Enquanto o mundo do software fervilhou em 2025, também foi um ano de grandes movimentações no cenário do hardware. De consagradas fabricantes a novas apostas ousadas, vimos lançamentos que desafiaram categorias inteiras, especialmente no universo dos jogos e da computação móvel. Para o entusiasta de tecnologia, foi um ano de evolução, mas também de preços que levantaram mais de uma sobrancelha.
O mundo dos consoles
A Nintendo finalmente pôs fim a sete anos de expectativa com o Nintendo Switch 2. Como o nome sugere, trata-se de uma evolução, não de uma revolução. O hardware recebeu um salto generoso: um processador mais moderno com suporte a DLSS (tecnologia de upscaling da NVIDIA) promete resolver as limitações gráficas do antecessor, permitindo jogos mais complexos. O suporte a 1080p em 120Hz no modo portátil e 4K na dock aponta para uma experiência visual significativamente mais nítida e fluida.
No entanto, o otimismo técnico esbarra em uma realidade econômica dura. Enquanto o Switch 1 debutou com acessibilidade, o Switch 2 chega ao mercado brasileiro na casa dos R$ 4.500. Para piorar, a Nintendo adotou a polêmica política de preços de US$ 80 para seus títulosAAA, com Mario Kart World custando R$ 500 no lançamento. Combinado com um catálogo inicial enxuto de exclusivos (apenas três no lançamento), o console enfrenta o desafio de justificar seu custo em um mercado cada vez mais competitivo.

Smartphones entre dobras e finuras
No segmento móvel, os destaques vieram de caminhos opostos. A Apple, com o iPhone 17, democratizou a tela ProMotion de 120Hz, que agora se encontra na linha principal, deixando de ser exclusividade dos modelos Pro. A nova câmera de selfie de sensor quadrado, permite fotos horizontais sem girar o aparelho. Já a linha Pro trouxe de volta o acabamento em alumínio, melhor para dissipação de calor, e um redesenho interno que ampliou a bateria.
A grande aposta da Apple, porém, foi o iPhone Air. Priorizando a forma sobre (parte da) função, ele é o smartphone mais fino da história da empresa, mas às custas de um sistema de câmeras único (como o antigo SE) e bateria menor. O preço elevado, entretanto, criou um produto de nicho que divide opiniões, levantando a questão: a finura extrema vale os sacrifícios?

Do outro lado, a Samsung explorou novos formatos com o Galaxy Z Trifold. Indo além do conceito já estabelecido do Fold, ele apresenta duas dobras, transformando-se de um smartphone compacto em um tablet de tamanho considerável. Embora não seja o primeiro no mundo (a Huawei já possui um modelo similar), a entrada da Samsung é uma aposta no amadurecimento desta categoria. Resta saber se o mercado abraçará a complexidade (e o custo inevitavelmente alto) de um aparelho com tantas articulações.

A revolução dos PCs portáteis consolizados
Este foi, sem dúvida, o campo de batalha mais interessante para os fãs de Linux. A dominância do Steam Deck da Valve no mercado de PCs portáteis finalmente forçou uma reação da Microsoft. A parceria com a ASUS gerou o ROG Xbox Ally. Seu grande trunfo não é o hardware (que é excelente), mas o software: uma interface do Windows totalmente redesenhada para ser usada com controles e tela sensível ao toque, centrada no app do Xbox e com integração nativa de bibliotecas como Steam e Epic Games.

O sucesso de vendas foi imediato, mas, mais uma vez, o preço se impõe como uma barreira colossal no Brasil, com versões chegando à faixa dos R$ 6.000 a R$ 10.000. Em comparação, o Steam Deck, que apesar de não ter venda oficial por aqui, é encontrado a partir de R$ 3.500, criando um abismo de acessibilidade.
Mas a Valve não ficou parada. Em um anúncio que aqueceu os corações dos fãs, ela revelou três dispositivos para 2026, todos prometendo expandir seu ecossistema:
- Steam Controller: Com um formato que parece um Steam Deck sem tela, ele conta com os trackpads, permanecendo ótimo para jogos de PC pouco amigáveis a controles;
- Steam Frame: Os óculos de realidade virtual da companhia. A grande revolução aqui é técnica: eles rodam um processador Snapdragon com arquitetura ARM, indicando que a Valve está não apenas portando o SteamOS para ARM, mas também desenvolvendo uma camada de compatibilidade para traduzir jogos de x86. É um movimento tão ambicioso quanto foi o Proton para o Linux;
- Steam Machine: A segunda e mais promissora tentativa de um console de mesa. Prometendo a potência de “6 Steam Decks” e desempenho em 4K a 60 FPS, este dispositivo compacto pode, com um preço correto, realmente abalar o mercado de consoles tradicionais e PCs gamer pré-montados.

Um ano de transição
2025 foi um ano de experiências portáteis e híbridas mais potentes, formatos de tela inovadores e uma convergência maior entre ecossistemas de jogo. Contudo, um fantasma pairou sobre quase todos os lançamentos: o preço.
Permaneça no espírito da retrospectiva conferindo o que 2025 trouxe para o mundo das interfaces gráficas do universo do desktop Linux.