Isso sinaliza que o Ubuntu está se preparando para além do tradicional x86_64 e quem sabe abrindo caminho para cenários futuros mais diversificados.

Vale a pena migrar para o Ubuntu 25.10 agora?

Chegou o momento de responder à pergunta que muita gente está se fazendo: “Devo migrar para esta versão agora ou esperar a próxima LTS?” A resposta não é unânime, dependendo do seu perfil, uso e tolerância a instabilidades.

Para quem é indicado?

Entusiastas, experimentadores e quem gosta de testar novidades: se você gosta de estar “na ponta”, ver o que está chegando, experimentar novos terminais, ver como o Rust está sendo incorporado, este Ubuntu 25.10 oferece bastante para explorar.

Também podem se beneficiar os usuários com hardware moderno, especialmente GPUs NVIDIA ou monitores VRR, que podem se beneficiar das melhorias visuais e de suporte.

Por fim, é uma ótima atualização para quem está curioso sobre RISC-V, ARM64 ou arquiteturas alternativas e deseja acompanhar essa evolução mais de perto.

Quem talvez deva esperar

Usuários que dependem do sistema para trabalho diário, que precisam de máxima estabilidade, cujas máquinas não podem “quebrar” ou dar gargalos. Para esse grupo, a recomendação é seguir com uma LTS (como o Ubuntu 24.04.x) ou aguardar a próxima LTS, o Ubuntu 26.04.

Se você usa muitos scripts, customizações pesadas, extensões do GNOME muito particulares ou depende de ferramentas de boot/truques de inicialização, as mudanças no initramfs, no sistema de autostart e nos utilitários básicos podem exigir adaptações.

Quem depende de apps legados que possam não suportar Wayland ou que ainda rodam melhor em X11 deverá ter impactos negativos com a remoção da sessão Ubuntu no Xorg.

Antes de migrar…

Lembre-se de fazer um backup completo antes de atualizar, afinal, as alterações “por baixo do sistema” podem acarretar surpresas. Outras dicas incluem:

  • Verificar compatibilidade de drivers, especialmente gráficos e discos: embora o kernel e Mesa estejam atualizados, nem todos os hardwares antigos têm tantos testes nessa versão de ciclo curto;
  • Se você tem muitos scripts ou automações com “Aplicativos de inicialização”, verá que este recurso foi removido: será necessário criar units do systemd ou adotar algum novo método;
  • Algumas ferramentas “menos visuais” já carregam alertas: a versão rust-coreutils menciona que ainda “não é totalmente compatível” com todos os casos da GNU Core Utils;
  • Uma atualização direta de versões antigas pode demandar mais checagens: como esta não é LTS, o ciclo de suporte (9 meses) é mais curto, o que significa que a próxima atualização importante vem em breve.

Foco no Ubuntu 26.04 LTS

Na prática, este Ubuntu 25.10 funciona como “versão preparatória” para o grande lançamento de abril de 2026, o Ubuntu 26.04 LTS. Por isso, muitas das mudanças vistas agora visam validar tecnologias que serão consolidadas na LTS. Se tudo correr bem, veremos a migração completa para utilitários em Rust, melhor suporte a arquiteturas emergentes, boot mais moderno, experiência visual refinada com o Wayland e melhorias de segurança por padrão.

Em nosso caso, vemos este lançamento como uma excelente oportunidade de “olhar para frente”: entender em que a Canonical está apostando, como o Ubuntu está evoluindo e onde serão os ganhos reais nos próximos anos.

Mas se você está iniciando no Ubuntu e em dúvida entre instalar essa versão e a última LTS, vale a pena olhar para trás e conferir o que o Ubuntu 24.04 tem a oferecer.