Vazamento do BitLocker, perigo na Snap Store e Adobe no Linux

Vazamento do BitLocker, perigo na Snap Store e Adobe no Linux

Sejam bem-vindos a mais um Diolinux News! Nesta semana, temos polêmicas envolvendo a Microsoft e o BitLocker, malware reaparecendo na Snap Store, novidades importantes no CachyOS e no KDE Plasma, ReactOS completando 30 anos e até avanços inesperados envolvendo softwares da Adobe no Linux. Vamos às notícias!

Microsoft pode entregar sua chave do BitLocker às autoridades

Quando você instala o Windows 11 e faz login com uma conta Microsoft, uma configuração importante costuma passar despercebida pela maioria dos usuários: a chave de criptografia do BitLocker pode ser enviada automaticamente para os servidores da Microsoft.

A ideia por trás disso é oferecer conveniência. Caso o usuário perca o acesso ao sistema, basta entrar na conta Microsoft e recuperar a chave. O problema é que essa mesma chave pode ser compartilhada com autoridades mediante ordem judicial.

E isso não é apenas teórico. A própria Microsoft confirmou que entregou as chaves de criptografia de três notebooks após uma solicitação do FBI, nos Estados Unidos. A informação veio à tona após questionamentos feitos pela revista Forbes.

Em resposta, a Microsoft afirmou que a recuperação de chaves pela nuvem é uma funcionalidade opcional, mas reconheceu que isso aumenta o risco de acesso indevido. A responsabilidade, segundo a empresa, é do usuário.

O ponto mais crítico é que essa opção vem ativada por padrão, e muitos usuários sequer sabem o que é o BitLocker, muito menos que suas chaves estão sendo armazenadas online.

Para quem quiser mais controle, é possível desativar o backup da chave nas configurações do Windows 11 e acessar a conta Microsoft pelo navegador para apagar manualmente as chaves já armazenadas.

Mais um caso clássico de “conveniência versus privacidade”.

CachyOS recebe atualização cheia de melhorias

O CachyOS, distro conhecida por foco em desempenho e otimizações agressivas, recebeu uma atualização importante no final de janeiro, trazendo mudanças bem interessantes.

Agora, durante a instalação, é possível escolher qual bootloader utilizar, com o Limine definido como padrão. Além disso, o instalador passa a detectar automaticamente a arquitetura do sistema, reduzindo o tamanho do download em até 1 GB em alguns cenários.

Outra mudança técnica relevante é que o pacman agora utiliza a flag –needed, evitando reinstalar pacotes que já estejam na versão mais recente, algo simples, mas extremamente eficiente.

Quem usa a versão com KDE Plasma também ganhou novidades:

  • O sistema já vem com o novo Plasma Login Manager;
  • A ISO live agora utiliza Wayland por padrão, abandonando o Xorg.

As novidades já estão disponíveis para quem baixar a ISO, e quem já tem o sistema instalado pode aplicar tudo com alguns comandos simples descritos no blog oficial da distro.

ReactOS completa 30 anos de existência

Se você nunca ouviu falar do ReactOS, ele é um projeto fascinante e extremamente ambicioso. A proposta é criar um sistema operacional open source capaz de rodar aplicações e drivers do Windows nativamente, sem emulação.

Diferente de soluções como o Wine, o ReactOS busca compatibilidade binária no nível do sistema, reimplementando todos os componentes centrais do Windows NT: kernel, bibliotecas, APIs e até a infraestrutura de drivers.

Esse trabalho começou nos anos 90, e agora o projeto completa 30 anos de existência.

Claro, o ReactOS ainda está longe de ser uma alternativa prática para o Windows no dia a dia, mas sua importância histórica e técnica é enorme. Ele também serve como um grande laboratório de engenharia reversa e compatibilidade de sistemas.

Se você quiser conhecer melhor essa trajetória, confira nosso artigo especial contando a história do projeto.

KDE Plasma 6.7 promete mais controle e conforto

O KDE Plasma 6.6 ainda nem foi lançado oficialmente, mas a equipe já começou a divulgar novidades planejadas para o Plasma 6.7.

Uma das mais interessantes é a introdução de push to talk ao nível de sistema. Assim como em apps como Discord e Google Meet, o microfone pode ficar desligado por padrão e só ser ativado ao pressionar uma tecla específica.

Isso aumenta muito o controle sobre a privacidade e evita situações constrangedoras com o microfone aberto sem querer.

Outra novidade é uma melhoria no widget de brilho e cor, que permitirá alternar rapidamente entre tema claro e escuro com um único clique. Hoje, a mudança é instantânea, mas a ideia é adicionar uma transição suave, deixando a experiência visual mais agradável.

O Plasma 6.7 ainda não tem data definida, já que o foco imediato é o lançamento do 6.6, previsto para fevereiro.

Adobe no Linux: um pequeno passo, mas promissor

Um dos principais obstáculos para a migração ao Linux sempre foi a ausência dos softwares da Adobe. Mas isso pode começar a mudar, ainda que de forma não oficial.

Um desenvolvedor está trabalhando ativamente para melhorar a compatibilidade da Creative Cloud com o Wine, enviando patches diretamente para o projeto upstream.

Curiosamente, o maior problema não são os aplicativos em si, mas o instalador da Creative Cloud, que utiliza uma versão embutida do Internet Explorer para processar JavaScript e XML. O Wine sempre teve dificuldades com isso.

Os novos patches corrigem boa parte desses problemas. Como resultado:

  • O Photoshop 2021 roda relativamente bem para muitos usuários;
  • O Photoshop 2025 ainda apresenta instabilidades.

Ainda não é algo recomendável para uso profissional, mas é um avanço que abre portas para um futuro onde rodar softwares da Adobe no Linux possa deixar de ser um sonho distante.

Malware na Snap Store

Não é dejá vu: a Snap Store voltou a ser palco de distribuição de malware.

Dessa vez, os criminosos adotaram uma estratégia diferente. Em vez de criar contas falsas do zero, eles estão monitorando domínios expirados de publicadores legítimos. Quando esses domínios vencem, os atacantes os registram novamente e assumem o controle de contas antigas, distribuindo atualizações maliciosas.

Pesquisadores como Alan Pope, ex-funcionário da Canonical, já alertavam há mais de um ano sobre campanhas persistentes de snaps maliciosos, especialmente envolvendo carteiras de criptomoedas.

Para reduzir os riscos:

  • Publicadores devem manter domínios ativos e ativar 2FA;
  • Usuários devem ter cuidado redobrado com apps de criptomoedas;
  • A Canonical precisa reforçar verificações, exigir 2FA obrigatório e monitorar contas inativas.

Mais um lembrete de que a segurança em lojas centralizadas nunca pode ser tratada como algo garantido e de que atualizações automáticas nem sempre são para o melhor.

Drops

Vortex do Nexus Mods pode chegar ao SteamOS

O Nexus Mods confirmou que um dos objetivos para 2026 é trazer o Vortex para o SteamOS. A ideia é garantir compatibilidade total com o console da Valve.

Apesar de não haver suporte oficial para Linux desktop, o software é open source, abrindo espaço para a comunidade ampliar essa compatibilidade no futuro.

Banjo-Kazooie ganha port nativo para PC

A comunidade de recompilações do Nintendo 64 não para. Agora é a vez de Banjo-Kazooie, que ganhou um port nativo para Windows, macOS e Linux.

O jogo traz melhorias como taxas de quadros mais altas, suporte a ultrawide e compatibilidade com mods. Os assets originais não vêm incluídos, então é necessário ter uma cópia, digamos, legítima do jogo.

Promoção da semana

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O jogo roda muito bem no Linux via Proton, com ranking Platina no ProtonDB. É só baixar e jogar.

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