A versão 11.0 do Wine foi lançada, fortalecendo ainda mais a incrível capacidade de rodar programas do Windows em sistemas Linux e macOS. O que antes era uma ferramenta para entusiastas, repleta de configurações complexas, hoje se aproxima de uma experiência praticamente “plug and play” para uma vasta gama de aplicativos, desde utilitários antigos até alguns jogos modernos.
O grande destaque desta versão é a unificação completa entre os “mundos” de 32 e 64 bits. Anteriormente, era necessário escolher entre comandos como wine (para 64-bit) e wine32. Agora, existe apenas o comando wine, que identifica e executa automaticamente qualquer binário do Windows, seja ele de 16, 32 ou 64 bits. Isso simplifica drasticamente a vida do usuário e, mais importante, permite que o Wine funcione em sistemas operacionais que já removeram o suporte nativo a bibliotecas de 32 bits, como algumas versões recentes do openSUSE.
Desempenho acelerado pelo Kernel Linux
Uma inovação técnica profunda chega com o suporte ao ntsync, um novo recurso do kernel Linux (a partir da versão 6.14) que adiciona primitivas de sincronização compatíveis com o kernel do Windows NT. Em termos simples, isso significa que a comunicação interna dentro dos programas Windows emulados pode agora ser gerenciada de forma muito mais eficiente pelo próprio núcleo do Linux, em vez de ser simulada de forma mais lenta no espaço do usuário. Com isso, temos melhor desempenho e responsividade, especialmente em aplicações multi-threaded complexas.
A compatibilidade com o Wayland, o protocolo moderno de exibição do Linux, também está mais robusta. O Wine 11 não apenas renderiza janelas no Wayland, mas agora também gerencia a área de transferência (clipboard) entre aplicativos Windows e Linux de forma transparente. Para quem ainda usa o X11, a transição para o modo tela cheia foi aprimorada.
Para os criadores de conteúdo e usuários multimídia, a adição da decodificação de vídeo H.264 via Vulkan nativo é uma grande notícia, prometendo reprodução de vídeo mais suave e com menor consumo de CPU. Melhorias no suporte ao Direct3D continuam a fechar a lacuna de desempenho para jogos e aplicações gráficas.
Além do PC x86
O Wine 11 também olha para o futuro da computação heterogênea. Em Macs com chip Apple Silicon, ele aproveita o Rosetta 2 da Apple para traduzir seu próprio código (x86-64) para ARM64. Já em PCs com Linux rodando em processadores ARM (como algumas placas de desenvolvimento ou o crescente mercado de laptops ARM), projetos como o FEX-Emu (agora integrado de forma mais próxima via projeto Hangover) permitem a tradução da arquitetura x86, abrindo a possibilidade de executar aplicativos clássicos do Windows até mesmo em outra aequitetura.
Simples e eficaz
Em testes feitos pelo portal The Register com a versão empacotada oficialmente no Ubuntu 25.10, instaladores de 32 bits como o Microsoft Word Viewer e o Excel Viewer funcionaram bem, assim como o visualizador de imagens IrfanView de 64 bits. O único ponto de atenção é que alguns pacotes podem instalar o Wine em um diretório como /opt/, exigindo que o usuário adicione manualmente o caminho ao terminal ou crie um lançador no menu.
O Wine 11.0 marca uma transição importante. O foco não está mais apenas em “fazer rodar”, mas em rodar bem, de forma integrada e performática.
Para quem busca uma experiência ainda mais polida e com suporte comercial, soluções como o CrossOver da CodeWeavers continuam sendo uma excelente recomendação. E para jogos, a rota principal ainda é o Steam com sua camada de compatibilidade Proton (derivada do Wine).
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