Em sua newsletter dominical na Bloomberg (a “Power On”), o jornalista Mark Gurman destacou algumas informações sobre a transição do cargo de CEO 1 entre Tim Cook e John Ternus, em especial sobre a presença do novo diretor executivo na apresentação do esperado iPhone dobrável.
Ternus, que assumirá o posto em 1º de setembro, supervisionou o desenvolvimento e a engenharia do “iPhone Ultra”, que carrega consigo quatro pilares: durabilidade, performance, um vinco quase imperceptível e uma tela horizontal que se parece com a de um iPad. Segundo Gurman, todos esses atributos estão relacionados às ambições dele, que é cuidadosamente cotado para ser a cara da inauguração dessa nova categoria de produtos dentro da Apple.
Seu primeiro trimestre fiscal, em um contexto completamente diferente mas semelhante em período ao de Cook, contará com as festividades de fim de ano, período conhecido pela alta demanda de produtos — um recorte positivo para as primeiras impressões dos acionistas sobre a troca de executivos.
Expansão de produtos e serviços
Além do novo iPhone, é esperado que, sob a sua gestão, a Maçã introduza dez categorias de novos produtos ao longo dos próximos anos, número consideravelmente maior se comparado às três categorias introduzidas durante o período de Tim Cook como CEO — o Apple Watch em 2015, os AirPods em 2016 e o Vision Pro em 2024.
Na divisão dos produtos de inteligência artificial (IA) relacionados à casa, Gurman listou a revisão do HomePod (que contará com uma tela), uma versão com tela maior — articulável com um braço robótico — e um dispositivo de segurança, semelhante ao Google Nest.
Já quanto à categoria de vestíveis, o destaque são certamente os especulados óculos inteligentes da empresa, uma contrapartida aos Ray-Ban Meta, que deverão contar com reprodução de músicas, suporte à ligação e acionamento da Siri, além dos AirPods com câmeras e o pingente compatível com a nova Siri e os recursos de IA no iPhone.
Sobre as atualizações de produtos tradicionais, podemos esperar por Macs com telas sensíveis ao toque, óculos de realidade aumentada — especulados para uma janela de lançamento entre 2028 e 2030 — e um iPad com tela dobrável, que embora seja a prioridade do novo CEO, poderá nunca ver a luz do dia segundo fontes de Gurman que trabalharam no projeto.
Sobre os serviços, apesar de ser a área com a qual Ternus tem menos familiaridade, ele parece ter ciência do sucesso da Apple no setor:
New Apple CEO John Ternus tells employees that he’s a big fan of the company’s services push and plans to expand it. He’s looking for more services that leverage Apple hardware, using Apple Pay as an example of his vision. https://t.co/9P81D3LXI9
— Mark Gurman (@markgurman) April 26, 2026
Estou ciente do que vocês fizeram na parte dos serviços. Lembro quando não tinha muita coisa e era meio que um plano ampliar os serviços. Todo dia eu acordo e meio que passo por uma série de usos dos nossos serviços, seja o Apple Music ou o Podcasts no carro. Eu pago alguma coisa com o Apple Pay, o iCloud é constantemente usado para sincronizar todas as minhas coisas. E no final do dia, geralmente algo da TV com o Apple TV. E é incrível.
E de pensar que a beleza do que nós fazemos está em conectar as coisas. Nós temos o hardware, o software, os serviços. Quer dizer, eu acho, o Tim diz isso o tempo todo, mas eu não poderia concordar mais. E eu estou ansioso para continuar a expandir e continuar buscando novos tipos de serviços em que nós estamos realmente encontrando oportunidades entre o hardware e o software.
E o Apple Pay é incrível. Quer dizer, nós mudamos o jeito que o comércio funciona e como as pessoas compram as coisas. É uma combinação perfeita de tudo o que temos a oferecer. E eu acho que tem muito mais oportunidade aqui.
Inteligência artificial
Enquanto o foco no curto prazo envolve as melhorias da Siri que deverão chegar junto com o iOS 27, previsto para ser apresentado na próxima WWDC, em junho, o próximo CEO parece ter a IA no horizonte:
Penso nisso de duas formas. Eu acho que a IA pode nos ajudar no que fazemos e no impacto em produtos, serviços e capacidade de entrega aos nossos consumidores. Nisso, eu acho que o que nós sempre fazemos aqui é pegar a tecnologia e utilizá-la para construir experiências incríveis. Nós não lançamos tecnologia por lançar.
Eu estou incrivelmente animado sobre essa onda de tecnologia, porque eu acredito que isso é realmente profundo e vai nos permitir fazer algumas coisas que, honestamente, estavam antes no campo da ficção científica. E agora conseguimos enxergar um caminho para torná-las realidade, o que é incrivelmente animador. Eu acho que isso é uma grande parte dessa história.
Então, internamente, eu acredito, obviamente, que a IA tem o potencial de transformar o jeito que nós fazemos as coisas. Eu acho que nós vamos conseguir resolver problemas mais difíceis. Isso é o que eu gosto. Nós temos tantas informações de todos esses anos, de elaboração de produtos e eu acho que [a IA] vai nos ajudar a enxergar esses dados, consultá-los e entender como podemos tornar os nossos produtos melhores. Então, sim, como eu disse antes, eu acho que esse é simplesmente o momento mais animador para desenvolver coisas que eu consigo imaginar.
Ainda que vaga, a fala parte de uma visão e ânimo bastante diferentes do que foi a prática da Apple sobre o tema nos últimos anos. O balanço histórico, como proposto tantas vezes com a gestão de Cook ao longo da última semana, pertence ao futuro — até aqui, as expectativas mercadológicas dessa mudança parecem animadoras, não é? 🙂