Uma falha do Fedora é uma das forças do Bazzite

Uma falha do Fedora é uma das forças do Bazzite

O ano de 2025 foi um período de transições, discussões acaloradas sobre identidade e a ascensão de projetos que redefiniram a experiência do usuário final. No centro dessas mudanças, o Fedora continuou seu papel fundamental, mas quem realmente brilhou foi um de seus derivados imutáveis, o Bazzite.

Para muitos, o Fedora 42 e 43 seguiram a tradição: novas versões do GNOME e do kernel, solidificando sua posição como a baseline de inovação que toda a comunidade observa. É a distribuição que, antes de todos, introduz novos softwares e tecnologias ao ecossistema. No entanto, sob essa aparente normalidade, temos uma discussão polêmica sobre a paridade entre GNOME e KDE Plasma no projeto.

Uma piada de primeiro de Abril

Tudo começou ainda em 2024. Uma brincadeira de Primeiro de abril no fórum oficial, anunciando que o KDE Plasma se tornaria o desktop oficial. A reação da comunidade foi imediata e polarizada, dividindo-se entre comemoração e desespero. Neste ano, o Fedora KDE passou a ser considerado oficialmente uma versão principal ao lado do Workstation com o GNOME. Mas só nessa frase já fica implícita uma hierarquia no projeto.

Enquanto o GNOME vive sob a marca consolidada “Fedora Workstation”, o KDE é apresentado como “Fedora KDE Plasma”. Essa nomenclatura, para muitos, sinaliza um tratamento de “cidadão de segunda classe”, reverberando inclusive na disparidade de qualidade de entrega entre os dois sabores da distro. 

Quando o derivado brilha mais

Porém, um projeto baseado no Fedora imutável está roubando a cena: o Bazzite. Ele é um Fedora Silverblue reconstruído, focado inicialmente em jogos, mas que se mostrou uma distribuição desktop polida, rapidamente se tornando surpreendentemente popular.

O sucesso do Bazzite é um fenômeno multicausal:

  • Herança do Steam Deck: Com o SteamOS (baseado no Arch) popularizando o Linux entre gamers, o Bazzite, que também utiliza o KDE Plasma e é imutável, chega como uma opção para quem quer uma experiência similar no PC;
  • Drivers da NVIDIA pré-instalados e configurados, suporte ao Waydroid e outras ferramentas complexas já vem funcionando “fora da caixa”. Ele remove a barreira do setup avançado;
  • A tecnologia de sistema imutável permite algo incrível. Com um comando, o usuário pode trocar a base completa do sistema (por exemplo, do Bazzite com KDE para uma versão com GNOME) e, se não gostar, reverter com um reboot. É um nível de flexibilidade e segurança inédito para o usuário comum.

Curiosamente, o Bazzite fez sucesso justamente entre um público que, muitas vezes, nem sabe que está usando Linux. Gamers que seguem tutoriais para “transformar o PC em um Steam Deck” encontram no Bazzite a solução mais fácil e polida, entrando no ecossistema de código aberto com uma curva de aprendizado reduzida.

2025 foi, portanto, um ano de contrapontos para o ecossistema Fedora. O projeto principal, maduro e estável, enfrentou debates sobre inclusão e identidade. Paralelamente, seu derivado Bazzite se destacou por demonstrar que o futuro do Linux no desktop pode não estar em distros tradicionais, mas em sistemas altamente especializados, que entregam uma experiência consistente e coerente.Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista ao episódio completo, onde conversamos sobre como 2025 foi um verdadeiro turbilhão de novidades, reviravoltas e pequenas revoluções que mexeram profundamente com o nosso dia a dia digital!