Ubuntu 26.04 LTS: o que mudou desde o 24.04?

Ubuntu 26.04 LTS: o que mudou desde o 24.04?

Atualizar de uma LTS para outra no Ubuntu nunca foi apenas “instalar a próxima versão”. É mais próximo de abrir uma cápsula do tempo: tudo o que foi construído ao longo de dois anos aparece de uma vez, acumulado.

No caso do Ubuntu 26.04 LTS, isso significa herdar não só o que veio nele, mas também tudo o que passou pelas versões intermediárias. É um salto grande que aparece tanto nas coisas que chegaram quanto nas que foram deixadas para trás.

Uma base diferente, mesmo que pareça igual

À primeira vista, o Ubuntu 26.04 não parece tão diferente do 24.04. A área de trabalho continua familiar, o fluxo de uso é praticamente o mesmo, e nada “quebra” de forma imediata. Mas essa impressão dura pouco.

Uma das mudanças mais significativas está justamente naquilo que não aparece: o fim da sessão X11 no GNOME. Durante anos, o Wayland foi sendo preparado como substituto, convivendo com o Xorg como alternativa. Agora, essa convivência acabou.

As aplicações antigas continuam funcionando por meio do XWayland, então não existe uma ruptura visível. Ainda assim, é uma mudança estrutural importante, uma decisão sem retorno.

Outro ajuste que entra nessa categoria é a adoção do Dracut no processo de boot. Ele substitui o método anterior de geração do initramfs, trazendo uma abordagem mais moderna e previsível. Não há impacto direto na interface, mas o sistema passa a se comportar de maneira mais consistente em cenários variados.

Segurança mais integrada (e menos visível)

O Ubuntu 26.04 também reorganiza como lida com a segurança, principalmente em instalações novas. A criptografia de disco ganha uma camada adicional com o suporte ao TPM. Em vez de depender apenas da senha, o sistema pode usar o hardware para validar o acesso. Isso não substitui o método tradicional, ele continua disponível, mas muda a forma como o sistema lida com proteção em máquinas compatíveis.

Esse tipo de recurso costuma vir acompanhado de pequenas mudanças ao redor. Ferramentas de firmware passam a avisar sobre impactos no TPM, chaves de recuperação ganham mais destaque, e o próprio instalador trata melhor cenários mais complexos, como o dual boot com Windows protegido por BitLocker.

Nada disso muda a rotina de quem já usa o sistema, mas altera o ponto de partida para quem instala do zero.

Rust deixa de ser experimento

Nos últimos ciclos, o Ubuntu começou a incorporar ferramentas escritas em Rust de forma gradual. No 26.04, a tendência segue. O sudo, por exemplo, pode ser fornecido por uma implementação em Rust. O mesmo acontece com utilitários básicos que sempre foram associados ao GNU coreutils.

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O comportamento continua o mesmo na maioria dos casos, mas não é uma troca completamente invisível. Existem diferenças de compatibilidade em cenários específicos, principalmente em scripts mais antigos ou ambientes muito customizados.

Ao mesmo tempo, o sistema mantém alternativas disponíveis nos repositórios, o que mostra que essa transição ainda está em andamento, não concluída.

Um desktop que mudou sem fazer barulho

Visualmente, o Ubuntu 26.04 não tenta se reinventar. Ele segue a mesma linha do 24.04, mas começa a ajustar detalhes que antes passavam despercebidos.

Os ícones de pasta são um bom exemplo. Eles mudaram de formato, ganharam mais cor e passaram a responder ao tema do sistema. Não é algo que altera o uso, mas muda a leitura visual do ambiente.

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Ubuntu 24.04 LTS à esquerda e Ubuntu 26.04 LTS à direita

Outras mudanças seguem essa mesma lógica: animações levemente diferentes, contrastes mais ajustados, diálogos com bordas mais consistentes. Nada isoladamente chama atenção, mas o conjunto cria uma sensação de maior coesão.

Até o comportamento do sistema muda um pouco. Notificações agora aparecem agrupadas, em vez de se acumularem indefinidamente. O controle de mídia pode ser acessado direto pela tela de bloqueio quando algo está tocando. Pequenos ajustes que alteram o fluxo sem parecerem “novidades”.

Uma troca de aplicativos

Uma das mudanças mais visíveis aparece na seleção de aplicativos padrão. O Ubuntu decidiu substituir várias ferramentas tradicionais por versões mais recentes, muitas delas baseadas em GTK4. Isso inclui o visualizador de documentos, o leitor de imagens, o terminal e até o monitor de sistema.

Em instalações novas, essa transição é limpa. Mas em upgrades, versões antigas e novas convivem lado a lado.

Essa troca também marca uma mudança de direção. Os novos aplicativos seguem um padrão visual mais alinhado com o GNOME atual e abandonam parte da herança de interfaces anteriores. Isso não significa necessariamente mais funcionalidades, em alguns casos, é mais uma questão de reorganização do que de expansão.

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O Nautilus talvez seja onde mais se sente diferença

O gerenciador de arquivos evoluiu de forma mais perceptível. A velocidade ao abrir diretórios maiores aumentou, a geração de miniaturas ficou mais eficiente, e a busca ganhou uma interface mais estruturada. O comportamento visual também mudou: arquivos ocultos agora aparecem com transparência leve, itens recortados ficam destacados de outra forma, e a barra lateral foi reorganizada.

Além disso, algumas decisões antigas foram abandonadas. A visualização “Outros locais”, por exemplo, deixou de existir como seção separada. Discos internos aparecem diretamente na barra lateral, junto com dispositivos externos.

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Ubuntu 24.04 LTS à esquerda e Ubuntu 26.04 LTS à direita

O sistema começa a se reorganizar

Uma das direções mais claras do Ubuntu 26.04 é a tentativa de centralizar e simplificar o gerenciamento do sistema. O App Center passa a lidar melhor com diferentes formatos de pacotes, incluindo .deb, ainda que não de forma completa. O antigo utilitário “Software & Updates” deixa de ser incluído por padrão, o que afeta principalmente quem costumava gerenciar repositórios e drivers por interface gráfica.

Outro exemplo é o desaparecimento do “Startup Applications”. Em vez de uma ferramenta dedicada, o controle de aplicativos que iniciam com o sistema foi absorvido pelas configurações do GNOME.

Essas decisões apontam para um sistema com menos ferramentas separadas, mas também com menos opções expostas diretamente.

Tela, desempenho e comportamento

O suporte a recursos de display também evolui. O sistema passa a lidar melhor com HDR, taxa de atualização variável e escalas fracionadas mais precisas.

Nada disso transforma a experiência de forma automática. Em muitos casos, depende de hardware compatível ou de aplicações que ainda estão se adaptando. Ainda assim, essas capacidades deixam de ser experimentais e passam a fazer parte do sistema padrão.

Ao mesmo tempo, há melhorias em áreas menos visíveis, como o desktop remoto, que agora pode usar aceleração por GPU, e no gerenciamento de firmware, que foi reorganizado em pacotes menores.

Nem tudo ficou

Algumas coisas simplesmente desapareceram do sistema padrão. Entre elas:

  • Software & Updates;
  • Startup Applications;
  • GNOME Terminal;
  • Evince, Totem e outras aplicações substituídas;
  • Integração direta com Google Drive no gerenciador de arquivos.

Muitas dessas ferramentas ainda podem ser instaladas manualmente (não é o caso do suporte ao Google Drive) mas deixam de fazer parte da experiência inicial.

O que esse conjunto todo indica

O Ubuntu 26.04 LTS não é uma versão que tenta impressionar com mudanças isoladas. Ele reorganiza muita coisa ao mesmo tempo, mas faz isso sem quebrar a continuidade.

É uma versão que consolida decisões que vinham sendo testadas há anos: Wayland como padrão definitivo, adoção gradual de Rust, simplificação de ferramentas e maior integração com o ecossistema atual do GNOME.

Ao mesmo tempo, reduz algumas possibilidades que antes estavam mais acessíveis, principalmente para quem costumava ajustar o sistema com mais liberdade via interface gráfica. O que muda não é apenas o que o sistema faz, mas como ele se posiciona. Menos fragmentado, mais direcionado e com menos espaço para voltar atrás em certas escolhas.

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