Um novo relatório da Malwarebytes jogou luz sobre um aplicativo que alcançou a segunda posição do ranking de softwares mais baixados da App Store estadunidense ao prometer pagamentos em dinheiro para quem ficasse simplesmente rolando pelo feed do TikTok.
Se essa descrição parece boa demais para ser verdade, é porque ela é, já que esse app, que levava o nome de Freecash, se tratava, na realidade, de um data broker feito para alimentar desenvolvedores de games mobile com dados de jogadores em potencial.
A ligação com o mundo dos games não para por aí, já que esses supostos pagamentos eram feitos não mediante o uso do TikTok, mas sim em troca de tempo gasto em algum jogo móvel listado no app.
Como todo data broker, o Freecash coletava uma quantidade impressionante de informações sobre o usuário, o que ia desde raça, religião e dados biométricos até coisas ainda mais pessoais, como a orientação sexual e detalhes sobre a vida sexual do usuário. Entre os jogos de terceiros promovidos dentro do app, estão nomes famosos como Monopoly Go e Disney Solitaire.
Ao ser questionada pelo TechCrunch, a alemã Almedia, empresa responsável pelo app, negou todas as acusações de que estaria gerando tráfego artificial para a sua plataforma ou que estava adotando táticas de marketing enganosas:
Nossos aplicativos estão em total conformidade com as políticas da Apple App Store e da Google Play Store, como demonstra o fato de estarem online e serem aprovados regularmente nas análises das plataformas. Não comentamos sobre a estratégia interna de produtos em relação a listagens específicas de aplicativos.
—James Law, gerente de relações públicas da Almedia.
O veículo também entrou em contato com a Apple, que removeu o Freecash da App Store logo em seguida, citando a violação dos itens 3.1.2(a) e 2.3.1 das suas diretrizes de revisão. O app também já foi removido do Google Play, embora tenha ficado disponível por lá por mais tempo.
Em janeiro, após uma reportagem da WIRED ir ao ar, o TikTok removeu alguns dos anúncios relacionados ao app da sua plataforma sob a justificativa de que eles violavam as suas regras envolvendo deturpação de informações financeiras. Em resposta, a Almedia disse que os anúncios teriam sido gerados por afiliados terceirizados e negou envolvimento.
Segundo dados da Appfigures, o app teve o seu “boom” justamente em janeiro, quando alcançou a marca de 5,5 milhões de downloads no mundo; para efeito de comparação, em outubro de 2025, ele contava com apenas 876 mil instalações. Essa boa performance se manteve nos meses subsequentes, com a firma de pesquisa prevendo algo em torno de 3 milhões de downloads apenas em abril.

Além do alto número de downloads, o Freecash também chamava atenção por ter uma nota média de 4,7 estrelas na App Store, o que também levanta a suspeita de que seus desenvolvedores tenham falsificado algumas reviews.
Rosto conhecido
Ainda de acordo com a Appfigures, a Almedia enviou o Freecash para a App Store pela primeira vez em 24 de março de 2024, mas o app foi removido da loja cerca de dois meses depois (13 de junho). Nesse meio tempo, ele foi baixado aproximadamente 70 mil vezes.
O software voltou a dar as caras meses depois, mas sob outra conta de desenvolvedor: 256 Rewards Ltd — empresa baseada no Chipre. Ele também passou a ostentar o código de identificação de outro app (este, sim, desenvolvido pela 256 Rewards Ltd).
A relação entre a Almedia e a 256 Rewards Ltd não está clara, mas é possível que a primeira tenha comprado a conta de desenvolvedor da segunda para burlar um possível banimento que seu app teria sofrido em junho de 2024 — tática relativamente comum entre golpistas, mas que, obviamente, é completamente proibida pela Maçã.
Em seu comunicado, a Apple aconselhou usuários a reportarem quaisquer apps que possam estar envolvidos em golpes por meio desse site.