Apple está no caminho certo ao não investir tanto em data centers de IA, segundo analista

Apple está no caminho certo ao não investir tanto em data centers de IA, segundo analista

Como temos acompanhado, a Apple vem seguindo uma abordagem diferente na seara de inteligência artificial — tanto na ponta dos usuários quanto internamente. Isso porque, diferentemente de algumas gigantes da tecnologia, ela não está investindo tanto em data centers — algo que, segundo o analista Horace Dediu, poderá se revelar “a jogada mais brilhante da história corporativa”.

Dados do Wall Street Journal indicam que Amazon, Google, Microsoft e Meta deverão gastar, juntas, US$650 bilhões somente este ano em infraestrutura para data centers de IA. Para sustentar esse crescimento, as cinco maiores empresas de tecnologia levantaram US$121 bilhões em títulos apenas em 2025, com projeções de que elas poderão acumular até US$1,5 trilhão em dívidas nos próximos anos.

Enquanto isso, a Apple manteve seu orçamento em US$14 bilhões, um valor relativamente modesto, flutuando principalmente com os ciclos de desenvolvimento de hardware, em vez da construção de data centers. Ademais, enquanto várias Big Techs reduziram a recompra de ações para financiar sua expansão em IA, a Apple gastou US$90,7 bilhões recomprando ações durante seu último ano fiscal.

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Nesse sentido, Dediu acredita que o setor pode estar investindo demais em infraestrutura de IA justamente quando os próprios modelos estão se tornando mais fáceis de replicar. No caso da Maçã, em vez de depender inteiramente do processamento em nuvem, ela está investindo fortemente em computação local em seu ecossistema de hardware — o que permite que iPhones, iPads e Macs executem localmente modelos com dezenas de bilhões de parâmetros, reduzindo a necessidade de infraestrutura de nuvem em larga escala para muitas tarefas cotidianas de IA.

Também cabe lembrar que a Apple optou por fazer uma parceria com o Google para licenciar o acesso ao Gemini por um valor estimado em US$1 bilhão por ano. Esse acordo também dá à gigante de Cupertino margem para mudar de rumo caso um modelo mais robusto ou mais barato surja posteriormente — uma estratégia híbrida que poderá permitir que a empresa se beneficie dos rápidos avanços em IA sem os possíveis prejuízos que as demais companhias poderão enfrentar daqui a alguns anos.